terça-feira, 19 de abril de 2011

Taxas de Juro

Vamos examinar as tendências das taxas de juro.

a) Banco Central Europeu, em 7/4/2011 aumentou a taxa de juro em 0,25%, para 1,25% a.a.;
b) China elevou a taxa de juro pela 4ª vez desde outubro de 2010, de 3% para 3,25%;
c) Estados Unidos, os analistas especulam que o FED, após QE2 (quantitative Easing 2), deve aumentar o juro. Depois de junho de 2011?
d) Brasil, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu sinal de novo aumento dos juros no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. A taxa básica (Selic) está atualmente em 11,75%. As maiores apostas são de elevação de 0,50%, para 12,25%.

Porém a Presidente Dilma, no segundo dia da missão à China, na semana passada, afirmou que se preocupa com a valorização da moeda (que prejudica as exportações) que tem sua origem nos altos juros no país. Repetindo a promessa de campanha, ela reafirma que vai reduzir a Selic ao longo do mandato.

Em um artigo (janeiro de 2011) no The Communiqué, Carl Delfeld, analista de Global Equities da Oxford Club, notou que a taxa de juro no Brasil é duas vezes a taxa de inflação. Isso torna desnecessário mais aumento de juro. Ele acha que o governo pode e deve cortar o juro num futuro próximo.

A minha previsão:
Europa, China e Estados Unidos – com a inflação mundial no horizonte, provocado pela alta dos preços dos alimentos e do petróleo, que está acima de 100 dólares por barril, o juro é um one-way street. Não tem como descer para abaixo de 0%.
No Brasil, o governo Dilma quer parar a valorização do real para aumentar as exportações e estimular o emprego. A única solução é diminuir o juro. Diante deste cenário, a perspectiva de queda gradativa da taxa de juro no 2° semestre de 2011, e no ano de 2012, é positiva para o desenvolvimento da economia e para a Bolsa de Valores.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Piadas

Um chinês sentou-se ao lado de uma judeu num trem. De repente o judeu levantou e deu um soco no chinês e disse: “Isto é por conta de Pearl Harbour”. O chinês protestou: “o que isso tem comigo? Pearl Harbour foi destruído por japoneses”. O judeu disse: “Eu não quero saber. Para mim, coreanos, chineses, japoneses, são todos a mesma coisa”.
Um minuto depois, o chinês levantou e deu um soco no judeu e disse: “Isto é por conta do Titanic”. O judeu ficou perplexo: “o que eu tenho a ver com aquilo? Titanic foi afundado por um iceberg”. O chinês disse: “Eu não quero saber. Para mim, Rosenberg, Goldenberg, Iceberg, são todos a mesma coisa”.
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Adivinha quem descobriu o Canadá?
a) americano e russo
b) inglês e francês
c) português e brasileiro

A resposta é c).

Um português e um brasileiro estavam remando num barco no Atlântico Norte. O português gritou com alegria: “Terra à vista!” Os dois remaram com toda a força, chegaram em terra firme e encostaram o barco. Que alívio!
Os dois caminharam na floresta sem parar. Após 12 horas, sentiram fome e cansaço. Não acharam bananas, nem outras frutas. Eles ficaram desesperados, Aí um disse para o outro: “Cá – nada!”.
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Um português foi passear no Japão. Numa loja de brinquedos descobriu uns óculos mágicos que enxergava todo mundo nu. Ele caminhava pelas ruas de Tóquio vendo as moças japonesas, bonitas e nuas.
No avião de volta para Lisboa, ele olhava para as aeromoças todas nuas. Que alegria!
Chegando em casa ele entrou pela porta já com os óculos mágicos. Ele viu a esposa e o vizinho no sofá, ambos nus. Colocou os óculos, nus, tirou os óculos, nus. Ficou furioso e disse: “Que óculos mágicos! Isso é que nem um brinquedo. Chego em casa já não está funcionando mais!”.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Jokes & Humors

Na English gentleman walked into the showroom of a Rolls Royce dealer. The salesman showed him the latest model and explained all the features the car could perform. The gentleman wrote a check of 100.000 pounds and left the check on the table. Then the gentleman saw a small hole in the engine section and asked the salesman what the hole was for. The salesman replied that this hole was where you insert that crank-shaft (manivela) in case the engine couldn’t get started. The gentleman looked at the salesman in amazement, picked up the check and walked out of the door. The salesman chased after him. When he was face to face with the gentleman, he ripped off the gentleman’s shirt, and asked: “Sir, do you know what your nipples are for?” The gentleman replied: “I don’t know. I never thought of it”. The salesman said: “Sir, God created you those nipples in case you will be pregnant with a baby.” The gentleman thought for a moment and gave the check back to the salesman.


A 15 year-old boy accompanied a 12 year-old girl to a movie, which featured Marlon Brando as a tough guy, and Marilyn Monroe a sexy woman. I one of the scenes, Marlon Brando ripped off Marilyn Monroe’s blouse, grasped her breasts and said: “I want what I want when I want them.”
After the movie, the boy walked the girl home. Suddenly the boy cornered the girl against the wall, ripped off her blouse and said: “I want what I want when I want them”. The 12 year-old girl looked at his face and said: “You have what I have when I have them”.


Many years ago, I participated in the world oil-sees Congress in Rio de Janeiro. At the Hotel Nacional, I met a handsome young American. I asked him: “Where are you from?” He replied: “Pittsburgh, Pennsylvania”. I said: “I know Pittsburgh quite well”. Then he challenged me: “Name a street!” I replied: “I don’t remember the name of the street, but there is the Schenley Park, the Duquesne University, the opera house Syria Mosque, and of course, the William Penn Hotel. He said: “My name is William Penn III, what’s your name?”
( a note: The state of Pennsylvania is named after William Penn, who, together with George Washington, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, fought for independence from British rule and established the United States of America).


What’s the difference between recession and depression?
Recession is when your neighbor lost his job; depression is when yourself lost your job.

terça-feira, 29 de março de 2011

Collection of jokes & humors

For the past two weeks we only had news of mass protests and revolts in the Middle East and earthquake and tsunami in Japan. While we are waiting for new and hopeful developments in those areas, let me share with you some jokes & humors unrelated to politics and economics – for relaxation and a change of mood.


Those jokes and humors I collected over the years are mostly in English. They are not translatable. Also, if we don’t write and read English, we may forget an important language.


a) Bernard Shaw, the british dramatist wrote a letter to Winston Churchill. “Sir Winston: Herein enclosed two tickets for the opening night of my play, The Pygmalion. Bring a friend if you have one”. Churchill replied: “Sir Bernard: Regret for not being able to attend to the first night of your play. However, I shall attempt to come on the second night if there be one”.


b) At a dinner party in London, Bernard Shaw sat next to a young lady. He said to her: “I give you ten thousands pounds for you to sleep with me tonight”. She said: “Oh, Sir Bernard, stop kidding me!” After the dinner, the girl looked at Bernard and asked: “Do you really mean what you said before dinner’? Bernard replied: “Of course I mean it. Except that now I am going to give you only 10 pounds”. The girl got up and shouted at him: “10 pounds, what do you take me for”? Bernard replied calmly: “What I take you for is already determined. What’s not determined is the price”.


c) If you are making love in Hyde Park, London, make sure that it’s your back that leans against the tree. On the contrary, the passing-by Scotland Yard might accuse you of rape and you might be sentenced to 5 years in a royal prison.


d) During a heated debate in 19th Century British Parliament, the leader of the opposition party shouted at the leader of the ruling party: “You shall die of guillotine or from venereal disease”. The ruling party leader reply: “That depends whether I embrace you politics or your mistress”.



(To be continued)

terça-feira, 15 de março de 2011

Feriadão de Carnaval

Com os feriados de Carnaval, a Bovespa só voltou a funcionar a partir de 13 horas de quarta-feira, 9 de março. Fiquei inquieto na segunda e terça-feira sem poder acompanhar a bolsa. Em compensação, assisti no canal da Bloomberg, os movimentos das bolsas americanas, inclusive das ADRs das ações brasileiras, que caíram bastante na segunda-feira (7 de março), desde a abertura até o fechamento. Tentei descobrir o motivo da queda. Déficit americano? Aperto monetário da China? Aumento do juro brasileiro? Líbia?

Quem trabalha com a bolsa fica viciado. É como bebida, cigarro ou maconha. De vez em quando fico com vontade de largar tudo. Mas daí, o que vou fazer? Caminhar, passear, meditar no Jardim Botânico... Mas não posso fazer isso todos os dias.

Após a minha aposentadoria, estabeleci uma agenda rigorosa. Tênis, três vezes por semana. Corretor, uma vez por semana. Acompanhamento das bolsas, de segundas às sextas. Acompanhamento não é apenas ver as cotações. Tenho que ler e analisar as notícias políticas e econômicas do mundo – inflação ou recessão, alta ou baixa dos juros, preços do petróleo e commodities. Quando tem alguma coisa interessante, escrevo um artigo sobre o assunto para o meu blog.

Como segunda-feira, 7 de março, as bolsas mundiais caíram devido à alta violenta do preço do petróleo, em função da diminuição da produção da Líbia, na terça-feira as bolsas recuperaram um pouco, respondendo ao pronunciamento de que a Arábia Saudita e a OPEP vão repor a falta de produção da Líbia. O mundo não vai cair no abismo – um alívio para os investidores.

terça-feira, 1 de março de 2011

O preço do petróleo

Na última semana de fevereiro, de 2011, o preço do petróleo ultrapassou 100 dólares por barril. Com os tumultos, protestos e quedas dos regimes autoritários, há ameaça de diminuição ou paralisação de suprimentos dos países produtores de petróleo no mundo árabe.

A alta do petróleo provocou inflação no mundo inteiro. Com a inflação, os Estados Unidos e a Europa não vão poder manter a taxa de juro perto de 0%. Antes da crise do petróleo, a China já estava adotando medidas restritivas para combater a inflação. O Brasil está fechando a torneira de crédito, aumentando os juros. A crise do petróleo agrava as economias dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, sem exceção.

Quem se beneficia com a crise? As companhias de petróleo: Exxon-Mobil, Chevron, Shell e Petrobrás.

Eu subscrevi ações da Petrobrás no final de setembro de 2010. O papel tem caído abaixo do preço de subscrição. Com a crise no Oriente Médio, o papel recuperou para R$ 28,60 em 25/2/2011 (valorização de 10% acima do preço de subscrição, enquanto a Bovespa caiu 2% no mesmo período).

Um artigo da Business Week, de agosto de 2008, fez uma sugestão curiosa: os governos e a OPEP deveriam manter o preço do petróleo estabilizado em 90 dólares o barril. Se o preço cair abaixo disso, deveriam aumentar o imposto para manter o preço neste nível. Petróleo barato incentiva o desperdício e o consumo em excesso, enquanto preço alto estimula a eficiência e o desenvolvimento de alternativas (como álcool, derivado da cana de açúcar). Os analistas que são contra esta medida acham que o tabelamento de preço é uma agenda socialista perigosa (os governos podem também tabelar os preços de trigo, soja, milho, etc.) O artigo, porém, não oferece sugestão de como estabilizar o preço a 90 dólares se o preço for acima disso.
Vou manter Petrobrás como uma das ações em minha carteira, sem me aprofundar nesta polêmica discussão externa.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Falta de alimentos, causa e efeito

Nouriel Roubini, da New York University, economista que previu a crise financeira dos Estados Unidos em 2008, disse que os altos custos dos alimentos e da energia estão criando uma inflação tão séria nos mercados emergentes que até derrubou o governo de Mubarak no Egito.

As causas: a oferta global diminui em função do clima. A seca dizima a safra de trigo. Há falta de água para os povos e os animais (água será o próximo petróleo!). A demanda global acelera. A compra de alimentos e matérias primas pela China compromete a disponibilidade. Quando o renminbi valoriza, a China importa ainda mais.

Os efeitos: uma crise leva à outra. Os países da Ásia, Japão inclusive, têm que aumentar os subsídios e cortar as tarifas de importação, criando dívidas indesejáveis. Ademais, a falta de alimentos provoca a instabilidade social. Os povos protestam em massa, e tentar manter a fúria da população encapsulada em época de Twitter, Youtube e Facebook não é uma tarefa fácil para qualquer país. O mundo não previa o efeito dominó – Tunísia, Egito, Bahrein, Iêmen, Jordânia, Líbia e Irã, e a crise geopolítica em andamento se intensifica.

O povo árabe costuma ter medo do regime autoritário, agora o regime autoritário tem medo do seu povo.

Porém, a crise pode evoluir para um cenário otimista e inesperado. A ditadura e a soberania perpétua não vão durar muito tempo. O sol está no horizonte, e a democracia no caminho. Como a Sinfonia n° 6, “A Pastoral”, de Beethoven, “após a tempestade vem a serenidade, e o povo exulta em alegria”.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A alta histórica dos alimentos

Os preços dos alimentos do mundo bateram alta histórica em janeiro de 2011, de acordo com a Food and Agriculture Organization (FAO) das Nações Unidas. O índice de preços dos alimentos da FAO mede o custo de uma cesta básica – cereais, açúcar, leite, óleo e carne – do mundo inteiro. O índice subiu 3,4% em janeiro – o sétimo mês consecutivo - chegando ao nível mais alto desde começou a ser medido em 1990. E os preços altos vão persistir nos meses vindouros.
Os altos custos dos alimentos e das commodities são um dos fatores principais das ondas de protestos no Oriente Médio e África do Norte, onde os povos de baixa renda gastam uma alta proporção da sua renda em alimentos. Os altos preços mundiais dos alimentos causam fome em milhões de pessoas que, nos países em desenvolvimento, gastam até 80% de suas rendas em comida, criando o medo de que eles tenham que sacrificar a educação dos filhos ou até vender terrenos ou casas para ter comida na mesa.
As revoltas e os protestos, primeiro na Tunísia, depois no Egito e agora espalhando para Marrocos, Algéria, e Paquistão não são causadas somente pela alta taxa de desemprego e desigualdade de renda e riqueza, mas também são atribuídas à alta vertiginosa dos preços dos alimentos e commodities.
Um alerta para o nosso Brasil. Além de frear a inflação e aumentar o salário mínimo, o governo de Dilma tem que incentivar a agricultura e prevenir para que não falte comida para os menos privilegiados do país.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Commodity e ações de commodity

Apesar dos sinais de desaceleração nos Estados Unidos, os investidores estão comprando ações de commodity numa aposta contra a recorrência de recessão. Um artigo publicado na Bloomberg Businessweek, em setembro de 2010, dizia que o SP 500, Índice de Materiais, composto de 32 companhias de mineração, semente e química, subiu 10% (de junho a agosto de 2010), comparado com uma alta de 4% do Índice SP 500. O P/L (preço/lucro) dessas 32 companhias atingiu a média de 17,4 contra um P/L médio de 14,2% das companhias do Índice SP 500.
A forte procura pelas matérias primas sinaliza o crescimento da economia em geral. Se o mercado realmente acreditasse na recorrência da recessão (double-dip), as ações de matéria prima não teriam um desempenho tão bom.
Reuters CRB, índice de 19 matérias primas, subiu 3,6% desde o fim de junho de 2010, liderado pelo trigo que subiu 42% com a seca dos países exportadores. O açúcar subiu 21% com o atraso do embarque nos portos do Brasil, o maior exportador do mundo. O cobre e o algodão subiram 12%, de acordo com os dados da Bloomberg.
A força das commodities é um importante indicador, assegurando um forte fundamento da economia mundial, mais do que a previsão do mercado.
Os outros, porém, acham que os preços das commodities e das ações de commodities refletem a procura crescente da parte mais dinâmica da economia mundial, que é a Ásia emergente. O que não necessariamente reflete a perspectiva do crescimento dos Estados Unidos e da Europa.
Uma observação minha: simplesmente, a commodity é o minério de ferro; e a ação de commodity é Vale do Rio Doce. A procura depende da Ásia emergente, principalmente da China. “Quando a China grita, o mundo treme”.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cenário Internacional (III)

AMÉRICA LATINA
Argentina e Brasil, como grandes produtores e exportadores de soja, são favorecidos com a alta de preços, porém são desfavorecidos com a baixa do dólar. O preço da soja é determinado pela cotação diária no Chicago Board of Trade (CBOT), convertido em real pela taxa de câmbio.

O preço sobe (atualmente acima de US$ 14 por bushel) e a taxa de câmbio cai para R$ 1,68. Um compensa o outro, mas os produtores estão ganhando e estão satisfeitos.

Em 19 /01/2011, o Banco Central do Brasil aumentou a taxa Selic em 0,5%, para 11,25% ao ano para frear a inflação, com previsão de 12,25% para o ano. Com este tamanho de juro, o Brasil está convidando a entrada de dólar, convertido em real e aplicado em juro. Porém, a entrada excessiva de dólar traz valorização do real, o que prejudica a exportação. O governo, portanto, criou a taxação de IOF para frear a inundação de dólar.


OPEP
Na semana passada, os países produtores de petróleo (OPEP) anunciaram que com a alta da demanda por petróleo, a OPEP está aumentado a produção para estabilizar o preço internacional. A OPEP não quer se acusada de alimentar a inflação mundial.

A estabilidade ou a queda do preço do petróleo, além de diminuir a inflação mundial, fortalece o valor do dólar (dólar compra mais petróleo). Quem sabe em 2011 e 2012, a alta do dólar ajudará o balanço de pagamento do Brasil (a exportação aumenta e a importação diminui) e o governo poderá rescindir a taxação de IOF; e com as inflações mundial e brasileira mais amenas o Banco Central deverá reduzir o juro real para um nível mais sensato.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cenário Internacional (II)

ASIA
A China não somente domina a economia da Ásia; ela, juntamente com os Estados Unidos, dominam a economia do mundo. O GPD do país cresceu 10,3% em 2010 e acumulou quase 1 trilhão de dólares em reservas. O governo não sabe aonde colocar tanto dinheiro, a não ser comprar debêntures do tesouro americano, que é mais confiável e seguro.

Mesmo assim o governo da China está cheio de preocupações. A última política americana de injetar liquidez na economia pela compra adicional de 600 bihões de debêntures do tesouro (QE2) é vista como “imprimir dinheiro”; QE2 aumenta drasticamente a oferta de dinheiro, baixa a taxa de juro americano e o valor do dólar. A China sofre prejuízo e tem medo de mais prejuízo sobre o investimento de quase 1 trilhão de dólares de debêntures que ela possui. O problema não é diferente de qualquer investidor, privado ou público, que vê o valor dos seus ativos evaporando ao longo do tempo.

A China colocou todos os ovos na mesma cesta. Aí o provérbio: “Se o banco empresta para você dez mil dólares, o banco te possui; se o banco te empresta um milhão de dólares, você possui o banco”.
Durante a visita a Casa Branca na semana passada, Hu Jintao e Obama apertaram as mãos, tiraram fotos, conversaram cordialmente, com jantar e discursos para o mundo ver. Sobre a revalorização do renminbi, o processo é gradativo, no ritmo que a soberania chinesa determina. Sobre os direitos humanos, Obama não pressionou (os jornalistas sim), e Hu ficou quieto. O manifesto é de cooperação, co-dependência e coexistência

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Cenário Internacional (I)

U.S.A.
Ben Bernanke comentou que os esforços do Federal Reserve para bombear dinheiro na economia é parcialmente responsável pela alta no mercado de ações. A política de injetar liquidez na economia pela compra adicional de 600 bilhões de debêntures do Tesouro é conhecido no mercado como QE2 – Quantitative Easing 2, em contraste com QE1, em março de 2009, quando iniciou a recuperação da bolsa de um nível desastroso.

Alguns analistas criticam que enquanto QE1 e QE2 fazem milagres no mercado de ações, o impacto sobre o GDP e o nível de emprego é apenas anêmico.

Bernanke testemunhou na semana passada perante o Comitê de Orçamento do Senado que a economia americana será “moderadamente mais forte em 2011 do que em 2010”. “A expectativa de crescimento será entre 3 a 4%. Sou mais otimista agora do que há 4 meses. Estamos no caminho certo”.


Europa
Ultimamente a mídia não vem divulgando muitas notícias sobre a Europa. “No news is good news!”

Irlanda, Portugal e Grécia estão fazendo um esforço para cortar o déficit do governo e equilibrar as contas, até com corte de salários e benefícios dos funcionários públicos.

Na Espanha, a procura dos investidores internacionais por debêntures soberanas foi o dobro da oferta. Um bom sinal de confiança.

Alemanha continua a ser a locomotiva da zona do euro, tanto na produção industrial quanto na exportação. França, Itália e outros seguem de carona, com crescimento moderado. O euro sobe para 1,33.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As metas para 2011 – 2014

A meta de inflação
O novo Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, manifestou sua ambição de reduzir o patamar de 4,5% de meta de inflação que tem se repetido nos últimos anos. Essa meta converge com o discurso proferido no Congresso pela Presidente Dilma Rousseff, para quem a inflação baixa é a base da manutenção do crescimento econômico.


A meta de juro real
Apesar da expectativa no mercado financeiro de uma elevação de 0,5% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para 11,25% ao ano, a meta de juro real (descontada a inflação) é de 2% (atualmente, a taxa está em torno de 5,5% a 6%).


A meta de não valorização da moeda
O novo ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse: “o governo não vai ficar passivo, inerte, assistindo à nossa moeda se valorizando e a nossa indústria sendo prejudicada”. Em 2010 as exportações foram as maiores da história, mas o resultado foi pressionado pela alta nas importações, que somaram US$ 181,6 bilhões, 42,2% mais que em 2009. Com isso, o saldo da balança comercial, em 2010, foi o mais baixo desde 2002: o superávit caiu 19,8% comparado com 2009, para US$ 20,3 bilhões.

Redução de impostos
Para compensar a indústria nacional de perdas provocadas pela valorização do real, Dilma vê a necessidade de desonerações setoriais de impostos, como móveis, calçados e têxteis.

Se durante os 4 anos do governo Dilma o mercado sentir que as metas serão atingidas, a bolsa sobe; e se o mercado não tiver a confiança de que as metas serão atingidas, a bolsa cai. O mercado sempre trabalha com percepções. Quando todas as metas forem atingidas, estará na hora de vender as ações em bolsa. A bolsa é como um jogo de pôquer. Quando todas as cartas são abertas, está na hora de recolher as fichas. The game is over!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Incerteza

Nicholas Bloom, professor de Ciências Econômicas da Universidade de Stanford e conselheiro do Tesouro Britânico, especializou-se em estudos de desastres históricos. Ele examinou 17 eventos de impacto desde a crise dos mísseis cubanos, a “black monday” de 1987, o 11 de setembro, e a quebra do Lehman Brothers e seus impactos sobre gastos e investimentos nos meses seguintes.
Cada evento criou dúvidas nas mentes dos executivos sobre o que deveria ser feito. Ele disse: “a resposta ótima à incerteza é não fazer nada. Mas se ninguém fizer nada, a economia entra em colapso”.
Essa observação leva o professor Bloom a ser otimista sobre a economia mundial. “Coloquei todo o meu dinheiro no mercado de ações”. Embora as empresas façam prognósticos de investimentos e novos empregos, o efeito é apenas temporário. Produção e emprego voltam quando a ansiedade diminui. A conclusão dele coincide com uma pesquisa publicada em 1980, por Ben Bernanke, que escreveu: “a resolução da incerteza pode conduzir a um pulo no investimento”.
A questão é quando isso vai ocorrer. Há uma falta de confiança na política do governo americano. Os bancos não sabem qual é o capital extra requerido pelo governo. As companhias de energia estão esperando a definição sobre emissão de carbono. A maior incerteza é a extinção ou prorrogação do corte de impostos que termina em janeiro de 2011.
O resto do mundo não tem menos incerteza do que os Estados Unidos. A crise de dívida soberana na Europa, a bolha imobiliária na China, o déficit orçamentário do Japão.
Enquanto esperam as nuvens dissiparem, as empresas americanas seguram $ 1,84 trilhões em cash. As empresas japonesas têm reservas de $2,3 trilhões em moedas e depósitos nos seus balanços de 31/03/2010. “Está na hora dos governos injetarem alguma certeza nas suas políticas, encorajando as empresas a empregar e a investir”.
Em final de novembro de 2010, algumas incertezas foram resolvidas: o corte de impostos foi prorrogado por mais 2 anos pelo Congresso Americano; Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha já elaboraram planos de reduzir os gastos e déficits do governo, embora sob protestos do povo pela redução de salários e benefícios dos funcionários públicos.
Gradativamente, as nuvens vão se dissipando. As empresas voltam a investir e a dar empregos. O mundo está caminhando para um ciclo virtuoso. A incerteza cai e a confiança sobe.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A saída para a crise financeira

A história tem demonstrado que quando os países sofrem com crises financeiras, eles saem do buraco via exportações. Desta vez, a crise financeira não se limita a um ou dois países. O declínio da produção econômica é mundial.

Países como a China, mesmo com altas taxas de crescimento, não estão aumentando as importações para estimular as economias fracas. A China se recusa a valorizar a sua moeda para manter sua fatia do mercado global. Guido Mantega, o ministro da Fazenda brasileiro, alertou recentemente para uma “guerra das moedas” (currency war). Matematicamente, é impossível que todos os países cresçam com exportações em alta e importações em baixa. Paul Krugman, Prêmio Nobel, economista, disse: “Não existe outro planeta para onde as exportações se destinam.”

O que pode ser feito para que o mundo restaure o crescimento econômico? A resposta não reside em “comércio” simplesmente!

Os economistas do mundo oferecem uma variedade de sugestões: inovações tecnológicas; “animal spirits” dos empreendedores; ou simples passagem do tempo.

Edmund Phelps, o outro Prêmio Nobel, economista da Columbia University, acha que alguns empreendedores vão pular na frente dos concorrentes, investindo pesadamente em novas tecnologias. Os concorrentes são forçados a responder aos desafios para não perder o mercado. Assim começa o ciclo virtuoso (por exemplo: iPad, da Apple, Android, da Microsoft, Blackberry, da Research In Motion).

O socorro pode chegar por conta de “wear and tear” e obsolescência. As empresas não podem prognosticar indefinidamente a renovação das estruturas e equipamentos (a demanda por Caterpillar cresce mundialmente).

A construção de casas tem sido tão lenta que dificilmente se prevê mais queda acentuada. O setor privado americano está gradativamente diminuindo a dívida. A recuperação dos setores financeiros leva anos, mas não uma década. As empresas americanas têm crescimento sadio, lucro e produtividade.

Talvez a salvação da economia americana resida na sua sonolência. Alan Greenspan, ex-chairman do Federal Reserve disse que não faz sentido estimular o “animal spirits” dos executivos enquanto eles continuarem a ter medo de outra calamidade financeira. O que se precisa é de um período extensivo de calma e tranqüilidade, para os executivos reencontrarem a confiança e pensar novamente em novas oportunidades.

Tenho confiança no Brasil e no mundo, sou um eterno otimista.