terça-feira, 22 de junho de 2010

O Governo compra ações?

Roger Farmer, um economista da Universidade da Califórnia, no seu livro “How the Economy works: confidence, crashes and self-fulfilling prophecies” sugere que o governo deve comprar ações em uma escala massiva quando ocorre uma grande queda no mercado, a fim de restabelecer a confiança pública e prevenir uma forte recessão econômica.
Ele explica porque o desemprego persistente se perpetua. Os empregadores não oferecem empregos quando não existe demanda na economia; e haverá demanda se todo mundo tiver emprego. A melhor maneira de sustentar o equilíbrio de baixo - desemprego é fazer com que o Federal Reserve compre SP 500 Stock Índex no mercado futuro.
“A única coisa que mantém a economia nos trilhos é a confiança coletiva de milhões de investidores de que a economia é sólida”, escreveu o autor. “Investidores são, às vezes, como os búfalos pastando perto de um precipício. Quando a corrida ocorre na direção errada, é difícil de parar o movimento.”
Farmer sugere que o FED deve anunciar um preço alvo para o índice SP 500 e se comprometer a comprar ações de fundo de índice até atingir a meta. Se os preços do índice exceder a meta, o FED deve vender para acalmar o mercado.
Keynes, no seu túmulo, nunca imaginou que o keynesianismo poderia chegar a este ponto. Sonho ou realidade?
Bloomberg Businessweek descreveu algumas evidências de que uma entidade governamental já estava e está comprando ações para sustentar o mercado:
1989: ex - governador do Federal Reserve, Robert Heller fez uma palestra em San Francisco dizendo que para estabilizar as ações o FED poderia comprar SP 500 Stock Índex no mercado de futuros. Ele falou hipoteticamente.
2001: George Stephanopoulos, ex - colaborador do governo Clinton falou no Good Morning America sobre um plano de socorro do governo se o mercado começasse a cair violentamente
2010: Charles Biderman, CEO da TrimTabs Investment Research, especulou que a compra de ações (ou índices) pelo FED e outras entidades do governo causou a forte recuperação do mercado a partir de março de 2009, porém com a ressalva “não temos como provar isso.”
O Banco Central do Brasil mexe com o câmbio a toda hora para equilibrar a taxa do dólar/real, mas o mercado nunca suspeitou que o Banco Central manipula também a bolsa. Só me lembro que em outubro de 2008, quando a Bovespa caiu vertiginosamente, CVM e Bovespa inventaram o “circuit breaker” – a bolsa pára de negociar quando a queda atinge 10% num dia.
Laissez - faire puro não existe em nenhum país do mundo. Afinal de contas, governo é para governar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Investir em apartamento?

Anos atrás visitei meu cunhado que se aposentou em St. Petersburg, Flórida. O apartamento dele fica perto da praia, localizado num condomínio com piscina, quadras de tênis, golfe e guardas de segurança. Ele me mostrou um apartamento que estava à venda no condomínio. O ambiente era convidativo e o preço razoável.
Quando voltei para o Brasil, telefonei para uma amiga que tem uma casa em Miami. Ela me desaconselhou resolutamente:
“Tong, não faça isso! Eu passo duas semanas de férias na minha casa em Miami todos os anos. Quando chego lá o ar condicionado não está funcionando após ficar mais de um ano sem uso. Quando consigo mandar consertar já está na hora de ir embora. E tem as despesas de condomínio, telefone, água, luz, segurança e impostos. Mas o pior de tudo é que eu crio para mim uma obrigação de ir lá todos os anos, sem poder visitar outros lugares do mundo”.
Imediatamente liguei para o meu cunhado desistindo da idéia de comprar um apartamento em St. Petersburg.
Mas anos depois, caio numa outra armadilha. Comprei um apartamento no bairro Belo Vista, em Porto Alegre, numa zona nobre, em frente a uma praça, com árvores e flores.
Moro na minha casa, na Vila Assunção, com vista para o Rio Guaíba. Mas comprei o apartamento como investimento, ou como diversificação de investimento. Nunca morei naquele apartamento. Mas todos os meses tinha pagamentos de condomínio, água, luz, telefone, tv, etc. Anualmente as despesas somavam US$ 10 mil, inclusive o IPTU.
Após seis anos vendi o apartamento sem grande prejuízo, se não considerar a correção monetária do período. Pior ainda se tivesse colocado o dinheiro em ações da Bovespa, o prejuízo do custo de oportunidade teria sido incalculável. Na vida a gente tem o direito de fazer besteira de vez em quando.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aposta nas ações ON

Nas bolsas americanas e européias, os investidores e corretores desconhecem as ações preferenciais que no Brasil coexistem com as ações ordinárias. No Brasil, nos últimos anos, as ações lançadas (IPO) são todas ON, com direito a voto.
Minha carteira é composta principalmente de ações ON. Veja os acontecimentos no passado e as perspectivas futuras:

Ações (Bovespa) / Acontecimento e Perspectivas

White Martins ON e Vidraria Sta Marina ON / fecharam o capital e reembolsaram os acionistas com ágio

Suzano Petroquímica PN / em julho de 2007 a empresa vendeu o controle e concedeu tag along para as ações PN. O papel subiu 68% (de 5,30 para 8,90)

Vivo ON / em 11 de maio de 2010, a Telefonica da Espanha fez oferta para a compra do controle de Portugal Telecom. O papel subiu 33%

Ambev ON, Telesp ON e Braskem ON/ atualmente com deságio de 13,5% a 15% em relação à PN

Souza Cruz ON / um dia pode fechar o capital e remunerar os acionistas minoritários com um bom preço

Há anos eu tenho a idéia de lançar um fundo mútuo denominado Fundo ON, com um mínimo de 80% da carteira aplicado em ações ON e 20% em ações PN. Mas algumas ações que eu gosto não são negociadas em ON ou as ações ON não tem liquidez. Quem sabe um dia alguém vai montar um Fundo ON e me convidar para ser conselheiro.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vivo ON

Na semana passada escrevi sobre AMBEV, na expectativa de que um dia o papel ON supere a PN. Hoje, 11 de maio de 2010, isso aconteceu com Vivo.
Acompanhando a bolsa pela TV Bloomberg, observei que Vivo PN tinha subido 8% devido à notícia de que Portugal Telecom rejeitou a oferta da Telefônica de comprar o controle da Vivo por US$ 7,3 bilhões. Como Vivo ON não é cotada na Bloomberg, liguei imediatamente para o meu corretor. Ele disse que Vivo ON tinha subido para 58, com alta de 33%. Dei ordem de vender todas as ações Vivo ON, e me senti aliviado quando a venda foi confirmada.
Muita coisa pode rolar daqui para frente. Nem Portugal Telecom nem Telefônica, nem o mercado pode adivinhar o que vai acontecer. Lembre-se do caso Yahoo. A Microsoft fez uma oferta de compra do controle da Yahoo. O CEO Jerry Yang pensou, re-pensou, fez contra oferta, negociou. No meio tempo, o mercado caiu e a Microsoft retirou a sua oferta. As ações da Yahoo foram para o brejo e Jerry Yang foi para a rua.
Eu estou satisfeito com a venda de Vivo ON. Se o papel subir mais, deixo os outros ganharem um pouco!

terça-feira, 18 de maio de 2010

AMBEV


De acordo com pesquisa da Bloomberg Capital IQ, as maiores empresas do setor de bebidas alcoólicas têm sua matriz fora dos Estados Unidos, como segue:

empresa/país/capitalização em bilhões/margem de lucro em 2009 *

Anheuser-Busch Inbev/Bélgica/ $81/ 13%
Cia de Bebidas das Américas-AMBEV/Brasil/ $ 57/ 28%
Diageo/Inglaterra/ $42/ 16%
Heineken/Holanda/ $ 25/ 7%
Pernod-Ricard/França/ $22/ 14%

* lucro líquido dividido pela receita total

Embora a AMBEV/Brasil não seja a maior empresa de bebida alcoólica do mundo, ela tem a maior margem de lucro entre as cinco maiores.
Na Bovespa, AMBV3 subiu 74%, de R$ 84,79 (30/12/08) para R$ 147,50 (30/12/09). Na queda violenta da primeira semana de maio de 2010 da Bovespa, AMBV3 e AMBV4 resistiram à queda (até subiram um pouco).
Estou apostando mais na AMBV3 (ON) do que na AMBV4 (PN). Atualmente, ON está com deságio de 13,4% em relação à PN. Espero que a ON fique ao par com a PN, no mínimo, se não superar a PN, como Petrobrás e Vale (em ambos os casos, a ON supera a PN em 14%).

terça-feira, 4 de maio de 2010

Vale vs Petrobrás

Vale:
Em 31/03/2010, Vale e BHP Billiton (Austrália) assinaram contratos com siderurgias asiáticas ajustando os preços do minério em base trimestral em vez de anual que vigorava nos últimos 40 anos. Essa mudança deve proporcionar maior lucro para Vale e BHP.

Euromoney, umas das publicações mais influentes do mundo, elegeu a Vale como a empresa mais bem administrada do Brasil e a companhia mais transparente do setor de metais e mineração da América Latina. Financial Times honrou a Vale com o FT ArcelorMittal Emerging Markets 2010 Award.


Petrobrás:
A) Investimento no pré-sal requer capital adicional – subscrição em vista
B) Pré-sal – quando vai produzir petróleo e lucro?
C) Carro elétrico vem aí. O consumo de petróleo pode diminuir bastante quando o pré-sal começar a produzir


Construção e infra-estrutura aumentam as vendas dos produtos siderúrgicos e de minérios. Os preços, na média, se ajustam (agora é trimestralmente) para cima. Os preços de petróleo são imprevisíveis, os contratos (spot e futuro) flutuam diariamente nas bolsas de Londres e N.Y. de acordo com a procura e a oferta mundiais. Não vamos esquecer o fator OPEP, que abre e fecha a torneira.
Diante desta análise, acho que o crescimento no lucro da Vale é mais assegurado que o da Petrobrás. É aconselhável ter maior peso em Vale do que em Petrobrás no seu portfólio de investimento

terça-feira, 27 de abril de 2010

A Eleição e a Bolsa


A Bloomberg Business Week (fev. 2010) publicou um relatório interessante sobre a eleição presidencial americana e o índice Dow Jones.

Presidente/Data Inauguração/ Performance Dow Jones no primeiro ano da presidência

Franklin Roosevelt (D)/4 de março 1933/+ 96,5%
Harry Truman (D)/12 de abril 1945/+30,9%
Barack Obama (D)/20 de Janeiro 2009/+29,5%
Lyndon Johnson (D)/22 de novembro 1963/+21,6%
George Bush(R)/20 de janeiro de 1989/+19,6%
George W. Bush (R) 20 de janeiro de 2001/-7,7%
Ronald Reagan (R) 20 de janeiro 1981/-12,7%
Herbert Hoover (R) 4 de março 1929/-15,6%
Richard Nixon (R) 20 de janeiro 1969/-17%
Jimmy Carter (D) 20 de janeiro 1977/-19,6%

D = Democrata
R = Republicano

O Dow Jones subiu em 80% das vezes, no primeiro ano do mandato, quando o presidente eleito era um democrata; e caiu 80% das vezes, no primeiro ano do mandato, quando o eleito era um republicano. A média de oscilação do Dow Jones no primeiro ano de presidência foi de +24% para democratas e -1% para republicanos.
Mera coincidência?
Roosevelt e Obama foram eleitos quando a economia estava no fundo da recessão e depressão, e o povo estava sofrendo os efeitos do desemprego. A vitória de um democrata deu esperança de melhoria e o Dow Jones subiu de acordo com isso. Roosevelt estimulou o consumo com juro baixo, prestação e financiamento para automóveis e casas. Obama segue o mesmo caminho do keynesianismo.
A eleição presidencial no Brasil no fim deste ano poderia afetar a performance da Bovespa em 2011? Comentários são bem-vindos.

terça-feira, 20 de abril de 2010

CAD$

No fim do primeiro trimestre deste ano, o dólar canadense já estava ao par com o dólar. O fortalecimento do dólar canadense reflete um sistema de economia tranqüila, o mercado imobiliário valorizando e os bancos sólidos.
Se o investidor já diversificou seu portfolio em real, dólar, euro, não deve esquecer de incluir o dólar canadense.
O Sovereign Bond, do governo canadense, com vencimento em 01.06.2012, S&P Rating AAA, juro de 5,25%, ao preço de 111,93 em 07.01.2009, tinha um rendimento (yield) de apenas 1,6%. Mas na época, o CAD$ valia US$ 0,85. A compra de Sovereign Bond não visava tanto o juro quanto a valorização da moeda (a currency play).
Agora, se você acha que já é tarde demais para comprar CAD$, talvez possa estudar a compra de dólar australiano. O Aussi$ estava cotado a US$ 0,9285 em 9 de abril de 2010 e pode chegar ao par com o US$. O bond australiano de 10 anos tem rendimento de 5,79%.
Não compro bond grego, mesmo que o bond (como outros junk bonds) esteja com o preço “barato” e rendimento alto para compensar o risco.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lições do Canadá

A economia do Canadá normalmente anda junto com a economia dos Estados Unidos. Mas agora o mercado imobiliário caminha por um trilho diferente do americano. Em janeiro, o preço médio de uma casa em Toronto foi de US$ 392.000, um pulo de 19% em relação há um ano. Na área mais nobre de Vancouver, um “condo” com um dormitório foi anunciado por US$ 575.000. E aumentos de preços são previstos para todas as províncias do país.
A razão é simples: a regulação dos bancos. Os bancos canadenses são supervisionados e proibidos de se endividar para financiar imóveis. Eles não financiam para quem não provar que tem renda suficiente para a compra de imóveis. A prática do “no-money-down” (sem entrada) é efetivamente banida. A legislação também ajuda. Os juros de mortgage não são dedutíveis do imposto de renda. E para os inadimplentes, os bancos podem executar os outros bens além da casa financiada (nos Estados Unidos, quando o valor do mercado da casa cai abaixo do valor do financiamento, o devedor envia a chave para o banco pelo correio e simplesmente “walk away”).
Todos estes fatores tornam o financiamento imobiliário um negócio de baixo risco. Os bancos canadenses ficam com os mortgages em vez de empacotar e revendê-los. O financiamento cuidadoso leva ao lucro que leva a mais financiamento – um círculo virtuoso.
Os banqueiros canadenses ganharam a admiração de Obama, de Paul Volcker e do economista Paul Krugman. Não basta “amar seu vizinho”, os Estados Unidos têm que aprender com ele também.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A revalorização do Yuan

Nos últimos anos os Estados Unidos vêm pedindo e tentando persuadir a China a revalorizar a sua moeda, o yuan, a fim de reequilibrar o comércio bilateral dos dois países. O yuan subvalorizado torna os produtos chineses baratos, estimulando a exportação, e torna os produtos americanos caros, incentivando a importação. Além de se sentir mais pobre diante do déficit comercial perpétuo que atingiu quase um trilhão de dólares, os americanos perdem os empregos para os chineses.
O governo chinês não diz sim nem não sobre a revalorização. Só diz que está pensando, analisando. Enquanto o mundo espera pela revalorização, a China pode estar longe de pensar no assunto.
Existem alternativas?
Para diminuir o superávit, a China pode optar pelo aumento de salários do povo ao invés da revalorização da moeda. Se subir o salário, a exportação diminui. Salário mais alto eleva o nível de vida desde que isso não cause inflação acelerada.
A China também pode estar estudando a interiorização de consumo. Em vez de ganhar mais divisas exportando para o exterior, vai encaminhar os produtos para o consumo popular no interior, beneficiando as áreas rurais.
A meu ver, a melhor solução seria o “free float” da moeda, ou seja, taxa de câmbio determinada pelo mercado, não pelo governo. Mas o regime atual – capitalismo sob controle do governo – quer controle sobre tudo, e a moeda em primeiro lugar. Neste momento, “free float” seria apenas um sonho.
No Brasil, o real é teoricamente uma moeda de “free float”, determinado pelo mercado. Mas de vez em quando o Banco Central mete a mão também. O governo julgou a taxa de câmbio de R$ 1,70 por dólar prejudicial à exportação, o Banco Central comprou dólar para impedir mais valorização do real. A Suíça e a Inglaterra não participam da União Européia porque cada país quer ser dono de sua própria moeda (não deixa o default da Grécia afetar diretamente o seu destino).

terça-feira, 30 de março de 2010

A dívida americana

Apesar da taxa de juro estar em patamar historicamente baixo o governo americano continua vendendo os papéis do Tesouro (bills, notes, bonds) sem problema algum. Mas com a dívida federal projetada para igualar o GDP anual em 2011/2012, os investidores podem repentinamente perder a confiança na América e demandar juros mais altos para compensar os riscos.
Se o governo tem que pagar juros mais altos para financiar o seu déficit, ele tem que cortar gastos ou aumentar impostos (como a Grécia ultimamente). A primeira solução é politicamente impopular; a segunda fere a confiança do mercado. Se o mercado concluir que o governo não tem determinação firme em cortar o seu déficit, o mercado pode entrar em pânico, puxar a taxa de juros mais para cima e o governo arcar com mais pagamentos de juros, aumentar mais o déficit, num ciclo vicioso e perigoso.
Cortar gastos não é uma tarefa fácil, enquanto a economia não consegue absorver a grande massa de desempregados. Historicamente os economistas acham que as economias de primeiro mundo decrescem notadamente quando a dívida (em percentual do GDP) excede 90%. O limite para os Estados Unidos pode ser mais do que 90%, permitindo que o país respire mais alguns anos.
Dois economistas americanos mais otimistas enxergam alguma “virtude” na inflação, argumentando que a inflação dilui o valor real da dívida do governo. Absurdo? Talvez não, mas é arriscado. Os investidores do mundo podem cair fora se sentirem que o governo deixou a inflação subir de propósito. A globalização faz a transferência de dinheiro para outros países bem mais fácil do que há 50 anos. Como a crise financeira tem demonstrado, as coisas podem cair rapidamente no abismo.

terça-feira, 23 de março de 2010

Cortar o “déficit”

Quando o paciente está na UTI não é recomendado fechar o tubo de oxigênio. Mas isso é exatamente o que os governos da Europa serão forçados a fazer. A economia da região contraiu 4,1% no ano passado, e a projeção para crescimento é de somente 0,7% para 2010 mesmo com o efeito de estímulos. Com as dívidas dos governos crescendo, e Grécia e Irlanda perto de um “default”, os dirigentes da Europa têm que cortar um pouco de oxigênio, arriscando uma recessão.
A dívida, como percentagem do GDP, na União Européia, pulou de 60%, em 2007, para 80% este ano (embora menor que os 89% dos Estados Unidos). Para 2010, a soma dos “déficits” dos governos europeus vai atingir 6,7% do GDP, mais do que o dobro dos 3% limitados pela legislação européia. Grécia, Inglaterra, Letônia e Espanha, o déficit em 2010 chegará a 10%.
Para reduzir os déficits, os governos devem aumentar impostos, reduzir gastos de infra-estrutura e cortar os salários dos funcionários públicos.
Irlanda, apesar da contração da economia, de 7,5% no ano passado, cortou $ 5.8 bilhões de seu orçamento de $ 87 bilhões para 2010, incluindo menor benefício de desemprego, redução de subsídio para famílias com crianças e corte de salários de 5% a 15% para funcionários públicos. Grécia quer poupar $ 6.5 bilhões congelando salários, aumentando impostos prediais e elevando impostos sobre cigarros e bebidas em 20%. Greves já são planejadas na Grécia, trabalhadores da Espanha protestam e irlandeses estão na rua contra os cortes. “Salários diminuem $360 por mês, e novos impostos aumentam $500 por mês”, disse um cidadão irlandês, “nos últimos quatro meses estava procurando novos sapatos, agora tenho de caminhar descalço”.

terça-feira, 16 de março de 2010

Novas Fronteiras

Após os lançamentos dos ETFs (Exchange Traded Funds) dos mercados emergentes Brasil, Rússia, Índia e China (Bric), os administradores de investimentos estão inventando ETFs dos mercados Novas Fronteiras. Esses mercados são de países menores, menos líquidos e com maior risco.

ETF/Retorno 2009/Portfólio

Eastern European Equity (VEEEX)/79%/9% em Rosneft Petróleo, Rússia

Fidelity Emerging Europe, Middle East, África (FEMEX)/56%/MTN Telecom, África do Sul;
CEZ Utility, Czech; Teva Pharmaceutical, Israel

Templeton Frontier (TFMAX)/43%/50% em África e Middle East; 50% em Ásia e Europa; Oriental;

Morgan Stanley Frontier (FFD)/25%/68% em África e Middle East; 25% em Qatar e United Arab Emirates

Wisdom Tree Middle East Dividend (GULF)/7%/56 ações, todas em Middle East, cash dividend;
2/3 em companhias financeiras e telecons

Essas raridades dos mercados Novas Fronteiras são apenas estudos acadêmicos. Eu não colocaria um tostão. Para mim ainda é interessante investir nos mercados emergentes (BRIC), principalmente no Brasil.
Quem sabe daqui a alguns anos, os mercados BRIC ficarão “saturados” e os mercados Novas Fronteiras avançarão com vigor e substituirão os mercados BRIC como os preferidos dos investidores. Mas não acho que isso vá acontecer na minha geração.

terça-feira, 9 de março de 2010

O próximo passo do FED

Por mais de um ano os bancos centrais do mundo mantêm a economia mundial respirando, injetando quantidade massiva de liquidez no sistema financeiro mundial. A dívida pública americana subiu para 7,7 trilhões, de 6,4 tri um ano atrás, e de 5 tri em 2007.
O juro continua baixo. O contrato futuro de dezembro de 2010 (que é um guia da expectativa sobre o custo do dinheiro de três meses no fim do ano) indica a taxa de 1.4%, 1% mais baixa do que em agosto de 2009. O contrato de euro para dezembro de 2010 reduziu de 2.6% em setembro de 2009 para 1.7% em janeiro de 2010. A versão em libra caiu de 2.4%, há dois meses, para 1.9%.
O mercado especula sobre a continuação do juro baixo, embora o mercado de ações sugira uma recuperação da economia mundial. Uma pesquisa recente entre economistas da Bloomberg indica que o FED não vai aumentar a taxa de juro até o terceiro trimestre de 2010.
O risco de erro no “timing” é considerável. Se o FED abandonar o juro zero cedo demais, ele poderia arruinar uma recuperação que já está abaixo da previsão, com crescimento de GDP de 2,2% no 3° trimestre, menor do que os 2,8% de expansão anteriormente projetada. Tarde demais, “cheap money” poderia criar inflação e novos “assets bubbles” que inicialmente conduziram à crise de crédito. A estória se repete!
O desafio de mudança da política monetária é o “timing” perfeito, que, em si já é uma tarefa dificílima. Ainda mais se o Congresso quer mexer com o FED (ver artigo anterior deste blog).
Um paralelo: o marido já tem uma vida difícil ganhando o pão de cada dia. E se a mulher se meter, mexer e criticar a toda hora tudo o que ele fala e faz, a vida fica insuportável. Coitado do Bernanke, e coitados dos maridos do mundo!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Não mexer com o FED

A função primária do Federal Reserve (FED) é conduzir a política monetária: dosar a taxa de juro para evitar recessão ou inflação, diminuir o desemprego e criar prosperidade. Mas ultimamente, o Congresso americano, impaciente e insatisfeito com a taxa de desemprego (manobra política) começa a desafiar a autoridade e independência do FED em conduzir a política monetária. Se o FED resolver adotar o aperto monetário diante da alta taxa de desemprego, os deputados querem que a decisão do FED fique sujeito à aprovação e auditoria do Congresso.
Alan Greenspan descreveu no seu livro “The age of turbulance” alguns episódios interessantes. Clinton sempre quis mexer um pouco com ele, expressou seu ponto de vista de manter o juro baixo, 10 meses antes de uma eleição presidencial. O melhor foi Reagan. Numa reunião no jato presidencial, Greenspan quis explicar para Reagan a sua política monetária, mas Reagan nem quis saber. Ele só contava piadas e Greenspan nem teve chance de falar.
Embora eu seja um democrata por convicção, neste caso sou mais a favor de Reagan do que Clinton. Reagan pode e deve relaxar num jato presidencial, com todas as mordomias, inclusive contar piadas e deixar os secretários de Estado (ministros) e o chairman do FED executar seus mandatos. Isso é “delegação de poder”.
No final, o segundo mandato de Bernanke como chairman do FED foi aprovado pelo Congresso. Aprovação significa confiança. Sem confiança e sem independência, Bernanke não consegue pensar e trabalhar, e o FED não funciona. Por enquanto, a inflação americana está sob controle. Mas mais adiante, a credibilidade do FED como lutador contra a inflação pode sofrer se o Congresso exercer controle sobre a política monetária.