terça-feira, 16 de novembro de 2010

“Parcele a sua fatura!”

O Banco Itaú Uniclass me enviou o extrato da conta do Mastercard no valor de R$ 4.775,00 que foi debitado na minha conta corrente no dia 29/10/2010.
O banco também anexou uma folha intitulada “Parcele a sua fatura!” – Você pode contar conosco para parcelar a sua fatura de 29/10/2010 em 12 parcelas de R$ 727,10.

Confira as vantagens do parcelamento da fatura:

Você pode escolher os valores e o número de parcelas conforme os planos disponíveis

Parcelas que cabem no seu bolso

Fica sabendo quanto vai pagar por mês e por quanto tempo

E o melhor é que você pode continuar utilizando o seu cartão, pois o limite de crédito será recomposto a medida que as parcelas forem pagas.

O pior é que quem parcela a sua fatura não tem noção de matemática.

12 X 727,10 = 8.725,20 / 4.775,00 = 1,827 ou 82,7% de juro anual

Esse seria o juro anual se o pagamento for “após 12 meses”.

Mas como o pagamento é em 12 parcelas, o prazo médio é de seis meses. Portanto o juro de 82,7% é semestral. Qual a taxa de juro anualizada?

A taxa de juro anualizada é

1,827 X 1,827 = 333,8%

Convidar ou induzir seus clientes a pagar esta taxa de juro anualizada é bastante negativo para a imagem do banco.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

AMBEV – split 5 X 1

AMBEV anunciou, na AGE de 17/12/2010, que vai “deliberar sobre proposta de desdobramento das ações de emissão da companhia por meio do qual cada ação ordinária e cada ação preferencial de emissão da companhia passará a ser representada por 5 ações ordinárias e 5 ações preferenciais, respectivamente, após o desdobramento, sem qualquer alteração do montante financeiro do capital social da companhia.”

Conforme proposta da Administração “... as ações decorrentes do desdobramento serão da mesma espécie e conferirão aos seus titulares – incluindo detentores de American Depositary Receipts (ADRs) negociados na NYSE – os mesmos direitos das ações que já possuíam, inclusive dividendos, juros sobre capital próprio e eventuais remunerações de capital que vierem a ser aprovados pela companhia”.

Em linguagem mais simples: AMBEV vai fazer um “split” das suas ações na proporção de 5 X 1, inclusive as ADRs.

Segundo a empresa: “o desdobramento de ações ora proposto tem como objetivo o reposicionamento de preços das ações da companhia no mercado de forma a manter a atratividade das ações da companhia para investidores, além de potencialmente aumentar a liquidez das ações no mercado”.

As minhas observações:

a) os preços atuais da AMBEV, ON, PN, e ADRs são cotadas em 3 dígitos. Os preços após o “split” ficarão mais acessíveis para os investidores
b) a medida favorece mais as ações ON. A discrepância de preços entre ON e PN é supostamente devido à menor liquidez da ON comparada com a PN
c) no caso de Vale e Petrobrás, os preços ON superam a PN em mais de 10%. Porque a ON de AMBEV tem que sofrer um deságio de 17% em relação à PN?
d) AMBEV divulgou um aumento de lucro de 47% no 3º trimestre, comparado com o mesmo trimestre do ano passado
e) para mim, AMBEV e Souza Cruz, os dois papéis de vício, são as melhores ações do nosso mercado. Um dia, estas duas companhias poderão fazer um acordo de “strategic marketing” e distribuir os seus produtos juntos nas mesmas caminhonetes, traçando os mesmos roteiros, para os mesmos clientes, as bodegas, bares e mercearias em todo o território nacional.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dívida em dólar ou real

Durante o mês de setembro de 2010, diversas empresas brasileiras lançaram debêntures (bonds) em dólar, pagando juros baixos e depois aplicaram os reais no Brasil, rendendo juros altos. Por exemplo:

Braskem lançou US$ 450 milhões em bônus perpétuo. OSX
obteve empréstimo sindicalizado internacional de US$ 420 milhões. E o Banco do Brasil vai fazer uma captação de US$ 600 milhões em notas subordinadas de 10 anos.

Todas estas movimentações de contrair dívidas em dólar e aplicar em real causaram valorização excessiva do real que chegou a 1,64 por dólar em meados de outubro.

Moeda supervalorizada diminui as exportações e aumenta as importações, criando déficit comercial e desemprego. Nenhum país quer supervalorizar a sua moeda. Nem a China, muito menos o Brasil em ano eleitoral.

Em 19 de outubro, o governo brasileiro anunciou a elevação, de 4% para 6%, da tributação de aplicações de estrangeiros em ativos de renda fixa. O real desvalorizou 1,26%. A Bovespa caiu 2,6%, ficando abaixo de 70.000 pontos.

Endividar-se em dólar (embora com juros baixos) não deixa de ser um risco cambial. O real desvalorizou-se 31%, de 1,60, em junho de 2008, para 2,33 no final daquele ano, e quase quebrou a Sadia e outras empresas exportadoras que venderam contratos futuros de dólar, obtendo real para aplicações financeiras.

Todo mundo se endivida, um país, uma empresa, ou um indivíduo. Ao endividar-se em dólar ou euro, o risco cambial é imprevisível. Ao endividar-se em real, o indivíduo se afunda e se afoga, moralmente e financeiramente, com o juro daquele tamanho!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A vida sem celular

Quando o celular toca você interrompe seu trabalho para atendê-lo. Um dentista interrompe o tratamento de canal enquanto o paciente atende seu celular. Uma pesquisa da Advertising Age revela que 15% dos americanos interrompem sexo para atender o celular.
Eu não tenho, e nunca tive um celular. Acho um incômodo carregar o aparelho no bolso, de dia, e na tomada, à noite. Quem quer se comunicar comigo liga para o meu telefone antes das 10h ou após as 18h. Quando estou ocupado, digo: “ligo de volta daqui a 15 minutos”, em vez de “me ligue daqui a 15 minutos”. O outro lado espera a minha chamada, eu não fico esperando a chamada dele (que muitas vezes não vem).
Melhor ainda, a conversação pode ser substituída pelo e-mail. Aí, eu escolho o momento conveniente para ler a mensagem.
O telefone celular distrai. No cinema, na reunião, em conferências, celulares são proibidos. Uma professora da Universidade do Colorado disse que “não atendo chamadas quando estou brincando com a minha filha, dando a ela a mensagem de que ela é menos importante do que a pessoa que está telefonando”.
Muita gente não quer perder seu tempo precioso com o celular. Warren Buffet não tem um celular, nem Mikhail Prokhorov, o bilionário russo. Para eles e outros, não ter um celular elimina a distração e aumenta a eficiência.
A maioria das conversas pelo celular entre os jovens trata de assuntos triviais. Assuntos importantes são tratados, e até idéias novas podem nascer, de uma conversa “face a face”, com o celular desligado.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Prêmio Nobel da Paz

Em 8 de outubro de 2010, The Royal Academy of Science, Oslo, Noruega, anunciou o Prêmio Nobel da Paz, concedido a Liu Xiaobo, um ativista chinês condenado no ano passado a 11 anos de prisão e preso em Beijing por suas proclamações contra o governo e reinvidicações de democracia e dos direitos humanos.
O governo chinês ficou indignado com a provocação da Noruega. A mídia mundial divulgou a notícia na televisão, internet e nas primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro.
O mundo especula: o que vai acontecer agora?
A Noruega não pode retroceder. Nem a China.
Permita-me oferecer uma solução. Entra em cena o Brasil.
O Presidente Lula se dá bem com o terceiro mundo. Enquanto Obama encoraja o diálogo entre Israel e a Palestina, Lula intermedia com o Irã uma solução para o urânio para fim pacífico e não nuclear. Lula pode exercer sua boa diplomacia e chegar a um entendimento com os dirigentes chineses nos seguintes termos:
“O Brasil concede cidadania a Liu Xiaobo e sua família com a condição de que ele não provoque conflito com a propagação da democracia e dos direitos humanos”.
Simultaneamente, o governo chinês divulga:
“Atendendo ao pedido do governo brasileiro, a autoridade do governo chinês expulsa Liu Xiaobo do território chinês”.
Os chineses gostam do vocabulário: autoridade, expulsa.
Assim sendo, cada um ganha a sua fatia do bolo. O governo chinês expulsa um dissidente. Lula ganha reconhecimento mundial pela sua diplomacia. O premiado do Nobel da Paz pode viver em paz, no Brasil, com seus 1,6 milhão de dólares, escrevendo sua biografia e tomando seu copo de caipirinha.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rota da Seda

Como os Estados Unidos estão saindo da recessão, os investidores americanos não sabem de onde virá o próximo passo para o crescimento. Talvez eles devessem falar com Rubens Bisi, Diretor de Operações Internacionais da Marcopolo, o maior fabricante de ônibus do Brasil. Com as vendas crescendo 47% este ano, os ônibus Marcopolo cruzam as ruas e estradas da Argentina, Colômbia, México, Egito, Índia, China e África do Sul, onde foram vendidos 460 ônibus para a Copa do Mundo.
Stephen King, Economista Chefe do HSBC, disse que a Marcopolo lidera uma nova “rota da seda”, uma versão do 21º centenário de uma rota de comércio que há 2 mil anos ligava o comércio da China com a Índia, Arábia e o Império Romano. A nova rota da seda converge consumidores e companhias globalmente na América Latina, Arábia, Ásia e África, criando
$ 2,8 trilhões de comércio de acordo com a Organização Mundial de Comércio (WTO).
Os mercados emergentes crescerão neste ano e no próximo, três vezes mais rápido do que os países desenvolvidos. Os mercados emergentes, com os comércios ligados entre si, são protegidos das piores devassas do mundo desenvolvido. WTO estima que o comércio “intra-emergentes” cresceram 18% entre 2000 e 2008, bem mais do que o comércio entre as nações emergentes e as desenvolvidas.
Enquanto os países desenvolvidos procuram achar seus lugares na nova rota da seda, o jogador de peso é a China. A exportação da China para o mundo emergente ocupava 9,5% do GDP em 2008, comparado com 2% em 1985. No mês passado, Saudi Railways Organization comprou 10 locomotivas da China South Locomotive & Rolling Stork. Mecca-Medina Rail contratou a China Railway Group, de Beijing. Huawei Technologies, a maior fabricante de equipamentos telefônicos, investiu $ 500 milhões num centro de pesquisa em Bangalore. China Mobile, a maior companhia telefônica, vai investir na África.
Índia e Brasil avançam também. Tata Group era o maior investidor na África sub-sahara nos seis anos até 2009. Vale do Rio Doce investiu em três projetos de cobre na Zâmbia e Congo. Em abril a Vale concordou em pagar
$ 2,5 bilhões por uma mina de ferro na Guinea.
Os negócios sempre foram tratados em dólar e euro, mesmo quando os Estados Unidos ou a Europa não estavam envolvidos. Hoje as companhias dos mercados emergentes estão mais dispostas a aceitar real, rupee e Yuan. “Se as economias dos países emergentes continuam a prosperar”, disse Kieram Curtis, consultor de investimento em Londres, “há potencial de mais apreciação das moedas contra as moedas da velha guarda.”
Com o comércio aquecido, vem a concorrência. Embraer, Empresa Brasileira da Aeronáutica, com um terço dos pedidos vindos dos clientes de mercados emergentes, comparado com 1% em 2005, está enfrentando a luta com Sukhoi, da Rússia e Comercial Aircraft Corp., da China. O tráfico na Rota da Seda está cada vez mais congestionado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Petrobrás – Subscrição

No dia 24/9/2010, fui informado pelo meu corretor que o rateio da subscrição de Petrobrás PN foi de 45,7% e o preço de subscrição é de R$ 26,30 por ação. Portanto, o meu pedido de subscrição foi de R$ 200.000,00 X 45,7% = R$ 91.400,00/R$26,30 = 3.475 ações. O pagamento será em 28 de setembro. Assunto encerrado.
Do início do ano até a data da subscrição, Petrobrás PN caiu 25%. Como não tenho o papel na minha carteira, achei interessante participar da subscrição. Como não se sabe o preço e a quantidade antecipadamente, a subscrição é um tiro no escuro. Presume-se que o preço seria menor do que o de mercado. Se não fosse, todo mundo compraria no mercado. A quantidade não se discute. Rateio é rateio.
No primeiro dia de negociação, o papel caiu 1,86%, para 26,30, empatando com o preço da subscrição. Acho que o preço não cai abaixo deste nível. Os subscritores não querem realizar prejuízo tão cedo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O mistério da Jereissati S.A.

Há 10 anos eu e meus filhos compramos um ponto de 100 metros quadrados no Shopping Iguatemi em Porto Alegre. Vendíamos artigos de vestuário de moda jovem, uma franquia da TKTS, de São Paulo.
No mesmo shopping havia um ponto de 200 metros quadrados para venda. O dono do ponto pedia o equivalente a 500 mil dólares.
Eu descobri que a dona e administradora do Shopping Iguatemi, a La Fonte Participações S.A. era uma empresa de capital aberto. O valor da ação cotada na Bovespa X nº de ações existentes equivalia a 1 milhão de dólares. Achei o preço da ação baratíssimo, comparado com um ponto de 200 metros quadrados que estava a venda por 500 mil dólares. Gastei US$ 10 mil para comprar 1% do capital total da empresa.
O investimento de US$ 10 mil mais as subscrições subseqüentes teve uma grande valorização. Lamentei não ter vendido toda a posição, pois apenas realizei lucro sobre uma parte da minha posição.
A La Fonte Participações, junto com construtores e fundos de pensão, comprou o controle da Telemar no leilão de privatização da Telebrás. Carlos Jereissati foi eleito presidente da Telemar. A La Fonte mudou o nome para Jereissati S.A. A empresa continua a ter o controle do Shopping Iguatemi (São Paulo, Porto Alegre, Rio, e ultimamente, Brasília), e ao mesmo tempo é controladora da Telemar.
Cogitou-se um “split” da empresa em dois setores distintos: shopping e telecomunicação; os acionistas ficariam com uma ação do Shopping Iguatemi e uma ação da Telemar. Há expectativa de que um dia isso ainda venha a acontecer.
Em 18/02/2010, o papel MLFT4 subiu 48%. No dia seguinte liguei para o Diretor de Relações com o Mercado para saber o que acontera. Ele disse que a CVM tinha acabado de ligar também para saber o motivo da alta. Perguntei se era boato ou notícia sobre o split. Ele respondeu que não havia notícia de split e que também não sabia o motivo da alta vertiginosa. Imediatamente mandei vender todas as minhas ações da MLFT4. Foi um dia nervoso, mas foi um belo dia.
Até hoje o mistério permanece. Se alguém conseguir uma explicação, por favor escreva no meu blog.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Realizar lucro e prejuízo

Investidores (e especuladores) sempre são rápidos em realizar lucros. “Nunca se machuca realizando lucro”, exceto quando o papel continua subindo após a venda. Não adianta chorar. Minha filosofia é que você nunca vai conseguir vender no topo. Desde que você esteja satisfeito com o lucro, venda. Se subir mais, deixe os outros ganharem um pouco.
A decisão de realizar prejuízo, porém, é bem mais difícil e angustiante. Tentar evitar prejuízo pode acabar levando a prejuízo maior mais adiante. O conselho das corretoras é limitar o prejuízo colocando um “stop loss” de 25% abaixo do preço de compra. Quando se compra uma ação a R$ 40, é dada uma ordem de venda quando o papel cair para R$ 30, limitando o prejuízo em 25%. Mas, muitas vezes, após sua venda desastrosa, o papel se recupera. Aí você chora mais alto, e bate sua cabeça na parede!
Eu, como investidor, não uso a tática do “stop loss”. Antes de comprar uma ação, estudo bem os fundamentos: o ramo do negócio, preço/lucro, política monetária do governo, etc. Uma vez comprada, deixo a ação no meu portfólio indefinidamente (como faz Warren Buffet).
No meu próximo artigo, vou contar uma estória sobre a Jereissati S. A. (MLFT4), antigamente denominada La Fonte Participações, que segurei por mais de 10 anos, passando pelas mudanças da nossa moeda nacional: cruzeiro, cruzado e real, sem nunca ter colocado uma ordem de “stop loss”.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Opções de Investimento

Suponhamos que você tenha cash de R$ 175.000 no Brasil (equivalente a US$ 100.000) e mais US$ 100.000 no exterior, as opções de investimento são as seguintes:

A) investir R$ 175.000 em ações da Bovespa e deixar US$ no exterior rendendo no money market, com juro de 2% ao ano;
B) comprar CDI, CDB ou Fundo de Renda Fixa, rendendo juro de 8,5% ao ano (líquido, já deduzido o imposto de renda de 15%); e investir US$ 100.000 em ações brasileiras (ADR);

A opção B é mais vantajosa:
1) rendimento de juro em real é 6,5% a.a. superior ao rendimento do money market ou U.S. Treasury Bills de curto prazo;
2) ADR (cotação na Bovespa dividida pela taxa de câmbio) oscila em consonância com a cotação das ações na Bovespa sem vantagem nem desvantagem, porém -
3) ADR não paga imposto de renda de 15% sobre o lucro obtido (na Bovespa, o lucro realizado é sujeito a IR de 15%, pagável no mês seguinte)
4) ADR brasileira não paga imposto de 30% sobre os dividendos, enquanto os dividendos das ações americanas são sujeitas a “withholdind tax” de 30%, quando o titular não é cidadão americano.

Mais um esclarecimento.

Tenho um amigo, investidor brasileiro, que acha que a ADR é mais volátil do que a mesma ação na Bovespa. Como a ADR é composta da cotação da ação na Bovespa mais o fator câmbio, ele acha que quando o mercado sobe e o real valoriza, o investidor em ADR ganha duplamente, e quando o mercado cai e o real desvaloriza, o investidor perde duplamente. O fato é que quando o real desvaloriza, não somente a ADR perde, a ação na Bovespa perde igualmente, medida em dólar. Se o seu patrimônio for calculado em dólar, quando o real se desvaloriza, a sua casa, o seu automóvel também se depreciam.

O real deve manter uma estabilidade entre R$ 1,70 a R$ 1,90 até o final de 2010. Se Dilma for eleita, a política econômica deve seguir a mesma linha do governo Lula. Vamos rezar para que o déficit como percentagem do GDP diminua ou se mantenha estável, que o juro caia, que o nível de desemprego não se deteriore e que o real não sofra depreciação drástica. Afinal de contas todo o meu patrimônio está em real, a moeda do Brasil.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Wheel-chair (cadeira de rodas)

Quando vejo uma cadeira de rodas passando por mim em Porto Alegre não presto muita atenção. Penso que é uma coisa para velhos coitados. Nesta viagem para a Europa descobri as virtudes da cadeira de rodas.
Eu e minha esposa não somos mais jovens. Às vezes temos dor de coluna, dor nos pés, sentimos cansaço caminhando quilômetros nos aeroportos internacionais.
Desta vez contratamos (no momento da compra da passagem aérea) cadeira de rodas para os embarques e desembarques nos aeroportos.
Para vôos internacionais devemos chegar nos aeroportos duas horas antes da saída do vôo. Esperávamos a chegada da cadeira de rodas e o atendente puxava a minha esposa até o balcão do check-in. Check-in com uma pessoa em cadeira de rodas tem preferência no atendimento. Na vistoria de raio X e do passaporte também. Não se entra em fila nunca. Que mordomia, que privilégio!
A grande invenção da humanidade não foi a roda, foi a cadeira de roda!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Fjordes da Noruega, Madrid e Lisboa

Fizemos um cruzeiro no Queen Mary II, da Cunard Lines, para conhecer os fjordes da Noruega. Escolhemos o mês de julho para poder ver o sol da meia noite. Tudo percorreu perfeito exceto que com o tempo nublado, não conseguimos ver o sol, nem da meia noite, nem de dia. Navegamos entre as montanhas e fizemos quatro paradas: Alesund, Geiranger, Fläm e Bergen. Cada vilarejo é mais lindo que o outro.
Após desembarcar em Southampton, um carro contratado nos levou para o aeroporto Heathrow, em Londres, para um vôo com destino a Madrid. Para o percurso de 90 minutos, o motorista cobrou 200 libras esterlinas.
Em Madrid fizemos sighseeing num ônibus turístico de dois andares, o hop-on e hop-off. A gravação, que se escutava com earphones individuais, descrevia cada prédio e monumento de relevância histórica. É a maneira mais completa e barata de se conhecer uma cidade inteira.
Depois passamos quatro noites em Lisboa. Um dia fomos visitar o Oceanário de Lisboa, que achei lindíssimo e imperdível. No dia seguinte fizemos um tour para o interior, para Sintra, Cascais, Estoril, Óbidos e Fátima, onde um padre fez uma oração e os fiéis acenderam velas.
Visitamos Óbidos, uma cidade turística, que é mais linda do que a gente pode imaginar. A rua principal é estreita e de pedra, com lojas de souvenirs e cafés, com árvores repletas de lindas flores e pássaros alimentando seus filhotes. O por do sol dava o sinal de que estava na hora de voltar a Lisboa.
O passeio levou onze horas. O motorista (que dirigia um Mercedes) cobrou 200 euros (comparado com as 200 libras que o motorista da Inglaterra cobrou por uma hora e meia de serviço).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fumar ou não fumar

Eu fumei meu primeiro cigarro no dia da formatura da faculdade, fumo até hoje e não tenho intenção de parar.
No verão, uma hora antes do jantar, na varanda de casa, escutando ópera, apreciando o pôr do sol no Rio Guaíba, tomo uma taça de vinho e fumo um cigarro. É o meu “happy hour”.
Um artigo da Businessweek, de maio de 2010, “The Secret Cult of Office Smokers” descreve como o “smoking” cultiva amizades e proporciona avanços na carreira. Os fumantes dos escritórios descem de elevador para o andar térreo, e num canto de uma área ao ar livre (uma espécie de fumódromo) fumam e conversam uns com os outros. Um jovem e um senhor mais idoso descobriram que trabalhavam para a mesma empresa, mas em departamentos diferentes. O mais idoso convidou o jovem para uma visita ao seu escritório onde ele era o chefe de Recursos Humanos. Posteriormente o jovem foi trabalhar com ele, com um upgrade de cargo e um aumento de salário.
Tenho uma experiência pessoal também. O representante da Embaixada da China veio para uma visita em Porto Alegre. Em uma reunião com a diretoria da minha empresa ele sentou ao meu lado. Após uma hora de conversa e palestra, senti que ele estava um pouco nervoso. Ofereci um cigarro a ele, e nunca vi um sorriso daquele tamanho. Na visita a fábrica e durante o almoço, ele ficou colado ao meu lado. Ele disse que estava à minha disposição na Embaixada da China em Brasília, para qualquer coisa, um visto para a China, imigração de um parente chinês para o Brasil, bastava falar com ele.
Um cigarro, às vezes, faz amizades e abre uma porta.

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Estarei em férias, na Europa, na segunda quinzena de julho e início de agosto.

O próximo artigo será postado a partir da segunda quinzena de agosto.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Copa

Hoje não vou falar sobre a bolsa. Vou comentar sobre a Copa.
O Brasil perdeu para a Holanda. A gente não pode ganhar sempre. Até logo Dunga, até logo Brasil. Até 2014. A esperança é a última que morre.
O Uruguai ganhou de Gana. É uma consolação ver a vitória do vizinho.
O Paraguai perdeu para a Espanha. Sempre gosto de assistir os jogos do Barcelona e do Real Madrid. Os jogadores, Sérgio Ramos, Pujol e outros são os melhores do mundo. O Paraguai jogou com coragem e perdeu com dignidade.
A Argentina perdeu para a Alemanha de 4 X 0 . Madonna cantou a serenata para Maradona: “Don’t cry for me, Argentina”.
Um elogio final para Nelson Mandela e o povo da África do Sul. A Copa 2010 foi bem organizada, o que serve com exemplo para a Copa 2014 no Brasil.

terça-feira, 29 de junho de 2010

As opções de investimento na China

Um investidor americano, além de investir em ações de seu país, em imóveis, em poupança ou em papéis do U.S. Treasury, pode escolher ações internacionais, ouro, debêntures municipais, e até investimento em outras moedas.
Na China, o menu de investimento é mais limitado. O regulamento financeiro restringe os investimentos do cidadão pessoa física, em três áreas: poupança, propriedade e ações domésticas.
Poupança: rendimento menor do que a taxa de inflação estimada em 3,4% para 2010, portanto, negativo.
Propriedade: investimento pode virar bolha quando os recentes cortes de empréstimos hipotecários resfriarem o mercado. Citibank e BNP Paribas prevêem uma queda de 20% njos preços das casas em 2010 (o preço médio de um apartamento em Shanghai subiu 300% nos últimos 5 anos).
Ações: CITIC Securities, a maior corretora da China, prevê que U$ 59 bilhões, um terço do volume das transações imobiliárias nas 35 maiores cidades em 2009, podem ser dirigidos para o mercado de ações.
A bolsa de Shanghai já devolveu todos os ganhos dos últimos doze meses, e pode cair mais um pouco até o final do ano. Apesar da queda o índice de Shanghai ainda está negociando a um preço 15,6 vezes de lucro estimado. Mas os investidores chineses não têm outra saída diante dos cenários de poupança e propriedade descritos acima.