terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pensão Geriátrica

Entre amigos discutimos as opções de viver na velhice.

Para quem tem muitos filhos, tentar morar dois meses na casa de um filho e dois meses na de outro, num sistema rotativo. É mais tranqüilo viver com a sua filha. O genro não reclama tanto. Morar com filho é mais problemático. A nora não reclama para ti, mas reclama para o seu filho que, com a sua estadia, começa uma vida doméstica infernal. A nora que sinceramente acha os sogros bem-vindos merece o Prêmio Nobel da Paz. Eu e a minha esposa já desistimos desta opção. No way!

Viajar de cruzeiro? Cruzeiros de 5 estrelas oferecem world cruise de 60 a 90 dias. Uma suíte confortável, cinco refeições por dia, cinemas, shows e cassino. Mas após o desembarque, para onde vamos?
Enfim temos de pensar em mudar para uma pensão geriátrica.
A) vender a casa – livramo-nos das revisões e consertos descritos no artigo anterior

B) vender os automóveis

C) na pensão geriátrica, têm médicos e enfermeiras que cuidam da sua saúde

D) vender todos os investimentos, dividir entre os filhos e guardar uma parte rendendo juros para o resto da vida
Não é agradável a perspectiva dos últimos anos de vida, mas é o caminho que ninguém conseguiria evitar.





terça-feira, 13 de novembro de 2012

Revisões

Com 81 anos de idade, aposentado, ocupa-me e preocupa-me uma série de revisões:

a) A casa: sistema de alarme (semestralmente); elevador (bimensal); água quente/frio e reservatório; piscina (limpeza semanal); força e luz (inclusive troca de lâmpadas); aparelhos audiovisuais e TV (é cansativo chamar a NET para os consertos); e computador (assistência técnica). Não paro de emitir cheques para pagar os serviços, além dos débitos automáticos na conta bancária.

O problema é que a gente quer tudo. Três TVs, home theater, etc. Eu e minha esposa não conseguimos chegar a uma conclusão de como simplificar a vida.

b) Automóveis: revisões semestrais, além de consertos, troca de peças e pneus;

c) Saúde: dentista-limpeza e revisão de implante e prótese; oftalmologista-revisão semestral, precisa de cirurgia para catarata? Dermatologista- revisão anual; otorrino-gripe, rinite, bronquite. Após os testes o médico chegou à conclusão de que preciso de aparelho auditivo.

Na semana passada fiz cinco revisões (exames) uma após a outra: sangue, ecografia abdominal, vascular, ecocardiograma e holter 24 horas. Uma semana muito cansativa. O consolo foi que todos os exames apresentaram-se normais.

d) portfólio de investimento: manter uma posição equilibrada entre ações e aplicações financeiras. É preciso ganhar dinheiro para custear todas as revisões citadas.

No próximo artigo deste blog vou apresentar algumas soluções para o problema da velhice.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bebida e Fumo

 Uma demonstração de desempenho das ações de vícios (bebidas e fumo) dos últimos três anos
O cálculo de valorização não inclui os dividendos pagos no período.

BRASIL
BEBIDA
Ambev ON
28/9/2009 a 28/9/2012
R$ 64,29/R$ 25 = 157%

INTERNACIONAL
BEBIDA
Diageo
28/9/2009 a 28/9/2012
$112.73/$ 61.50 = 83%


BRASIL
FUMO
Souza Cruz ON
28/9/2009 a 28/9/2012
R$ 27,50/R$ 11,30 = 143%


INTERNACIONAL
FUMO
28/9/2009 a 28/9/2012
Philip Morris
$89.94/$ 48.74 = 84%


Nos meus artigos anteriores, sempre defendi estes dois setores de vícios que não sofrem com a recessão. Ao contrário, os consumidores bebem e fumam mais na recessão. As quatro ações citadas são quase monopolistas. Ademais elas distribuem ótimos dividendos após contribuir com altos impostos para os cofres do governo. Apesar das campanhas de Proibido Fumar e Se Beber não Dirija, os 190 paises do mundo dizem “Bem-vinda” às empresas Diageo e Philip Morris. Que ironia!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Privatizar para prosperar

Para acelerar o crescimento econômico, a Presidente Dilma Rousseff tem abandonado a doutrina do Partido Trabalhista a favor de abrir a infraestrutura do país para a administração privada. Ela também adotou uma agenda com apoio das indústrias no sentido de cortar os custos de produção.

A nova política é uma mudança de incentivos do consumo para a competitividade e investimento privado, especialmente para as indústrias locais que perderam o mercado para as importações baratas. Com a queda da demanda mundial por commodities, baixo investimento e dívidas crescentes da população, o Brasil, que teve um crescimento de 7,5% em 2010, deve crescer, este ano, menos do que o Japão e os Estados Unidos.

No mês passado, a Presidente Dilma anunciou corte de imposto sobre salários, redução de tarifas de energia e ofertas de licenças para companhias privadas para construir e operar estradas e ferrovias, portos e aeroportos.

Apesar da impopularidade de oferecer o controle de patrimônio público para o setor privado, ela pode conseguir bilhões de dólares em capital de investimento para modernizar e reviver a infraestrutura sem aumento de impostos.

Durante a administração do Presidente Fernando Henrique Cardoso, de 1995 a 2002, o PT criticou a privatização dos setores de transportes e de telecomunicações. Mas em fevereiro, Dilma concedeu licenças para companhias privadas para construir e operar os terminais de aeroportos em São Paulo e Brasília, acabando com o monopólio estatal. “Ela é uma pragmatista, ultrapassando a linha ideológica. O Brasil se beneficiará do know-how de companhias privadas em administrar aeroportos, portos e outros setores de infraestrutura”, comentou Enestor dos Santos, economista sênior do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria.

O Brasil, urgentemente, precisa consertar sua infraestrutura, bem como construir novas estradas e portos. Estradas de via única, congestionadas e cheias de buracos fazem com que o transporte de carga custe 40% a mais do que nos Estados Unidos. Energia ao preço de 330 reais ($ 163) por megawatt/hora é o quarto mais alto do mundo. Em julho, chuvas, greves e equipamentos inadequados criaram congestionamentos de mais de 100 navios ancorados no porto de Paranaguá, o principal porto de escoamento dos produtos agrícolas destinados para exportação. Alguns navios ficaram na fila por mais de um mês.

O Brasil figura em 126º lugar, em uma lista de 183 países, no último índice do Banco Mundial sobre facilidade de fazer negócios, atrás de Uganda e Suazilândia.

Os líderes da indústria concordam que a remoção desses gargalos é essencial para reacender o crescimento econômico que caiu de 2,7% em 2011 para 1,57% este ano. Para remediar a queda de crescimento e a conseqüente queda das receitas, o governo espera que as licenças para as empresas privadas para construir e operar 10.000 quilômetros de estrada de ferro e 7.500 quilômetros de estrada atraia 80 bilhões de reais em investimentos nos próximos 5 anos.

Apesar da privatização a sociedade brasileira continua sentindo a força do governo na administração da economia. O governo aumentou as tarifas de importação para proteger a indústria nacional; pressionou os bancos para baixar os juros; e forçou as companhias de energia elétrica a reduzir as tarifas em troca de renovação de concessões.

Paulo Vieira da Cunha, da companhia de investimento Tandem Global Partners disse: “Isso é uma agenda positiva, é um avanço, mas não é liberalização. O que o governo procura é um modelo eficiente de desenvolvimento liderado pelo estado”. Dilma já demonstrou a força de seu punho no governo. Adam Smith pregava a “invisible hand” do mercado. Paciência, meus amigos brasileiros. Passo a passo, vamos chegar lá.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tarifas de energia

Em prosseguimento ao anúncio do governo de cortar as tarifas de energia em 2013, o governo fixou a data de 5 de fevereiro para começar a valer a redução de 20,2% do custo médio da energia no país. Para os consumidores residenciais a redução prevista será de 16,2%. O abatimento na conta das indústrias varia de 19,4% a 28%.

A redução da tarifa abre caminho para diminuir os custos de produção e melhorar a competitividade das fábricas, além de deixar mais renda na mão dos consumidores e contribuir para frear a inflação. Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Industria (CNI), defendeu que os empresários repassem a diminuição do custo ao preço final dos produtos. “Certamente a sociedade será muito beneficiada”.
Projeções da CNI indicam que a medida fará o custo de produção da indústria cair de 2% a 4% no país.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também confirmou que revisará ainda no primeiro semestre as tarifas de todas as distribuidoras, inclusive as que não estão incluídas no pacote da renovação das concessões.
As novas tarifas de geração e transmissão significarão um desafio para a CEEE (Rio Grande do Sul), confirmou o presidente do grupo, Sérgio Dias. O impacto dos preços menores recairá sobre CEEE – GT (geração e transmissão). “Teremos de estar mais focados nos custos de operação e manutenção. Até agora olhávamos mais a comercialização”.
A CEEE – D (distribuidora) também passará pela renovação de concessões, mas será afetada porque apenas repassará os preços e pode ainda se beneficiar de um aumento de consumo.
Em conclusão, as companhias de energia, geração, transmissão, distribuição, diante da queda das tarifas, terão que baixar os custos e aumentar a eficiência. Um aplauso e um voto de confiança para a Presidente Dilma e seu governo.









terça-feira, 18 de setembro de 2012

QE3

A Bovespa teve a melhor semana (10 a 14 de setembro) do ano 2012, com uma valorização de 6,5%, e de 9,4% acumulado no ano.



Na quinta-feira (13 de setembro) a Bovespa subiu 3,4% por conta da decisão do Federal Reserve, o banco central americano, de elevar para US$ 40 bilhões a compra mensal de títulos imobiliários em poder do sistema bancário. O FED também anunciou que manterá as taxas de juro em nível próximo de zero até meados de 2015, seis meses a mais que o previsto. Nos últimos seis pregões, a Bovespa avançou 10,2%, superando com folga a taxa básica de 7,5% - base na definição de rendimento anual das aplicações financeiras de renda fixa.


Nos últimos dois dias (13 e 14 de setembro), a perspectiva de quantitative easing (QE3) do FED fez subir todas as bolsas do mundo. O governo brasileiro anunciou o seu “relaxamento quantitativo”, injetando mais liquidez na economia, contribuindo para o aumento de consumo e nível de emprego. O governo, além de cortar a taxa de juro, vai cortar a tarifa de energia elétrica para consumidores e industrias a partir de 2013. A inflação menor induz a taxa de juro menor, num ciclo virtuoso.



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Perfect Storm?

Nouriel Roubini, economista e professor da New York University, ganhou o apelido de “Dr. Doom” por sua previsão da crise financeira que começou em 2008. Numa entrevista recente, ele descreveu a atual situação política e econômica do mundo, em três cenários:


Cenário 1: continuidade das dificuldades econômicas e financeiras nas economias dos países desenvolvidos, mas não chegariam a uma outra turbulência global (perfect storm). A economia continuaria fraca, mas evitaria outra crise econômica financeira.
Cenário 2: “global perfect storm”, é o pior cenário. Na zona do euro, mais países perderiam acesso ao mercado, mais default, mais países deixariam a União Européia. O crescimento da economia americana pararia, e o país chegaria a ponto de “bubble bursting”. A China teria um “hard landing”. E os países emergentes deixariam de ter qualquer crescimento. No Oriente Médio, estouraria a guerra entre Israel/Estados Unidos e Síria/Irã. Esses cinco pontos negativos da economia mundial já estão a caminho neste ano e no próximo ano.
Cenário 3: otimista. A economia americana melhoraria, porém em ritmo lento. A zona do euro caminharia para uma união econômica, fiscal e política mais abrangente. A China conseguiria a aterrissagem suave (soft landing). Os países emergentes fariam as reformas estruturais necessárias para o crescimento. No Oriente Médio, o conflito e a guerra seriam evitados. Mesmo que tudo isso estivesse acontecendo, não esperaria que o mundo atingisse, em 2013, uma alta taxa de crescimento econômico (mercados emergentes talvez). Após mais 2 ou 3 anos de consolidação, as economias avançadas voltariam para o crescimento potencial, que seria o melhor cenário que a gente poderia pintar por enquanto.
Roubini acha que o cenário 3 (otimista) tem uma probabilidade de 10% de acontecer até o final de 2013 (em 18 meses); cenário 1 tem uma probabilidade de 55%; cenário 2, o pior de todos, 35%, ou um terço da probabilidade de uma turbulência global.
Os meus comentários sobre Roubini:
Não sei como ele calculou a percentagem de probabilidade atribuída a cada cenário. Cálculos científicos, matemáticos ou meramente um “chute” na escuridão do futuro imprevisível do mundo?
Como sou um eterno otimista, subscreveria o cenário 3, embora Roubini tenha atribuído a probabilidade de apenas 10%.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pemex e o futuro do México

Quando foi descoberto em 1976, o offshore campo de petróleo Cantarell, do México, era um dos maiores do mundo, e rapidamente tornou-se um “money machine” para a Petróleos Mexicanos (Pemex), a gigantesca companhia petrolífera estatal. Graças a esta bonança o México tornou-se um dos principais fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, e a Pemex a maior fonte de receita de imposto do governo. Cantarell justificou a expulsão das grandes companhias petrolíferas inglesas e americanas, em 1938, do México, bem como a sua política de proibir investidores estrangeiros de explorar e produzir no país. A proibição de investimento estrangeiro na Pemex está consagrada na constituição mexicana.



Hoje, porém, a produção da Cantarell está diminuindo. A produção total da Pemex caiu de 3,4 milhões de barris em 2004, para 2,5 milhões de barris no ano passado. Embora a Pemex estime uma reserva de 27 bilhões de barris não explorados, ela se preocupa com a carência de experiência e tecnologia de exploração. Ela não encontrou petróleo comercialmente viável após 20 tentativas. A Pemex perdeu $ 7,4 bilhões no ano passado, seu quinto prejuízo anual consecutivo.


O Presidente eleito Enrique Pena Nieto, declarou que reorganizar a Pemex será sua prioridade. Seu partido PRI (Partido Revolucionário Institucional) quer investimento estrangeiro nas atividades de exploração e desenvolvimento da Pemex. Ele reconhece que este é um passo a frente, tão extraordinário quanto a NAFTA (North American Free Trade Agreement, implementado em 1994, entre Canadá, U.S.A. e México). A NAFTA impulsionou um aumento de venda de 600% do México para os Estados Unidos.

A ExxonMobil acha que o México deve abrir a porta para “partnerships” e colaboração para trazer tecnologia. “O interesse internacional será enorme, similar ao Iraque“, disse Jeremy Martin, especialista de petróleo do Institute of the Américas in La Jolla, Califórnia.


A abertura no setor petrolífero pode aumentar o GDP mexicano em 0,8% ao ano, criando uma era de baixo custo de energia para os consumidores. A transformação da Pemex mudará a psicologia do México. Eventualmente, como em um efeito dominó, desapareceriam os monopólios e duopólios em geração de energia, telecomunicações, televisão a cabo, etc, que tanto encarecem a vida dos mexicanos.

Embora o partido do Presidente (PRI) não tenha dois terços de votos no Congresso para mudar a Constituição, o partido de oposição, National Action Party (PAN) está disposto a apoiá-lo.


A opinião pública também começa a mudar a favor da transformação da Pemex.

O sucesso do Brasil em transformar a indústria petrolífera e dominar a arte de “deepwater drilling” faz os mexicanos questionarem porque a Pemex não pode fazer a mesma coisa.


Presidente Pena Nieto já está pavimentando o caminho de mudança constitucional antes de tomar posse no dia 1 de dezembro. Ele está discutindo com o poderoso sindicato dos trabalhadores da Pemex que tradicionalmente apóia o partido. “Mais investimento significa mais emprego”, disse o líder do sindicato dos trabalhadores da Pemex. “Sempre haverá quem é contra a abertura do setor para investimento estrangeiro, mas no final do dia, eles topam a parada”, disse Jorge Chabat, professor de ciências políticas do Centro de Pesquisa Econômica, na Cidade do México.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Europa, China, USA e Brasil

Em uma entrevista de Charlie Rose, jornalista da Bloomberg, com Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, o assunto foi sobre como a Europa pode finalmente superar a crise.
Charlie Rose: Os políticos europeus sempre reagiram tarde demais e prometeram um euro a menos. Esse cenário vai mudar finalmente?
Robert Zoellick: A Europa precisa de um forte sistema bancário, especialmente a Espanha. Se os bancos têm capital suficiente, o Banco Central Europeu terá liberdade adicional de colocar mais dinheiro nos bancos. Espanha e Itália estão fazendo reformas para controlar os déficits. Mas reformas estruturais como pensão e mercado de trabalho levam tempo para mostrarem os benefícios. O custo de rolar as dívidas (Espanha, em particular) subiu. A Europa precisa assegurar que os países continuem a rolar as debêntures durante o período de reformas. A Alemanha tem sido correta em enfatizar a necessidade desses países de fazer reformas fiscais e estruturais, mas eles precisam de suporte durante o processo.
Charlie Rose: Você não acha que a Europa deve olhar e pensar nas idéias de Alexander Hamilton?
Robert Zoellick: O que Hamilton fez quando os Estados Unidos foram criados foi assumir as dívidas dos estados após a guerra revolucionária. Mas após essa “one-time” assunção, os estados tiveram que ficar em pé com suas próprias pernas e obedecer à disciplina de mercado.
Charlie Rose: O Banco Mundial recentemente rebaixou a perspectiva da economia global. Qual é a sua opinião sobre o mundo desenvolvido e os países emergentes?
Robert Zoellick: Ultimamente, a China desacelerou um pouco, em parte afetada pela Europa. Não acho que a China terá um “hard landing”, mas a aterrissagem será um pouco desequilibrada. Nos Estados Unidos, a não renovação da redução de impostos no fim de 2012 terá um efeito negativo sobre a expectativa da economia americana. Sem dúvida, estamos num período frágil da economia internacional.
Uma observação minha:
A tormenta européia está passando. Na China, a inflação em julho foi a mais baixa dos últimos 30 meses, permitindo ao governo tomar mais medidas de estímulo (inclusive a queda de juro) para acelerar o crescimento. As empresas americanas aumentaram a oferta de emprego, e o FED acha necessário o estimulo monetário (QE3). A economia continuará crescendo, embora lentamente, nos três meses até a eleição presidencial.
No Brasil, sexta-feira, 10 de agosto, a Bovespa subiu 3,5% na semana, 5,7% no mês, e 4,5% no ano, superando a remuneração da renda fixa, que é definida segundo a taxa básica de juro, atualmente em 8% ao ano.
Os contratempos são momentâneos. No longo prazo, continuo otimista com o mundo e o Brasil.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Petrobrás

Apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional, o governo e a Petrobrás, no curso de 2012, protelavam o aumento de preços dos combustíveis para frear a taxa de inflação. O preço da ação da Petrobrás caiu vertiginosamente na Bovespa, arrastando a bolsa toda para baixo.
No final de junho, o governo decretou um pequeno aumento no preço dos combustíveis e compensou o aumento com uma redução de imposto sobre o mesmo, aliviando um pouco o impacto sobre o bolso do consumidor. O mercado achou a medida tímida e derrubou ainda mais o preço de Petrobrás.
Em 12 de julho de 2012, Petrobrás anunciou um reajuste de 6% no preço do diesel nas refinarias a partir de 16 de julho. Na sexta-feira, 13 de julho, os papéis da estatal dispararam 5,63% (ON) e 5,22 % (PN). Também pesou a boa performance do petróleo no mercado internacional, em Nova York e Londres. A alta de Petrobrás é atribuída à percepção do mercado de que, doravante, a empresa estatal deve equiparar os preços de combustíveis com o mercado internacional. Afinal de contas, o Brasil não é a Venezuela. A estatal não deve manipular os preços como achar conveniente.
É difícil ler a mente do governo. Talvez nem o governo saiba como tratar os preços dos combustíveis. Num mercado livre, os preços para os consumidores são o preço internacional multiplicado pela taxa de cambio, mais frete, custo de distribuição e uma pequena margem para os postos. Numa empresa de monopólio estatal, o governo tem que pensar como os preços dos combustíveis afetam a inflação. Com a inflação em alta, o governo deixa de ajustar os preços dos combustíveis. Com a deflação, o governo reajusta os preços que estavam atrasados. No passado o governo já praticou tabelamento de preços, o que criou mercado paralelo, greve e outras complexidades.
Não acredito que o Brasil vai equiparar os preços dos combustíveis com o mercado internacional como regra do jogo. Às vezes, equiparar, às vezes não. O governo e a Petrobrás dançam conforme a musica e os acionistas minoritários sofrem as conseqüências.
Como consumidor, cidadão brasileiro e economista, defendo que os preços dos combustíveis devem se alinhar com os preços internacionais, sem interferência do governo, num mercado livre, regido pela oferta e procura. Como praticado nos paises desenvolvidos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Happy Hour com cachaça

Há anos, numa viagem para Beijing, visitamos um bar no Hotel Hyatt. Um garçom veio nos atender.


“Sir, what would you like to drink?”
Eu respondi: “Do you have caipirinha?”, na expectativa de uma resposta: “não conhecemos essa bebida”. Surpreendentemente, ele perguntou: “with vodka or cachaça?”
Sentamos num sofá confortável, na frente de uma orquestra tocando música popular com violino e instrumentos chineses. Um “happy hour” perfeito com caipirinhas de vodka e cachaça.
Diageo PLC é a companhia inglesa que produz, destila e comercializa com franquia exclusiva para mais de 180 países do mundo todos os tipos de bebidas alcoólicas como uísque Johnnie Walker, Vodka Smirnoff, tequilas, gins e cervejas.
Em 28 de maio, 2012, Diageo comprou a empresa Ypióca, do Ceará, com pagamento em dinheiro e ações. Ypióca é o mais famos produtor de cachaça, que inaugurou, com grande festa, o mais completo museu da cachaça do mundo, localizado na primeira unidade fabril da Ypióca, em Maranguape. Diageo tinha todas as linhas de produtos alcoólicos, e com o copo cheio de gelo e limão, só faltava a cachaça.
Com a compra da Ypióca, Diageo abre o caminho para exportar cachaça para todos os cantos do mundo, melhorar o balanço de pagamento do Brasil, e aumentar a receita e lucro da Diageo. De abril de 2009 até junho de 2012, a ADR de Diageo (DEO) subiu 100% (de $47,85 para $95,34). O mercado projeta maiores lucros nos anos vindouros.
Como Ambev e Souza Cruz, o ramo de negócio da Diageo é vício, que não conhece recessão. Quanto pior o mundo, a gente mais bebe.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Fundo ON

Há anos eu tinha a idéia de montar um fundo de ações denominado Fundo ON, composto das ações do Bovespa, com 75% em ações ordinárias (ON) e 25% em ações preferenciais (PN).

A predominância de ações ordinárias é devido ao privilégio de “tag along” no caso de fusão ou “buy out”, o direito de voto, embora receba menos dividendos do que ações PN. Muitas vezes, ações ON são mais baratas do que ações PN devido à sua menor liquidez.

A idéia do Fundo ON ainda é válida hoje. A carteira seria composta das seguintes ações ON:

Souza Cruz ON e Ambev ON – Ações de pecado, que não sofrem com a recessão. Ambas são monopólios no cigarro e na cerveja (Ambev ON é ainda mais barata do que Ambev PN)

Sabesp ON – monopólio de água no estado de São Paulo

Braskem ON (BRKM3) – monopólio na petroquímica, 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que Braskem PN

Siderúrgica Nacional (CSNA3) – hoje está cotada a preço de banana

BMFBovespa ON (BVMF3) – a receita e o lucro devem melhorar com a alta da bolsa

Telefônica Brasil ON (VIVT3) – 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que a PN. Bom dividendo

Banco do Brasil ON (BBAS3) – o papel tem caído demais com as sucessivas quedas de juro, especulo uma estabilidade e eventual recuperação a longo prazo

Petrobrás e Vale – não recomendo os papéis ON que são mais caros do que as ações PN. Essas empresas gigantes não serão alvos de take over. Compro esses papéis PN para integrar no portfólio de 25% das ações preferenciais.

Durante os anos de convivência com o mercado acionário fui bem remunerado com o fechamento de capital de White Martins ON, Vidraria Santa Marina ON, Vivo ON, etc.
Nos últimos anos, as empresas brasileiras que abriram o capital têm lançado ações ON a exemplo do mercado europeu, americano e australiano.

terça-feira, 12 de junho de 2012

China corta a taxa de juro

Em 7 de junho de 2012 a China baixou em 0,5% a taxa de juro pela primeira vez desde 2008, respondendo à baixa taxa anual de crescimento da economia de “apenas” 8,1%.
O mercado especula que uma vez começado o corte, haverá mais cortes daqui para frente. E, num efeito dominó, o corte se estenderá a outros países do mundo. Os Estados Unidos não têm como cortar mais o juro, já que o juro está zero (ultimamente, o yield do Treasury Bond de 10 anos caiu abaixo de 1,6% ao ano).
O Brasil cortou a taxa Selic em 0,5% em 30 de maio de 2012, e o mercado projeta mais cortes nas próximas reuniões do BC.
Os países da Europa devem cortar as taxas de juro para estimular a economia para sair do fundo do poço. Há otimismo no mercado de que os governantes do mundo vão agir conjuntamente para estimular o crescimento econômico.
Janet Yellen, vice-chairman do FED, disse ontem que o lento crescimento do emprego e a deterioração do mercado financeiro mostram que a economia americana continua vulnerável aos retrocessos justificando estímulos adicionais.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Corte de taxa Selic

Em 30 de maio de 2012, o Banco Central decidiu de forma unânime pelo corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro, a Selic, que assim cai de 9% para 8,5% ao ano.
A taxa é a menor da história do país. Antes, o menor juro do Brasil havia sido de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010. A decisão foi tomada no primeiro encontro realizado sob a Lei de Acesso à Informação, que determina a transparência na administração pública.
O Banco Central afirma que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”.Além disso, “dada a fragilidade da economia global, a contribuição externa tem sido desinflacionária”. Não há temor de que os preços subam demais, mesmo com a alta recente do dólar. BC está preocupado com o efeito “dominó” da crise internacional no Brasil.
O fraco desempenho da economia brasileira está se refletindo em estoques elevados, ritmo lento de crescimento das atividades industriai e em demissões em algumas empresas. São sinais de que a economia deve demorar mais tempo que o imaginado para acelerar. O mercado aposta pela primeira vez que o país deve crescer menos de 3% neste ano. E, uma vez rompida a barreira de 8,75%, a queda da taxa Selic deve continuar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O jogo de mahjong

Mahjong é o jogo mais popular da China e de outros países da Ásia.

Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.

Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.

Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.