Nouriel Roubini, economista e professor da New York University, ganhou o apelido de “Dr. Doom” por sua previsão da crise financeira que começou em 2008. Numa entrevista recente, ele descreveu a atual situação política e econômica do mundo, em três cenários:
Cenário 1: continuidade das dificuldades econômicas e financeiras nas economias dos países desenvolvidos, mas não chegariam a uma outra turbulência global (perfect storm). A economia continuaria fraca, mas evitaria outra crise econômica financeira.
Cenário 2: “global perfect storm”, é o pior cenário. Na zona do euro, mais países perderiam acesso ao mercado, mais default, mais países deixariam a União Européia. O crescimento da economia americana pararia, e o país chegaria a ponto de “bubble bursting”. A China teria um “hard landing”. E os países emergentes deixariam de ter qualquer crescimento. No Oriente Médio, estouraria a guerra entre Israel/Estados Unidos e Síria/Irã. Esses cinco pontos negativos da economia mundial já estão a caminho neste ano e no próximo ano.
Cenário 3: otimista. A economia americana melhoraria, porém em ritmo lento. A zona do euro caminharia para uma união econômica, fiscal e política mais abrangente. A China conseguiria a aterrissagem suave (soft landing). Os países emergentes fariam as reformas estruturais necessárias para o crescimento. No Oriente Médio, o conflito e a guerra seriam evitados. Mesmo que tudo isso estivesse acontecendo, não esperaria que o mundo atingisse, em 2013, uma alta taxa de crescimento econômico (mercados emergentes talvez). Após mais 2 ou 3 anos de consolidação, as economias avançadas voltariam para o crescimento potencial, que seria o melhor cenário que a gente poderia pintar por enquanto.
Roubini acha que o cenário 3 (otimista) tem uma probabilidade de 10% de acontecer até o final de 2013 (em 18 meses); cenário 1 tem uma probabilidade de 55%; cenário 2, o pior de todos, 35%, ou um terço da probabilidade de uma turbulência global.
Os meus comentários sobre Roubini:
Não sei como ele calculou a percentagem de probabilidade atribuída a cada cenário. Cálculos científicos, matemáticos ou meramente um “chute” na escuridão do futuro imprevisível do mundo?
Como sou um eterno otimista, subscreveria o cenário 3, embora Roubini tenha atribuído a probabilidade de apenas 10%.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Pemex e o futuro do México
Quando foi descoberto em 1976, o offshore campo de petróleo Cantarell, do México, era um dos maiores do mundo, e rapidamente tornou-se um “money machine” para a Petróleos Mexicanos (Pemex), a gigantesca companhia petrolífera estatal. Graças a esta bonança o México tornou-se um dos principais fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, e a Pemex a maior fonte de receita de imposto do governo. Cantarell justificou a expulsão das grandes companhias petrolíferas inglesas e americanas, em 1938, do México, bem como a sua política de proibir investidores estrangeiros de explorar e produzir no país. A proibição de investimento estrangeiro na Pemex está consagrada na constituição mexicana.
Hoje, porém, a produção da Cantarell está diminuindo. A produção total da Pemex caiu de 3,4 milhões de barris em 2004, para 2,5 milhões de barris no ano passado. Embora a Pemex estime uma reserva de 27 bilhões de barris não explorados, ela se preocupa com a carência de experiência e tecnologia de exploração. Ela não encontrou petróleo comercialmente viável após 20 tentativas. A Pemex perdeu $ 7,4 bilhões no ano passado, seu quinto prejuízo anual consecutivo.
O Presidente eleito Enrique Pena Nieto, declarou que reorganizar a Pemex será sua prioridade. Seu partido PRI (Partido Revolucionário Institucional) quer investimento estrangeiro nas atividades de exploração e desenvolvimento da Pemex. Ele reconhece que este é um passo a frente, tão extraordinário quanto a NAFTA (North American Free Trade Agreement, implementado em 1994, entre Canadá, U.S.A. e México). A NAFTA impulsionou um aumento de venda de 600% do México para os Estados Unidos.
A ExxonMobil acha que o México deve abrir a porta para “partnerships” e colaboração para trazer tecnologia. “O interesse internacional será enorme, similar ao Iraque“, disse Jeremy Martin, especialista de petróleo do Institute of the Américas in La Jolla, Califórnia.
A abertura no setor petrolífero pode aumentar o GDP mexicano em 0,8% ao ano, criando uma era de baixo custo de energia para os consumidores. A transformação da Pemex mudará a psicologia do México. Eventualmente, como em um efeito dominó, desapareceriam os monopólios e duopólios em geração de energia, telecomunicações, televisão a cabo, etc, que tanto encarecem a vida dos mexicanos.
Embora o partido do Presidente (PRI) não tenha dois terços de votos no Congresso para mudar a Constituição, o partido de oposição, National Action Party (PAN) está disposto a apoiá-lo.
A opinião pública também começa a mudar a favor da transformação da Pemex.
O sucesso do Brasil em transformar a indústria petrolífera e dominar a arte de “deepwater drilling” faz os mexicanos questionarem porque a Pemex não pode fazer a mesma coisa.
Presidente Pena Nieto já está pavimentando o caminho de mudança constitucional antes de tomar posse no dia 1 de dezembro. Ele está discutindo com o poderoso sindicato dos trabalhadores da Pemex que tradicionalmente apóia o partido. “Mais investimento significa mais emprego”, disse o líder do sindicato dos trabalhadores da Pemex. “Sempre haverá quem é contra a abertura do setor para investimento estrangeiro, mas no final do dia, eles topam a parada”, disse Jorge Chabat, professor de ciências políticas do Centro de Pesquisa Econômica, na Cidade do México.
Hoje, porém, a produção da Cantarell está diminuindo. A produção total da Pemex caiu de 3,4 milhões de barris em 2004, para 2,5 milhões de barris no ano passado. Embora a Pemex estime uma reserva de 27 bilhões de barris não explorados, ela se preocupa com a carência de experiência e tecnologia de exploração. Ela não encontrou petróleo comercialmente viável após 20 tentativas. A Pemex perdeu $ 7,4 bilhões no ano passado, seu quinto prejuízo anual consecutivo.
O Presidente eleito Enrique Pena Nieto, declarou que reorganizar a Pemex será sua prioridade. Seu partido PRI (Partido Revolucionário Institucional) quer investimento estrangeiro nas atividades de exploração e desenvolvimento da Pemex. Ele reconhece que este é um passo a frente, tão extraordinário quanto a NAFTA (North American Free Trade Agreement, implementado em 1994, entre Canadá, U.S.A. e México). A NAFTA impulsionou um aumento de venda de 600% do México para os Estados Unidos.
A ExxonMobil acha que o México deve abrir a porta para “partnerships” e colaboração para trazer tecnologia. “O interesse internacional será enorme, similar ao Iraque“, disse Jeremy Martin, especialista de petróleo do Institute of the Américas in La Jolla, Califórnia.
A abertura no setor petrolífero pode aumentar o GDP mexicano em 0,8% ao ano, criando uma era de baixo custo de energia para os consumidores. A transformação da Pemex mudará a psicologia do México. Eventualmente, como em um efeito dominó, desapareceriam os monopólios e duopólios em geração de energia, telecomunicações, televisão a cabo, etc, que tanto encarecem a vida dos mexicanos.
Embora o partido do Presidente (PRI) não tenha dois terços de votos no Congresso para mudar a Constituição, o partido de oposição, National Action Party (PAN) está disposto a apoiá-lo.
A opinião pública também começa a mudar a favor da transformação da Pemex.
O sucesso do Brasil em transformar a indústria petrolífera e dominar a arte de “deepwater drilling” faz os mexicanos questionarem porque a Pemex não pode fazer a mesma coisa.
Presidente Pena Nieto já está pavimentando o caminho de mudança constitucional antes de tomar posse no dia 1 de dezembro. Ele está discutindo com o poderoso sindicato dos trabalhadores da Pemex que tradicionalmente apóia o partido. “Mais investimento significa mais emprego”, disse o líder do sindicato dos trabalhadores da Pemex. “Sempre haverá quem é contra a abertura do setor para investimento estrangeiro, mas no final do dia, eles topam a parada”, disse Jorge Chabat, professor de ciências políticas do Centro de Pesquisa Econômica, na Cidade do México.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Europa, China, USA e Brasil
Em uma entrevista de Charlie Rose, jornalista da Bloomberg, com Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, o assunto foi sobre como a Europa pode finalmente superar a crise.
Charlie Rose: Os políticos europeus sempre reagiram tarde demais e prometeram um euro a menos. Esse cenário vai mudar finalmente?
Robert Zoellick: A Europa precisa de um forte sistema bancário, especialmente a Espanha. Se os bancos têm capital suficiente, o Banco Central Europeu terá liberdade adicional de colocar mais dinheiro nos bancos. Espanha e Itália estão fazendo reformas para controlar os déficits. Mas reformas estruturais como pensão e mercado de trabalho levam tempo para mostrarem os benefícios. O custo de rolar as dívidas (Espanha, em particular) subiu. A Europa precisa assegurar que os países continuem a rolar as debêntures durante o período de reformas. A Alemanha tem sido correta em enfatizar a necessidade desses países de fazer reformas fiscais e estruturais, mas eles precisam de suporte durante o processo.
Charlie Rose: Você não acha que a Europa deve olhar e pensar nas idéias de Alexander Hamilton?
Robert Zoellick: O que Hamilton fez quando os Estados Unidos foram criados foi assumir as dívidas dos estados após a guerra revolucionária. Mas após essa “one-time” assunção, os estados tiveram que ficar em pé com suas próprias pernas e obedecer à disciplina de mercado.
Charlie Rose: O Banco Mundial recentemente rebaixou a perspectiva da economia global. Qual é a sua opinião sobre o mundo desenvolvido e os países emergentes?
Robert Zoellick: Ultimamente, a China desacelerou um pouco, em parte afetada pela Europa. Não acho que a China terá um “hard landing”, mas a aterrissagem será um pouco desequilibrada. Nos Estados Unidos, a não renovação da redução de impostos no fim de 2012 terá um efeito negativo sobre a expectativa da economia americana. Sem dúvida, estamos num período frágil da economia internacional.
Uma observação minha:
A tormenta européia está passando. Na China, a inflação em julho foi a mais baixa dos últimos 30 meses, permitindo ao governo tomar mais medidas de estímulo (inclusive a queda de juro) para acelerar o crescimento. As empresas americanas aumentaram a oferta de emprego, e o FED acha necessário o estimulo monetário (QE3). A economia continuará crescendo, embora lentamente, nos três meses até a eleição presidencial.
No Brasil, sexta-feira, 10 de agosto, a Bovespa subiu 3,5% na semana, 5,7% no mês, e 4,5% no ano, superando a remuneração da renda fixa, que é definida segundo a taxa básica de juro, atualmente em 8% ao ano.
Os contratempos são momentâneos. No longo prazo, continuo otimista com o mundo e o Brasil.
Charlie Rose: Os políticos europeus sempre reagiram tarde demais e prometeram um euro a menos. Esse cenário vai mudar finalmente?
Robert Zoellick: A Europa precisa de um forte sistema bancário, especialmente a Espanha. Se os bancos têm capital suficiente, o Banco Central Europeu terá liberdade adicional de colocar mais dinheiro nos bancos. Espanha e Itália estão fazendo reformas para controlar os déficits. Mas reformas estruturais como pensão e mercado de trabalho levam tempo para mostrarem os benefícios. O custo de rolar as dívidas (Espanha, em particular) subiu. A Europa precisa assegurar que os países continuem a rolar as debêntures durante o período de reformas. A Alemanha tem sido correta em enfatizar a necessidade desses países de fazer reformas fiscais e estruturais, mas eles precisam de suporte durante o processo.
Charlie Rose: Você não acha que a Europa deve olhar e pensar nas idéias de Alexander Hamilton?
Robert Zoellick: O que Hamilton fez quando os Estados Unidos foram criados foi assumir as dívidas dos estados após a guerra revolucionária. Mas após essa “one-time” assunção, os estados tiveram que ficar em pé com suas próprias pernas e obedecer à disciplina de mercado.
Charlie Rose: O Banco Mundial recentemente rebaixou a perspectiva da economia global. Qual é a sua opinião sobre o mundo desenvolvido e os países emergentes?
Robert Zoellick: Ultimamente, a China desacelerou um pouco, em parte afetada pela Europa. Não acho que a China terá um “hard landing”, mas a aterrissagem será um pouco desequilibrada. Nos Estados Unidos, a não renovação da redução de impostos no fim de 2012 terá um efeito negativo sobre a expectativa da economia americana. Sem dúvida, estamos num período frágil da economia internacional.
Uma observação minha:
A tormenta européia está passando. Na China, a inflação em julho foi a mais baixa dos últimos 30 meses, permitindo ao governo tomar mais medidas de estímulo (inclusive a queda de juro) para acelerar o crescimento. As empresas americanas aumentaram a oferta de emprego, e o FED acha necessário o estimulo monetário (QE3). A economia continuará crescendo, embora lentamente, nos três meses até a eleição presidencial.
No Brasil, sexta-feira, 10 de agosto, a Bovespa subiu 3,5% na semana, 5,7% no mês, e 4,5% no ano, superando a remuneração da renda fixa, que é definida segundo a taxa básica de juro, atualmente em 8% ao ano.
Os contratempos são momentâneos. No longo prazo, continuo otimista com o mundo e o Brasil.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Petrobrás
Apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional, o governo e a Petrobrás, no curso de 2012, protelavam o aumento de preços dos combustíveis para frear a taxa de inflação. O preço da ação da Petrobrás caiu vertiginosamente na Bovespa, arrastando a bolsa toda para baixo.
No final de junho, o governo decretou um pequeno aumento no preço dos combustíveis e compensou o aumento com uma redução de imposto sobre o mesmo, aliviando um pouco o impacto sobre o bolso do consumidor. O mercado achou a medida tímida e derrubou ainda mais o preço de Petrobrás.
Em 12 de julho de 2012, Petrobrás anunciou um reajuste de 6% no preço do diesel nas refinarias a partir de 16 de julho. Na sexta-feira, 13 de julho, os papéis da estatal dispararam 5,63% (ON) e 5,22 % (PN). Também pesou a boa performance do petróleo no mercado internacional, em Nova York e Londres. A alta de Petrobrás é atribuída à percepção do mercado de que, doravante, a empresa estatal deve equiparar os preços de combustíveis com o mercado internacional. Afinal de contas, o Brasil não é a Venezuela. A estatal não deve manipular os preços como achar conveniente.
É difícil ler a mente do governo. Talvez nem o governo saiba como tratar os preços dos combustíveis. Num mercado livre, os preços para os consumidores são o preço internacional multiplicado pela taxa de cambio, mais frete, custo de distribuição e uma pequena margem para os postos. Numa empresa de monopólio estatal, o governo tem que pensar como os preços dos combustíveis afetam a inflação. Com a inflação em alta, o governo deixa de ajustar os preços dos combustíveis. Com a deflação, o governo reajusta os preços que estavam atrasados. No passado o governo já praticou tabelamento de preços, o que criou mercado paralelo, greve e outras complexidades.
Não acredito que o Brasil vai equiparar os preços dos combustíveis com o mercado internacional como regra do jogo. Às vezes, equiparar, às vezes não. O governo e a Petrobrás dançam conforme a musica e os acionistas minoritários sofrem as conseqüências.
Como consumidor, cidadão brasileiro e economista, defendo que os preços dos combustíveis devem se alinhar com os preços internacionais, sem interferência do governo, num mercado livre, regido pela oferta e procura. Como praticado nos paises desenvolvidos.
No final de junho, o governo decretou um pequeno aumento no preço dos combustíveis e compensou o aumento com uma redução de imposto sobre o mesmo, aliviando um pouco o impacto sobre o bolso do consumidor. O mercado achou a medida tímida e derrubou ainda mais o preço de Petrobrás.
Em 12 de julho de 2012, Petrobrás anunciou um reajuste de 6% no preço do diesel nas refinarias a partir de 16 de julho. Na sexta-feira, 13 de julho, os papéis da estatal dispararam 5,63% (ON) e 5,22 % (PN). Também pesou a boa performance do petróleo no mercado internacional, em Nova York e Londres. A alta de Petrobrás é atribuída à percepção do mercado de que, doravante, a empresa estatal deve equiparar os preços de combustíveis com o mercado internacional. Afinal de contas, o Brasil não é a Venezuela. A estatal não deve manipular os preços como achar conveniente.
É difícil ler a mente do governo. Talvez nem o governo saiba como tratar os preços dos combustíveis. Num mercado livre, os preços para os consumidores são o preço internacional multiplicado pela taxa de cambio, mais frete, custo de distribuição e uma pequena margem para os postos. Numa empresa de monopólio estatal, o governo tem que pensar como os preços dos combustíveis afetam a inflação. Com a inflação em alta, o governo deixa de ajustar os preços dos combustíveis. Com a deflação, o governo reajusta os preços que estavam atrasados. No passado o governo já praticou tabelamento de preços, o que criou mercado paralelo, greve e outras complexidades.
Não acredito que o Brasil vai equiparar os preços dos combustíveis com o mercado internacional como regra do jogo. Às vezes, equiparar, às vezes não. O governo e a Petrobrás dançam conforme a musica e os acionistas minoritários sofrem as conseqüências.
Como consumidor, cidadão brasileiro e economista, defendo que os preços dos combustíveis devem se alinhar com os preços internacionais, sem interferência do governo, num mercado livre, regido pela oferta e procura. Como praticado nos paises desenvolvidos.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Happy Hour com cachaça
Há anos, numa viagem para Beijing, visitamos um bar no Hotel Hyatt. Um garçom veio nos atender.
“Sir, what would you like to drink?”
Eu respondi: “Do you have caipirinha?”, na expectativa de uma resposta: “não conhecemos essa bebida”. Surpreendentemente, ele perguntou: “with vodka or cachaça?”
Sentamos num sofá confortável, na frente de uma orquestra tocando música popular com violino e instrumentos chineses. Um “happy hour” perfeito com caipirinhas de vodka e cachaça.
Diageo PLC é a companhia inglesa que produz, destila e comercializa com franquia exclusiva para mais de 180 países do mundo todos os tipos de bebidas alcoólicas como uísque Johnnie Walker, Vodka Smirnoff, tequilas, gins e cervejas.
Em 28 de maio, 2012, Diageo comprou a empresa Ypióca, do Ceará, com pagamento em dinheiro e ações. Ypióca é o mais famos produtor de cachaça, que inaugurou, com grande festa, o mais completo museu da cachaça do mundo, localizado na primeira unidade fabril da Ypióca, em Maranguape. Diageo tinha todas as linhas de produtos alcoólicos, e com o copo cheio de gelo e limão, só faltava a cachaça.
Com a compra da Ypióca, Diageo abre o caminho para exportar cachaça para todos os cantos do mundo, melhorar o balanço de pagamento do Brasil, e aumentar a receita e lucro da Diageo. De abril de 2009 até junho de 2012, a ADR de Diageo (DEO) subiu 100% (de $47,85 para $95,34). O mercado projeta maiores lucros nos anos vindouros.
Como Ambev e Souza Cruz, o ramo de negócio da Diageo é vício, que não conhece recessão. Quanto pior o mundo, a gente mais bebe.
“Sir, what would you like to drink?”
Eu respondi: “Do you have caipirinha?”, na expectativa de uma resposta: “não conhecemos essa bebida”. Surpreendentemente, ele perguntou: “with vodka or cachaça?”
Sentamos num sofá confortável, na frente de uma orquestra tocando música popular com violino e instrumentos chineses. Um “happy hour” perfeito com caipirinhas de vodka e cachaça.
Diageo PLC é a companhia inglesa que produz, destila e comercializa com franquia exclusiva para mais de 180 países do mundo todos os tipos de bebidas alcoólicas como uísque Johnnie Walker, Vodka Smirnoff, tequilas, gins e cervejas.
Em 28 de maio, 2012, Diageo comprou a empresa Ypióca, do Ceará, com pagamento em dinheiro e ações. Ypióca é o mais famos produtor de cachaça, que inaugurou, com grande festa, o mais completo museu da cachaça do mundo, localizado na primeira unidade fabril da Ypióca, em Maranguape. Diageo tinha todas as linhas de produtos alcoólicos, e com o copo cheio de gelo e limão, só faltava a cachaça.
Com a compra da Ypióca, Diageo abre o caminho para exportar cachaça para todos os cantos do mundo, melhorar o balanço de pagamento do Brasil, e aumentar a receita e lucro da Diageo. De abril de 2009 até junho de 2012, a ADR de Diageo (DEO) subiu 100% (de $47,85 para $95,34). O mercado projeta maiores lucros nos anos vindouros.
Como Ambev e Souza Cruz, o ramo de negócio da Diageo é vício, que não conhece recessão. Quanto pior o mundo, a gente mais bebe.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Fundo ON
Há anos eu tinha a idéia de montar um fundo de ações denominado Fundo ON, composto das ações do Bovespa, com 75% em ações ordinárias (ON) e 25% em ações preferenciais (PN).
A predominância de ações ordinárias é devido ao privilégio de “tag along” no caso de fusão ou “buy out”, o direito de voto, embora receba menos dividendos do que ações PN. Muitas vezes, ações ON são mais baratas do que ações PN devido à sua menor liquidez.
A idéia do Fundo ON ainda é válida hoje. A carteira seria composta das seguintes ações ON:
Souza Cruz ON e Ambev ON – Ações de pecado, que não sofrem com a recessão. Ambas são monopólios no cigarro e na cerveja (Ambev ON é ainda mais barata do que Ambev PN)
Sabesp ON – monopólio de água no estado de São Paulo
Braskem ON (BRKM3) – monopólio na petroquímica, 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que Braskem PN
Siderúrgica Nacional (CSNA3) – hoje está cotada a preço de banana
BMFBovespa ON (BVMF3) – a receita e o lucro devem melhorar com a alta da bolsa
Telefônica Brasil ON (VIVT3) – 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que a PN. Bom dividendo
Banco do Brasil ON (BBAS3) – o papel tem caído demais com as sucessivas quedas de juro, especulo uma estabilidade e eventual recuperação a longo prazo
Petrobrás e Vale – não recomendo os papéis ON que são mais caros do que as ações PN. Essas empresas gigantes não serão alvos de take over. Compro esses papéis PN para integrar no portfólio de 25% das ações preferenciais.
Durante os anos de convivência com o mercado acionário fui bem remunerado com o fechamento de capital de White Martins ON, Vidraria Santa Marina ON, Vivo ON, etc.
Nos últimos anos, as empresas brasileiras que abriram o capital têm lançado ações ON a exemplo do mercado europeu, americano e australiano.
A predominância de ações ordinárias é devido ao privilégio de “tag along” no caso de fusão ou “buy out”, o direito de voto, embora receba menos dividendos do que ações PN. Muitas vezes, ações ON são mais baratas do que ações PN devido à sua menor liquidez.
A idéia do Fundo ON ainda é válida hoje. A carteira seria composta das seguintes ações ON:
Souza Cruz ON e Ambev ON – Ações de pecado, que não sofrem com a recessão. Ambas são monopólios no cigarro e na cerveja (Ambev ON é ainda mais barata do que Ambev PN)
Sabesp ON – monopólio de água no estado de São Paulo
Braskem ON (BRKM3) – monopólio na petroquímica, 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que Braskem PN
Siderúrgica Nacional (CSNA3) – hoje está cotada a preço de banana
BMFBovespa ON (BVMF3) – a receita e o lucro devem melhorar com a alta da bolsa
Telefônica Brasil ON (VIVT3) – 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que a PN. Bom dividendo
Banco do Brasil ON (BBAS3) – o papel tem caído demais com as sucessivas quedas de juro, especulo uma estabilidade e eventual recuperação a longo prazo
Petrobrás e Vale – não recomendo os papéis ON que são mais caros do que as ações PN. Essas empresas gigantes não serão alvos de take over. Compro esses papéis PN para integrar no portfólio de 25% das ações preferenciais.
Durante os anos de convivência com o mercado acionário fui bem remunerado com o fechamento de capital de White Martins ON, Vidraria Santa Marina ON, Vivo ON, etc.
Nos últimos anos, as empresas brasileiras que abriram o capital têm lançado ações ON a exemplo do mercado europeu, americano e australiano.
terça-feira, 12 de junho de 2012
China corta a taxa de juro
Em 7 de junho de 2012 a China baixou em 0,5% a taxa de juro pela primeira vez desde 2008, respondendo à baixa taxa anual de crescimento da economia de “apenas” 8,1%.
O mercado especula que uma vez começado o corte, haverá mais cortes daqui para frente. E, num efeito dominó, o corte se estenderá a outros países do mundo. Os Estados Unidos não têm como cortar mais o juro, já que o juro está zero (ultimamente, o yield do Treasury Bond de 10 anos caiu abaixo de 1,6% ao ano).
O Brasil cortou a taxa Selic em 0,5% em 30 de maio de 2012, e o mercado projeta mais cortes nas próximas reuniões do BC.
Os países da Europa devem cortar as taxas de juro para estimular a economia para sair do fundo do poço. Há otimismo no mercado de que os governantes do mundo vão agir conjuntamente para estimular o crescimento econômico.
Janet Yellen, vice-chairman do FED, disse ontem que o lento crescimento do emprego e a deterioração do mercado financeiro mostram que a economia americana continua vulnerável aos retrocessos justificando estímulos adicionais.
O mercado especula que uma vez começado o corte, haverá mais cortes daqui para frente. E, num efeito dominó, o corte se estenderá a outros países do mundo. Os Estados Unidos não têm como cortar mais o juro, já que o juro está zero (ultimamente, o yield do Treasury Bond de 10 anos caiu abaixo de 1,6% ao ano).
O Brasil cortou a taxa Selic em 0,5% em 30 de maio de 2012, e o mercado projeta mais cortes nas próximas reuniões do BC.
Os países da Europa devem cortar as taxas de juro para estimular a economia para sair do fundo do poço. Há otimismo no mercado de que os governantes do mundo vão agir conjuntamente para estimular o crescimento econômico.
Janet Yellen, vice-chairman do FED, disse ontem que o lento crescimento do emprego e a deterioração do mercado financeiro mostram que a economia americana continua vulnerável aos retrocessos justificando estímulos adicionais.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Corte de taxa Selic
Em 30 de maio de 2012, o Banco Central decidiu de forma unânime pelo corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro, a Selic, que assim cai de 9% para 8,5% ao ano.
A taxa é a menor da história do país. Antes, o menor juro do Brasil havia sido de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010. A decisão foi tomada no primeiro encontro realizado sob a Lei de Acesso à Informação, que determina a transparência na administração pública.
O Banco Central afirma que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”.Além disso, “dada a fragilidade da economia global, a contribuição externa tem sido desinflacionária”. Não há temor de que os preços subam demais, mesmo com a alta recente do dólar. BC está preocupado com o efeito “dominó” da crise internacional no Brasil.
O fraco desempenho da economia brasileira está se refletindo em estoques elevados, ritmo lento de crescimento das atividades industriai e em demissões em algumas empresas. São sinais de que a economia deve demorar mais tempo que o imaginado para acelerar. O mercado aposta pela primeira vez que o país deve crescer menos de 3% neste ano. E, uma vez rompida a barreira de 8,75%, a queda da taxa Selic deve continuar.
A taxa é a menor da história do país. Antes, o menor juro do Brasil havia sido de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010. A decisão foi tomada no primeiro encontro realizado sob a Lei de Acesso à Informação, que determina a transparência na administração pública.
O Banco Central afirma que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”.Além disso, “dada a fragilidade da economia global, a contribuição externa tem sido desinflacionária”. Não há temor de que os preços subam demais, mesmo com a alta recente do dólar. BC está preocupado com o efeito “dominó” da crise internacional no Brasil.
O fraco desempenho da economia brasileira está se refletindo em estoques elevados, ritmo lento de crescimento das atividades industriai e em demissões em algumas empresas. São sinais de que a economia deve demorar mais tempo que o imaginado para acelerar. O mercado aposta pela primeira vez que o país deve crescer menos de 3% neste ano. E, uma vez rompida a barreira de 8,75%, a queda da taxa Selic deve continuar.
terça-feira, 29 de maio de 2012
O jogo de mahjong
Mahjong é o jogo mais popular da China e de outros países da Ásia.
Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.
Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.
Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.
Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.
Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.
Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Venda Descoberta
Jim Chanos, um investidor-especulador que é especialista em venda descoberta, alerta o mercado com as seguintes dicas: Petrobrás é uma ATM gigante para o governo brasileiro.
O governo, não a Petrobrás nem o mercado de petróleo, é quem determina os preços dos combustíveis. O governo protela o reajuste do preço da gasolina para não aumentar o índice de inflação, pouco importando o lucro da Petrobrás.
São alvos também para venda descoberta, as ações de bancos chineses, o ICBC, Bank of China, etc, dos quais o governo chinês é acionista majoritário. O Banco Central determina o requisito de reserva, o nível do compulsório e as taxas de juro (ultimamente o Banco Central do Brasil manda a Caixa Econômica e o Banco do Brasil cortar os juros, diminuindo o spread com a taxa Selic).
As políticas das empresas e dos bancos devem ser determinadas pelo mercado, não pelo governo. A obrigação primária dos dirigentes é com o lucro para os acionistas, longe das manobras do governo.
O governo, não a Petrobrás nem o mercado de petróleo, é quem determina os preços dos combustíveis. O governo protela o reajuste do preço da gasolina para não aumentar o índice de inflação, pouco importando o lucro da Petrobrás.
São alvos também para venda descoberta, as ações de bancos chineses, o ICBC, Bank of China, etc, dos quais o governo chinês é acionista majoritário. O Banco Central determina o requisito de reserva, o nível do compulsório e as taxas de juro (ultimamente o Banco Central do Brasil manda a Caixa Econômica e o Banco do Brasil cortar os juros, diminuindo o spread com a taxa Selic).
As políticas das empresas e dos bancos devem ser determinadas pelo mercado, não pelo governo. A obrigação primária dos dirigentes é com o lucro para os acionistas, longe das manobras do governo.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Sociedade de Consumo
Se, conforme Stephen Roach, citado no meu artigo anterior, a China está caminhando para se tornar uma sociedade de consumo (keynesiana), os investidores do mundo já estão atentos a esta transformação. Dos Estados Unidos, as exportações para a China, as aeronaves (Boeing) e equipamento de construção (Caterpillar) devem ter ritmo de crescimento menos acelerado e as vendas de soja e milho devem aumentar.
Do Brasil, as exportações para a China de minério de ferro, produtos siderúrgicos devem sofrer estagnação, e Brasil Foods, Marcopolo devem aumentar suas vendas para satisfazer a demanda dos consumidores. Para garantir acesso aos milhões de consumidores chineses, a Apple e a Walmart estão aumentando o número de lojas. É um negócio da China!
Do Brasil, as exportações para a China de minério de ferro, produtos siderúrgicos devem sofrer estagnação, e Brasil Foods, Marcopolo devem aumentar suas vendas para satisfazer a demanda dos consumidores. Para garantir acesso aos milhões de consumidores chineses, a Apple e a Walmart estão aumentando o número de lojas. É um negócio da China!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Entrevista com Stephen Roach
Stephen Roach, ex-chefe economista do Morgan Stanley, analisou a situação econômica e política da China numa entrevista na Bloomberg.
O Primeiro Ministro da China admitiu que a taxa de crescimento anual diminuiu para 7,5%, atingida pelo choque de demanda externa duas vezes nos últimos três anos – primeiro, dos Estados Unidos, e agora da Europa. A China deve mudar o modelo de crescimento para consumo interno. Essa transformação não será fácil pelo fato de que a política econômica orientada pela exportação tem sido um sucesso extraordinário nos últimos 32 anos.
Bo Xilai, membro do Poliburo, chefe do Partido Chongquing, advoga a ressurreição das empresas estatais e o poder do Estado em acelerar o crescimento econômico, em contraste com a reforma orientada para o mercado introduzido em 1990. Ultimamente, o governo central anunciou que a política do Partido Chongquing não é aceitável, e Bo Xilai foi para a rua.
Sobre a valorização do renminbi, que de fato subiu 30% desde 2005, Stephen Roach observou que embora o superávit chinês tenha diminuído a China ainda tem um grande superávit bilateral com os Estados Unidos. Isso é uma fonte de tensão contínua entre os dois países. Devemos lembrar que os Estados Unidos têm déficit comercial com 88 países. Não podemos culpar somente a China. Esse déficit comercial multilateral é devido ao fato de que os Estados Unidos deixam de poupar e dependem de importação de capital e poupança para crescer. Devemos deixar o mercado determinar os valores das moedas e reconhecer que a economia americana pós-crise precisa de uma nova fonte de crescimento. Exportação deveria ser a mais importante fonte de crescimento e a China é o nosso terceiro maior mercado de exportação. Devemos ter melhor acesso ao mercado chinês, especialmente quando eles se transformarem em uma sociedade de consumo. A China deve investir em infra-estrutura nas regiões central e oeste, para redistribuição de emprego, onde o salário é mais baixo. E a produtividade tem aumentado o suficiente para compensar o aumento de salário. Portanto a China continua muito competitiva. A China tem política consciente de aumento de salário, incrementando a renda pessoal para consumo.
É impressionante como a China opera com estratégia. Plano de 5 anos (já é o décimo segundo plana de 5 anos) é o roadmap (guia) de como eles querem dirigir a economia. Eles prometem e eles entregam.
O Primeiro Ministro da China admitiu que a taxa de crescimento anual diminuiu para 7,5%, atingida pelo choque de demanda externa duas vezes nos últimos três anos – primeiro, dos Estados Unidos, e agora da Europa. A China deve mudar o modelo de crescimento para consumo interno. Essa transformação não será fácil pelo fato de que a política econômica orientada pela exportação tem sido um sucesso extraordinário nos últimos 32 anos.
Bo Xilai, membro do Poliburo, chefe do Partido Chongquing, advoga a ressurreição das empresas estatais e o poder do Estado em acelerar o crescimento econômico, em contraste com a reforma orientada para o mercado introduzido em 1990. Ultimamente, o governo central anunciou que a política do Partido Chongquing não é aceitável, e Bo Xilai foi para a rua.
Sobre a valorização do renminbi, que de fato subiu 30% desde 2005, Stephen Roach observou que embora o superávit chinês tenha diminuído a China ainda tem um grande superávit bilateral com os Estados Unidos. Isso é uma fonte de tensão contínua entre os dois países. Devemos lembrar que os Estados Unidos têm déficit comercial com 88 países. Não podemos culpar somente a China. Esse déficit comercial multilateral é devido ao fato de que os Estados Unidos deixam de poupar e dependem de importação de capital e poupança para crescer. Devemos deixar o mercado determinar os valores das moedas e reconhecer que a economia americana pós-crise precisa de uma nova fonte de crescimento. Exportação deveria ser a mais importante fonte de crescimento e a China é o nosso terceiro maior mercado de exportação. Devemos ter melhor acesso ao mercado chinês, especialmente quando eles se transformarem em uma sociedade de consumo. A China deve investir em infra-estrutura nas regiões central e oeste, para redistribuição de emprego, onde o salário é mais baixo. E a produtividade tem aumentado o suficiente para compensar o aumento de salário. Portanto a China continua muito competitiva. A China tem política consciente de aumento de salário, incrementando a renda pessoal para consumo.
É impressionante como a China opera com estratégia. Plano de 5 anos (já é o décimo segundo plana de 5 anos) é o roadmap (guia) de como eles querem dirigir a economia. Eles prometem e eles entregam.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Comentários de Alexandre Garcia
Caro leitor, estou sem argumentos para contestar este ianque. Afinal, a moda nacional brasileira é a aparência. Cada vez mais vamos nos convencendo de que não é preciso ser, basta parecer ser. E, afinal, gastando muito, a gente aparenta ser rico. Realmente é difícil comparar esta grande nação chamada Eua que desde o seu descobrimento teve uma colonização de povoamento, com o nosso país que foi colônia de exploração por mais de 300 anos, com nossas riquezas sendo enviadas para Portugal. E hoje ainda sofremos com essa exploração, só que dos próprios governantes que pilham e enviam nossas riquezas para suas contas bancárias em paraísos fiscais. E não fizemos nada para promover uma mudança radical de atitudes, conceitos e afirmação de nossa dignidade. Precisamos sair deste comodismo que estamos vivendo ou o sonho do país do futuro será apenas um ideal na boca dos demagogos que estão no poder.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Quem é mais rico? O Brasil ou os Eua?
Carta recebida por Alexandre Garcia (da Rede Globo), enviada por um amigo americano:
“Caros amigos brasileiros e” ricaços “: vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pela água que consomem embora 25% da reserva mundial de água doce esteja no Brasil. Vocês pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade embora 95% da produção de energia seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, americanos pobres, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzida por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.
E por falar em petróleo, vocês brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade e que acaba com os motores dos carros (misturas para beneficiar os usineiros de álcool). Seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim têm preços tão elevados. Aqui nos Estados Unidos nós defendemos com unhas e dentes o preço de combustível que está estabilizado há anos em US$ 0,30. Gasolina pura, sem mistura.
E por falar em carro. Vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que custa R$ 20 mil nos Eua. Vocês dão de presente para o seu governo R$ 20 mil para gastar e não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços públicos nos Eua. Na Flórida, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS do Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil vocês são muito ricos, já que, afinal, concordam em pagar 18% só de ICMS.
E já que falamos em impostos. Eu não entendo porque vocês alegam serem pobres, se, afinal, vocês não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval. Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho. Um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.
Nós americanos somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta do imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil por mês, enquanto aí no Brasil, os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200. Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, antecipando o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos Eua, nós declaramos o IR apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, aí sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos.
Aí no Brasil vocês pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos Eua, nós, pobres de país americano, como não temos toda esta fortuna, mandamos nossos filhos para excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam um empréstimo pessoal no banco, pagam por mês o que nós, americanos pobres, pagamos por ano.
Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou R$ 2.500 pelo seguro do seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: vocês são podres de rico!!! Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345. Quando você me disse que também paga R$ 1.700 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo. Afinal quem é rico e quem é pobre?
Aí no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha???”.
“Caros amigos brasileiros e” ricaços “: vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pela água que consomem embora 25% da reserva mundial de água doce esteja no Brasil. Vocês pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade embora 95% da produção de energia seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, americanos pobres, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzida por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.
E por falar em petróleo, vocês brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade e que acaba com os motores dos carros (misturas para beneficiar os usineiros de álcool). Seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim têm preços tão elevados. Aqui nos Estados Unidos nós defendemos com unhas e dentes o preço de combustível que está estabilizado há anos em US$ 0,30. Gasolina pura, sem mistura.
E por falar em carro. Vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que custa R$ 20 mil nos Eua. Vocês dão de presente para o seu governo R$ 20 mil para gastar e não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços públicos nos Eua. Na Flórida, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS do Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil vocês são muito ricos, já que, afinal, concordam em pagar 18% só de ICMS.
E já que falamos em impostos. Eu não entendo porque vocês alegam serem pobres, se, afinal, vocês não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval. Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho. Um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.
Nós americanos somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta do imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil por mês, enquanto aí no Brasil, os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200. Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, antecipando o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos Eua, nós declaramos o IR apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, aí sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos.
Aí no Brasil vocês pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos Eua, nós, pobres de país americano, como não temos toda esta fortuna, mandamos nossos filhos para excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam um empréstimo pessoal no banco, pagam por mês o que nós, americanos pobres, pagamos por ano.
Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou R$ 2.500 pelo seguro do seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: vocês são podres de rico!!! Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345. Quando você me disse que também paga R$ 1.700 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo. Afinal quem é rico e quem é pobre?
Aí no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha???”.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Goodbye e Goodbuy
Nelson Bocaranda, colunista do Jornal El Universal de Caracas, Venezuela, revelou que Hugo Chávez tinha câncer cinco dias antes do Presidente venezuelano ter anunciado que os médicos de Cuba removeram um tumor de sua área pélvica. No dia 20 de fevereiro o colunista escreveu no Twitter que Chávez tinha viajado em segredo para Cuba para mais uma cirurgia. A especulação, antes negada pelos partidários de Chávez, foi confirmada pelo Presidente um dia depois.
Em semanas recentes, investidores têm comprado debêntures venezuelanas, especulando que Chávez está fraco demais para a campanha de reeleição, o que seria bom para a economia. O candidato de oposição, Henrique Radonski jurou que vai eliminar políticas como o controle de moeda (que já dura 13 anos), e que segundo ele é o culpado pela inflação galopante e a falta de leite e farinha. Os preços para os consumidores subiram 26% em janeiro, comparados com um ano atrás, a taxa mais acelerada entre 83 economias pesquisadas pelo Bloomberg.
As divulgações de Bocaranda causaram um rally nas debêntures venezuelanas. O rendimento das debêntures caiu 32 pontos básicos, para 11,55%, em menos de 4 horas de negociação em 21 de fevereiro, após Bocaranda noticiar que Chávez estava em Cuba. As debêntures venezuelanas subiram 30% desde a revelação da doença de Chávez há nove meses.
Ofereço este artigo apenas para ilustrar como os investidores espertos faturam até em cima da doença de um presidente de república.
Eu não compro bonds, nem gregos, nem venezuelanos.
Num artigo separado, Peter Oppenheimer, chefe “global equity”, estrategista da Goldman Sachs em Londres, escreveu: “como o MSCI World Index está negociando a 13,2 vezes o lucro projetado, após a queda de 7,6% em 2011, está na hora de dizer “goodbye” aos bonds e “good buy” às ações que devem embarcar numa tendência altista para os próximos anos. As perspectivas de lucro em ações (versus bonds) são tão boas quanto eles tinham sido há uma geração”.
Em semanas recentes, investidores têm comprado debêntures venezuelanas, especulando que Chávez está fraco demais para a campanha de reeleição, o que seria bom para a economia. O candidato de oposição, Henrique Radonski jurou que vai eliminar políticas como o controle de moeda (que já dura 13 anos), e que segundo ele é o culpado pela inflação galopante e a falta de leite e farinha. Os preços para os consumidores subiram 26% em janeiro, comparados com um ano atrás, a taxa mais acelerada entre 83 economias pesquisadas pelo Bloomberg.
As divulgações de Bocaranda causaram um rally nas debêntures venezuelanas. O rendimento das debêntures caiu 32 pontos básicos, para 11,55%, em menos de 4 horas de negociação em 21 de fevereiro, após Bocaranda noticiar que Chávez estava em Cuba. As debêntures venezuelanas subiram 30% desde a revelação da doença de Chávez há nove meses.
Ofereço este artigo apenas para ilustrar como os investidores espertos faturam até em cima da doença de um presidente de república.
Eu não compro bonds, nem gregos, nem venezuelanos.
Num artigo separado, Peter Oppenheimer, chefe “global equity”, estrategista da Goldman Sachs em Londres, escreveu: “como o MSCI World Index está negociando a 13,2 vezes o lucro projetado, após a queda de 7,6% em 2011, está na hora de dizer “goodbye” aos bonds e “good buy” às ações que devem embarcar numa tendência altista para os próximos anos. As perspectivas de lucro em ações (versus bonds) são tão boas quanto eles tinham sido há uma geração”.
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