Apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional, o governo e a Petrobrás, no curso de 2012, protelavam o aumento de preços dos combustíveis para frear a taxa de inflação. O preço da ação da Petrobrás caiu vertiginosamente na Bovespa, arrastando a bolsa toda para baixo.
No final de junho, o governo decretou um pequeno aumento no preço dos combustíveis e compensou o aumento com uma redução de imposto sobre o mesmo, aliviando um pouco o impacto sobre o bolso do consumidor. O mercado achou a medida tímida e derrubou ainda mais o preço de Petrobrás.
Em 12 de julho de 2012, Petrobrás anunciou um reajuste de 6% no preço do diesel nas refinarias a partir de 16 de julho. Na sexta-feira, 13 de julho, os papéis da estatal dispararam 5,63% (ON) e 5,22 % (PN). Também pesou a boa performance do petróleo no mercado internacional, em Nova York e Londres. A alta de Petrobrás é atribuída à percepção do mercado de que, doravante, a empresa estatal deve equiparar os preços de combustíveis com o mercado internacional. Afinal de contas, o Brasil não é a Venezuela. A estatal não deve manipular os preços como achar conveniente.
É difícil ler a mente do governo. Talvez nem o governo saiba como tratar os preços dos combustíveis. Num mercado livre, os preços para os consumidores são o preço internacional multiplicado pela taxa de cambio, mais frete, custo de distribuição e uma pequena margem para os postos. Numa empresa de monopólio estatal, o governo tem que pensar como os preços dos combustíveis afetam a inflação. Com a inflação em alta, o governo deixa de ajustar os preços dos combustíveis. Com a deflação, o governo reajusta os preços que estavam atrasados. No passado o governo já praticou tabelamento de preços, o que criou mercado paralelo, greve e outras complexidades.
Não acredito que o Brasil vai equiparar os preços dos combustíveis com o mercado internacional como regra do jogo. Às vezes, equiparar, às vezes não. O governo e a Petrobrás dançam conforme a musica e os acionistas minoritários sofrem as conseqüências.
Como consumidor, cidadão brasileiro e economista, defendo que os preços dos combustíveis devem se alinhar com os preços internacionais, sem interferência do governo, num mercado livre, regido pela oferta e procura. Como praticado nos paises desenvolvidos.
terça-feira, 17 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Happy Hour com cachaça
Há anos, numa viagem para Beijing, visitamos um bar no Hotel Hyatt. Um garçom veio nos atender.
“Sir, what would you like to drink?”
Eu respondi: “Do you have caipirinha?”, na expectativa de uma resposta: “não conhecemos essa bebida”. Surpreendentemente, ele perguntou: “with vodka or cachaça?”
Sentamos num sofá confortável, na frente de uma orquestra tocando música popular com violino e instrumentos chineses. Um “happy hour” perfeito com caipirinhas de vodka e cachaça.
Diageo PLC é a companhia inglesa que produz, destila e comercializa com franquia exclusiva para mais de 180 países do mundo todos os tipos de bebidas alcoólicas como uísque Johnnie Walker, Vodka Smirnoff, tequilas, gins e cervejas.
Em 28 de maio, 2012, Diageo comprou a empresa Ypióca, do Ceará, com pagamento em dinheiro e ações. Ypióca é o mais famos produtor de cachaça, que inaugurou, com grande festa, o mais completo museu da cachaça do mundo, localizado na primeira unidade fabril da Ypióca, em Maranguape. Diageo tinha todas as linhas de produtos alcoólicos, e com o copo cheio de gelo e limão, só faltava a cachaça.
Com a compra da Ypióca, Diageo abre o caminho para exportar cachaça para todos os cantos do mundo, melhorar o balanço de pagamento do Brasil, e aumentar a receita e lucro da Diageo. De abril de 2009 até junho de 2012, a ADR de Diageo (DEO) subiu 100% (de $47,85 para $95,34). O mercado projeta maiores lucros nos anos vindouros.
Como Ambev e Souza Cruz, o ramo de negócio da Diageo é vício, que não conhece recessão. Quanto pior o mundo, a gente mais bebe.
“Sir, what would you like to drink?”
Eu respondi: “Do you have caipirinha?”, na expectativa de uma resposta: “não conhecemos essa bebida”. Surpreendentemente, ele perguntou: “with vodka or cachaça?”
Sentamos num sofá confortável, na frente de uma orquestra tocando música popular com violino e instrumentos chineses. Um “happy hour” perfeito com caipirinhas de vodka e cachaça.
Diageo PLC é a companhia inglesa que produz, destila e comercializa com franquia exclusiva para mais de 180 países do mundo todos os tipos de bebidas alcoólicas como uísque Johnnie Walker, Vodka Smirnoff, tequilas, gins e cervejas.
Em 28 de maio, 2012, Diageo comprou a empresa Ypióca, do Ceará, com pagamento em dinheiro e ações. Ypióca é o mais famos produtor de cachaça, que inaugurou, com grande festa, o mais completo museu da cachaça do mundo, localizado na primeira unidade fabril da Ypióca, em Maranguape. Diageo tinha todas as linhas de produtos alcoólicos, e com o copo cheio de gelo e limão, só faltava a cachaça.
Com a compra da Ypióca, Diageo abre o caminho para exportar cachaça para todos os cantos do mundo, melhorar o balanço de pagamento do Brasil, e aumentar a receita e lucro da Diageo. De abril de 2009 até junho de 2012, a ADR de Diageo (DEO) subiu 100% (de $47,85 para $95,34). O mercado projeta maiores lucros nos anos vindouros.
Como Ambev e Souza Cruz, o ramo de negócio da Diageo é vício, que não conhece recessão. Quanto pior o mundo, a gente mais bebe.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Fundo ON
Há anos eu tinha a idéia de montar um fundo de ações denominado Fundo ON, composto das ações do Bovespa, com 75% em ações ordinárias (ON) e 25% em ações preferenciais (PN).
A predominância de ações ordinárias é devido ao privilégio de “tag along” no caso de fusão ou “buy out”, o direito de voto, embora receba menos dividendos do que ações PN. Muitas vezes, ações ON são mais baratas do que ações PN devido à sua menor liquidez.
A idéia do Fundo ON ainda é válida hoje. A carteira seria composta das seguintes ações ON:
Souza Cruz ON e Ambev ON – Ações de pecado, que não sofrem com a recessão. Ambas são monopólios no cigarro e na cerveja (Ambev ON é ainda mais barata do que Ambev PN)
Sabesp ON – monopólio de água no estado de São Paulo
Braskem ON (BRKM3) – monopólio na petroquímica, 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que Braskem PN
Siderúrgica Nacional (CSNA3) – hoje está cotada a preço de banana
BMFBovespa ON (BVMF3) – a receita e o lucro devem melhorar com a alta da bolsa
Telefônica Brasil ON (VIVT3) – 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que a PN. Bom dividendo
Banco do Brasil ON (BBAS3) – o papel tem caído demais com as sucessivas quedas de juro, especulo uma estabilidade e eventual recuperação a longo prazo
Petrobrás e Vale – não recomendo os papéis ON que são mais caros do que as ações PN. Essas empresas gigantes não serão alvos de take over. Compro esses papéis PN para integrar no portfólio de 25% das ações preferenciais.
Durante os anos de convivência com o mercado acionário fui bem remunerado com o fechamento de capital de White Martins ON, Vidraria Santa Marina ON, Vivo ON, etc.
Nos últimos anos, as empresas brasileiras que abriram o capital têm lançado ações ON a exemplo do mercado europeu, americano e australiano.
A predominância de ações ordinárias é devido ao privilégio de “tag along” no caso de fusão ou “buy out”, o direito de voto, embora receba menos dividendos do que ações PN. Muitas vezes, ações ON são mais baratas do que ações PN devido à sua menor liquidez.
A idéia do Fundo ON ainda é válida hoje. A carteira seria composta das seguintes ações ON:
Souza Cruz ON e Ambev ON – Ações de pecado, que não sofrem com a recessão. Ambas são monopólios no cigarro e na cerveja (Ambev ON é ainda mais barata do que Ambev PN)
Sabesp ON – monopólio de água no estado de São Paulo
Braskem ON (BRKM3) – monopólio na petroquímica, 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que Braskem PN
Siderúrgica Nacional (CSNA3) – hoje está cotada a preço de banana
BMFBovespa ON (BVMF3) – a receita e o lucro devem melhorar com a alta da bolsa
Telefônica Brasil ON (VIVT3) – 10% mais barata, porém com bem menos liquidez do que a PN. Bom dividendo
Banco do Brasil ON (BBAS3) – o papel tem caído demais com as sucessivas quedas de juro, especulo uma estabilidade e eventual recuperação a longo prazo
Petrobrás e Vale – não recomendo os papéis ON que são mais caros do que as ações PN. Essas empresas gigantes não serão alvos de take over. Compro esses papéis PN para integrar no portfólio de 25% das ações preferenciais.
Durante os anos de convivência com o mercado acionário fui bem remunerado com o fechamento de capital de White Martins ON, Vidraria Santa Marina ON, Vivo ON, etc.
Nos últimos anos, as empresas brasileiras que abriram o capital têm lançado ações ON a exemplo do mercado europeu, americano e australiano.
terça-feira, 12 de junho de 2012
China corta a taxa de juro
Em 7 de junho de 2012 a China baixou em 0,5% a taxa de juro pela primeira vez desde 2008, respondendo à baixa taxa anual de crescimento da economia de “apenas” 8,1%.
O mercado especula que uma vez começado o corte, haverá mais cortes daqui para frente. E, num efeito dominó, o corte se estenderá a outros países do mundo. Os Estados Unidos não têm como cortar mais o juro, já que o juro está zero (ultimamente, o yield do Treasury Bond de 10 anos caiu abaixo de 1,6% ao ano).
O Brasil cortou a taxa Selic em 0,5% em 30 de maio de 2012, e o mercado projeta mais cortes nas próximas reuniões do BC.
Os países da Europa devem cortar as taxas de juro para estimular a economia para sair do fundo do poço. Há otimismo no mercado de que os governantes do mundo vão agir conjuntamente para estimular o crescimento econômico.
Janet Yellen, vice-chairman do FED, disse ontem que o lento crescimento do emprego e a deterioração do mercado financeiro mostram que a economia americana continua vulnerável aos retrocessos justificando estímulos adicionais.
O mercado especula que uma vez começado o corte, haverá mais cortes daqui para frente. E, num efeito dominó, o corte se estenderá a outros países do mundo. Os Estados Unidos não têm como cortar mais o juro, já que o juro está zero (ultimamente, o yield do Treasury Bond de 10 anos caiu abaixo de 1,6% ao ano).
O Brasil cortou a taxa Selic em 0,5% em 30 de maio de 2012, e o mercado projeta mais cortes nas próximas reuniões do BC.
Os países da Europa devem cortar as taxas de juro para estimular a economia para sair do fundo do poço. Há otimismo no mercado de que os governantes do mundo vão agir conjuntamente para estimular o crescimento econômico.
Janet Yellen, vice-chairman do FED, disse ontem que o lento crescimento do emprego e a deterioração do mercado financeiro mostram que a economia americana continua vulnerável aos retrocessos justificando estímulos adicionais.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Corte de taxa Selic
Em 30 de maio de 2012, o Banco Central decidiu de forma unânime pelo corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juro, a Selic, que assim cai de 9% para 8,5% ao ano.
A taxa é a menor da história do país. Antes, o menor juro do Brasil havia sido de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010. A decisão foi tomada no primeiro encontro realizado sob a Lei de Acesso à Informação, que determina a transparência na administração pública.
O Banco Central afirma que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”.Além disso, “dada a fragilidade da economia global, a contribuição externa tem sido desinflacionária”. Não há temor de que os preços subam demais, mesmo com a alta recente do dólar. BC está preocupado com o efeito “dominó” da crise internacional no Brasil.
O fraco desempenho da economia brasileira está se refletindo em estoques elevados, ritmo lento de crescimento das atividades industriai e em demissões em algumas empresas. São sinais de que a economia deve demorar mais tempo que o imaginado para acelerar. O mercado aposta pela primeira vez que o país deve crescer menos de 3% neste ano. E, uma vez rompida a barreira de 8,75%, a queda da taxa Selic deve continuar.
A taxa é a menor da história do país. Antes, o menor juro do Brasil havia sido de 8,75%, entre julho de 2009 e abril de 2010. A decisão foi tomada no primeiro encontro realizado sob a Lei de Acesso à Informação, que determina a transparência na administração pública.
O Banco Central afirma que “neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação”.Além disso, “dada a fragilidade da economia global, a contribuição externa tem sido desinflacionária”. Não há temor de que os preços subam demais, mesmo com a alta recente do dólar. BC está preocupado com o efeito “dominó” da crise internacional no Brasil.
O fraco desempenho da economia brasileira está se refletindo em estoques elevados, ritmo lento de crescimento das atividades industriai e em demissões em algumas empresas. São sinais de que a economia deve demorar mais tempo que o imaginado para acelerar. O mercado aposta pela primeira vez que o país deve crescer menos de 3% neste ano. E, uma vez rompida a barreira de 8,75%, a queda da taxa Selic deve continuar.
terça-feira, 29 de maio de 2012
O jogo de mahjong
Mahjong é o jogo mais popular da China e de outros países da Ásia.
Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.
Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.
Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.
Sentam-se quatro pessoas na mesa, cada uma pega suas cartas (pedrinhas), arrumam - as em seqüência, busca uma nova pedrinha substituindo outra e melhorando o perfil até se conseguir uma boa seqüência. Pronto, bateu, ganhou dos três companheiros. Pagam, o ganhador recebe, e o jogo prossegue.
Mahjong faz o jogador relaxar, esquecer os problemas da vida. O jogo tem uma função terapêutica.
Durante o jogo é possível observar se a pessoa é hesitante, gananciosa, calma ou nervosa. Muitas vezes, a sogra escolhe o genro pela forma inteligente que joga. Se é calmo, de bom comportamento, sem se queixar das cartas ou da vida; se ganha ou perde com dignidade e bom humor. Na semana seguinte, a dona de casa convida o rapaz para jogar na mesma mesa que a sua filha. No final, o jogo abre caminho para namoro e casamento.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Venda Descoberta
Jim Chanos, um investidor-especulador que é especialista em venda descoberta, alerta o mercado com as seguintes dicas: Petrobrás é uma ATM gigante para o governo brasileiro.
O governo, não a Petrobrás nem o mercado de petróleo, é quem determina os preços dos combustíveis. O governo protela o reajuste do preço da gasolina para não aumentar o índice de inflação, pouco importando o lucro da Petrobrás.
São alvos também para venda descoberta, as ações de bancos chineses, o ICBC, Bank of China, etc, dos quais o governo chinês é acionista majoritário. O Banco Central determina o requisito de reserva, o nível do compulsório e as taxas de juro (ultimamente o Banco Central do Brasil manda a Caixa Econômica e o Banco do Brasil cortar os juros, diminuindo o spread com a taxa Selic).
As políticas das empresas e dos bancos devem ser determinadas pelo mercado, não pelo governo. A obrigação primária dos dirigentes é com o lucro para os acionistas, longe das manobras do governo.
O governo, não a Petrobrás nem o mercado de petróleo, é quem determina os preços dos combustíveis. O governo protela o reajuste do preço da gasolina para não aumentar o índice de inflação, pouco importando o lucro da Petrobrás.
São alvos também para venda descoberta, as ações de bancos chineses, o ICBC, Bank of China, etc, dos quais o governo chinês é acionista majoritário. O Banco Central determina o requisito de reserva, o nível do compulsório e as taxas de juro (ultimamente o Banco Central do Brasil manda a Caixa Econômica e o Banco do Brasil cortar os juros, diminuindo o spread com a taxa Selic).
As políticas das empresas e dos bancos devem ser determinadas pelo mercado, não pelo governo. A obrigação primária dos dirigentes é com o lucro para os acionistas, longe das manobras do governo.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Sociedade de Consumo
Se, conforme Stephen Roach, citado no meu artigo anterior, a China está caminhando para se tornar uma sociedade de consumo (keynesiana), os investidores do mundo já estão atentos a esta transformação. Dos Estados Unidos, as exportações para a China, as aeronaves (Boeing) e equipamento de construção (Caterpillar) devem ter ritmo de crescimento menos acelerado e as vendas de soja e milho devem aumentar.
Do Brasil, as exportações para a China de minério de ferro, produtos siderúrgicos devem sofrer estagnação, e Brasil Foods, Marcopolo devem aumentar suas vendas para satisfazer a demanda dos consumidores. Para garantir acesso aos milhões de consumidores chineses, a Apple e a Walmart estão aumentando o número de lojas. É um negócio da China!
Do Brasil, as exportações para a China de minério de ferro, produtos siderúrgicos devem sofrer estagnação, e Brasil Foods, Marcopolo devem aumentar suas vendas para satisfazer a demanda dos consumidores. Para garantir acesso aos milhões de consumidores chineses, a Apple e a Walmart estão aumentando o número de lojas. É um negócio da China!
terça-feira, 1 de maio de 2012
Entrevista com Stephen Roach
Stephen Roach, ex-chefe economista do Morgan Stanley, analisou a situação econômica e política da China numa entrevista na Bloomberg.
O Primeiro Ministro da China admitiu que a taxa de crescimento anual diminuiu para 7,5%, atingida pelo choque de demanda externa duas vezes nos últimos três anos – primeiro, dos Estados Unidos, e agora da Europa. A China deve mudar o modelo de crescimento para consumo interno. Essa transformação não será fácil pelo fato de que a política econômica orientada pela exportação tem sido um sucesso extraordinário nos últimos 32 anos.
Bo Xilai, membro do Poliburo, chefe do Partido Chongquing, advoga a ressurreição das empresas estatais e o poder do Estado em acelerar o crescimento econômico, em contraste com a reforma orientada para o mercado introduzido em 1990. Ultimamente, o governo central anunciou que a política do Partido Chongquing não é aceitável, e Bo Xilai foi para a rua.
Sobre a valorização do renminbi, que de fato subiu 30% desde 2005, Stephen Roach observou que embora o superávit chinês tenha diminuído a China ainda tem um grande superávit bilateral com os Estados Unidos. Isso é uma fonte de tensão contínua entre os dois países. Devemos lembrar que os Estados Unidos têm déficit comercial com 88 países. Não podemos culpar somente a China. Esse déficit comercial multilateral é devido ao fato de que os Estados Unidos deixam de poupar e dependem de importação de capital e poupança para crescer. Devemos deixar o mercado determinar os valores das moedas e reconhecer que a economia americana pós-crise precisa de uma nova fonte de crescimento. Exportação deveria ser a mais importante fonte de crescimento e a China é o nosso terceiro maior mercado de exportação. Devemos ter melhor acesso ao mercado chinês, especialmente quando eles se transformarem em uma sociedade de consumo. A China deve investir em infra-estrutura nas regiões central e oeste, para redistribuição de emprego, onde o salário é mais baixo. E a produtividade tem aumentado o suficiente para compensar o aumento de salário. Portanto a China continua muito competitiva. A China tem política consciente de aumento de salário, incrementando a renda pessoal para consumo.
É impressionante como a China opera com estratégia. Plano de 5 anos (já é o décimo segundo plana de 5 anos) é o roadmap (guia) de como eles querem dirigir a economia. Eles prometem e eles entregam.
O Primeiro Ministro da China admitiu que a taxa de crescimento anual diminuiu para 7,5%, atingida pelo choque de demanda externa duas vezes nos últimos três anos – primeiro, dos Estados Unidos, e agora da Europa. A China deve mudar o modelo de crescimento para consumo interno. Essa transformação não será fácil pelo fato de que a política econômica orientada pela exportação tem sido um sucesso extraordinário nos últimos 32 anos.
Bo Xilai, membro do Poliburo, chefe do Partido Chongquing, advoga a ressurreição das empresas estatais e o poder do Estado em acelerar o crescimento econômico, em contraste com a reforma orientada para o mercado introduzido em 1990. Ultimamente, o governo central anunciou que a política do Partido Chongquing não é aceitável, e Bo Xilai foi para a rua.
Sobre a valorização do renminbi, que de fato subiu 30% desde 2005, Stephen Roach observou que embora o superávit chinês tenha diminuído a China ainda tem um grande superávit bilateral com os Estados Unidos. Isso é uma fonte de tensão contínua entre os dois países. Devemos lembrar que os Estados Unidos têm déficit comercial com 88 países. Não podemos culpar somente a China. Esse déficit comercial multilateral é devido ao fato de que os Estados Unidos deixam de poupar e dependem de importação de capital e poupança para crescer. Devemos deixar o mercado determinar os valores das moedas e reconhecer que a economia americana pós-crise precisa de uma nova fonte de crescimento. Exportação deveria ser a mais importante fonte de crescimento e a China é o nosso terceiro maior mercado de exportação. Devemos ter melhor acesso ao mercado chinês, especialmente quando eles se transformarem em uma sociedade de consumo. A China deve investir em infra-estrutura nas regiões central e oeste, para redistribuição de emprego, onde o salário é mais baixo. E a produtividade tem aumentado o suficiente para compensar o aumento de salário. Portanto a China continua muito competitiva. A China tem política consciente de aumento de salário, incrementando a renda pessoal para consumo.
É impressionante como a China opera com estratégia. Plano de 5 anos (já é o décimo segundo plana de 5 anos) é o roadmap (guia) de como eles querem dirigir a economia. Eles prometem e eles entregam.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Comentários de Alexandre Garcia
Caro leitor, estou sem argumentos para contestar este ianque. Afinal, a moda nacional brasileira é a aparência. Cada vez mais vamos nos convencendo de que não é preciso ser, basta parecer ser. E, afinal, gastando muito, a gente aparenta ser rico. Realmente é difícil comparar esta grande nação chamada Eua que desde o seu descobrimento teve uma colonização de povoamento, com o nosso país que foi colônia de exploração por mais de 300 anos, com nossas riquezas sendo enviadas para Portugal. E hoje ainda sofremos com essa exploração, só que dos próprios governantes que pilham e enviam nossas riquezas para suas contas bancárias em paraísos fiscais. E não fizemos nada para promover uma mudança radical de atitudes, conceitos e afirmação de nossa dignidade. Precisamos sair deste comodismo que estamos vivendo ou o sonho do país do futuro será apenas um ideal na boca dos demagogos que estão no poder.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Quem é mais rico? O Brasil ou os Eua?
Carta recebida por Alexandre Garcia (da Rede Globo), enviada por um amigo americano:
“Caros amigos brasileiros e” ricaços “: vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pela água que consomem embora 25% da reserva mundial de água doce esteja no Brasil. Vocês pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade embora 95% da produção de energia seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, americanos pobres, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzida por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.
E por falar em petróleo, vocês brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade e que acaba com os motores dos carros (misturas para beneficiar os usineiros de álcool). Seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim têm preços tão elevados. Aqui nos Estados Unidos nós defendemos com unhas e dentes o preço de combustível que está estabilizado há anos em US$ 0,30. Gasolina pura, sem mistura.
E por falar em carro. Vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que custa R$ 20 mil nos Eua. Vocês dão de presente para o seu governo R$ 20 mil para gastar e não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços públicos nos Eua. Na Flórida, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS do Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil vocês são muito ricos, já que, afinal, concordam em pagar 18% só de ICMS.
E já que falamos em impostos. Eu não entendo porque vocês alegam serem pobres, se, afinal, vocês não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval. Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho. Um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.
Nós americanos somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta do imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil por mês, enquanto aí no Brasil, os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200. Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, antecipando o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos Eua, nós declaramos o IR apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, aí sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos.
Aí no Brasil vocês pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos Eua, nós, pobres de país americano, como não temos toda esta fortuna, mandamos nossos filhos para excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam um empréstimo pessoal no banco, pagam por mês o que nós, americanos pobres, pagamos por ano.
Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou R$ 2.500 pelo seguro do seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: vocês são podres de rico!!! Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345. Quando você me disse que também paga R$ 1.700 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo. Afinal quem é rico e quem é pobre?
Aí no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha???”.
“Caros amigos brasileiros e” ricaços “: vocês brasileiros pagam o dobro do que os americanos pela água que consomem embora 25% da reserva mundial de água doce esteja no Brasil. Vocês pagam 60% a mais nas tarifas de telefone e eletricidade embora 95% da produção de energia seja hidrelétrica (mais barata e não poluente). Enquanto nós, americanos pobres, somente podemos pagar pela energia altamente poluente, produzida por usinas termelétricas à base de carvão e petróleo e as perigosas usinas nucleares.
E por falar em petróleo, vocês brasileiros pagam o dobro pela gasolina, que ainda por cima é de má qualidade e que acaba com os motores dos carros (misturas para beneficiar os usineiros de álcool). Seu país é quase auto-suficiente em produção de petróleo (75% é produzido aí) e ainda assim têm preços tão elevados. Aqui nos Estados Unidos nós defendemos com unhas e dentes o preço de combustível que está estabilizado há anos em US$ 0,30. Gasolina pura, sem mistura.
E por falar em carro. Vocês brasileiros pagam R$ 40 mil por um carro que custa R$ 20 mil nos Eua. Vocês dão de presente para o seu governo R$ 20 mil para gastar e não se sabe com que e nem aonde, já que os serviços públicos no Brasil são um lixo perto dos serviços públicos nos Eua. Na Flórida, nós somos muito pobres; o governo estadual cobra apenas 2% de imposto sobre o valor agregado (equivalente ao ICMS do Brasil), e mais 4% de imposto federal, o que dá um total de 6%. No Brasil vocês são muito ricos, já que, afinal, concordam em pagar 18% só de ICMS.
E já que falamos em impostos. Eu não entendo porque vocês alegam serem pobres, se, afinal, vocês não se importam em pagar, além desse absurdo ICMS, mais PIS, COFINS, CPMF, ISS, IPTU, IR, ITR e outras dezenas de impostos, taxas e contribuições, em geral com efeito cascata, de imposto sobre imposto, e ainda assim fazem festa em estádios de futebol e nas passarelas de Carnaval. Sinal de que não se incomodam com esse confisco maligno que o governo promove, lhes tirando 4 meses por ano de seu suado trabalho. Um brasileiro trabalha 4 meses por ano somente para pagar a carga tributária de impostos diretos e indiretos.
Nós americanos somos extremamente pobres, tanto que o governo isenta do imposto de renda todos que ganham menos de US$ 3 mil por mês, enquanto aí no Brasil, os assalariados devem viver muito bem, pois pagam imposto de renda todos que ganham a partir de R$ 1.200. Além disso, vocês têm desconto retido na fonte, antecipando o imposto para o governo, sem saber se vão ter renda até o final do ano. Aqui nos Eua, nós declaramos o IR apenas no final do ano, e caso tenhamos tido renda, aí sim recolhemos o valor devido aos cofres públicos.
Aí no Brasil vocês pagam escolas e livros para seus filhos, porque afinal, devem nadar em dinheiro, e aqui nos Eua, nós, pobres de país americano, como não temos toda esta fortuna, mandamos nossos filhos para excelentes escolas públicas com livros gratuitos. Vocês, ricaços do Brasil, quando tomam um empréstimo pessoal no banco, pagam por mês o que nós, americanos pobres, pagamos por ano.
Caro amigo brasileiro, quando você me contou que pagou R$ 2.500 pelo seguro do seu carro, aí sim eu confirmei a minha tese: vocês são podres de rico!!! Por meu carro grande e luxuoso, eu pago US$ 345. Quando você me disse que também paga R$ 1.700 de IPVA pelo seu carro, não tive mais dúvidas. Nós pagamos apenas US$ 15 de licenciamento anual, não importando qual o tipo de veículo. Afinal quem é rico e quem é pobre?
Aí no Brasil, 20% da população economicamente ativa não trabalha. Aqui não podemos nos dar ao luxo de sustentar além de 4% da população que está desempregada. Não é mais rico quem pode sustentar mais gente que não trabalha???”.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Goodbye e Goodbuy
Nelson Bocaranda, colunista do Jornal El Universal de Caracas, Venezuela, revelou que Hugo Chávez tinha câncer cinco dias antes do Presidente venezuelano ter anunciado que os médicos de Cuba removeram um tumor de sua área pélvica. No dia 20 de fevereiro o colunista escreveu no Twitter que Chávez tinha viajado em segredo para Cuba para mais uma cirurgia. A especulação, antes negada pelos partidários de Chávez, foi confirmada pelo Presidente um dia depois.
Em semanas recentes, investidores têm comprado debêntures venezuelanas, especulando que Chávez está fraco demais para a campanha de reeleição, o que seria bom para a economia. O candidato de oposição, Henrique Radonski jurou que vai eliminar políticas como o controle de moeda (que já dura 13 anos), e que segundo ele é o culpado pela inflação galopante e a falta de leite e farinha. Os preços para os consumidores subiram 26% em janeiro, comparados com um ano atrás, a taxa mais acelerada entre 83 economias pesquisadas pelo Bloomberg.
As divulgações de Bocaranda causaram um rally nas debêntures venezuelanas. O rendimento das debêntures caiu 32 pontos básicos, para 11,55%, em menos de 4 horas de negociação em 21 de fevereiro, após Bocaranda noticiar que Chávez estava em Cuba. As debêntures venezuelanas subiram 30% desde a revelação da doença de Chávez há nove meses.
Ofereço este artigo apenas para ilustrar como os investidores espertos faturam até em cima da doença de um presidente de república.
Eu não compro bonds, nem gregos, nem venezuelanos.
Num artigo separado, Peter Oppenheimer, chefe “global equity”, estrategista da Goldman Sachs em Londres, escreveu: “como o MSCI World Index está negociando a 13,2 vezes o lucro projetado, após a queda de 7,6% em 2011, está na hora de dizer “goodbye” aos bonds e “good buy” às ações que devem embarcar numa tendência altista para os próximos anos. As perspectivas de lucro em ações (versus bonds) são tão boas quanto eles tinham sido há uma geração”.
Em semanas recentes, investidores têm comprado debêntures venezuelanas, especulando que Chávez está fraco demais para a campanha de reeleição, o que seria bom para a economia. O candidato de oposição, Henrique Radonski jurou que vai eliminar políticas como o controle de moeda (que já dura 13 anos), e que segundo ele é o culpado pela inflação galopante e a falta de leite e farinha. Os preços para os consumidores subiram 26% em janeiro, comparados com um ano atrás, a taxa mais acelerada entre 83 economias pesquisadas pelo Bloomberg.
As divulgações de Bocaranda causaram um rally nas debêntures venezuelanas. O rendimento das debêntures caiu 32 pontos básicos, para 11,55%, em menos de 4 horas de negociação em 21 de fevereiro, após Bocaranda noticiar que Chávez estava em Cuba. As debêntures venezuelanas subiram 30% desde a revelação da doença de Chávez há nove meses.
Ofereço este artigo apenas para ilustrar como os investidores espertos faturam até em cima da doença de um presidente de república.
Eu não compro bonds, nem gregos, nem venezuelanos.
Num artigo separado, Peter Oppenheimer, chefe “global equity”, estrategista da Goldman Sachs em Londres, escreveu: “como o MSCI World Index está negociando a 13,2 vezes o lucro projetado, após a queda de 7,6% em 2011, está na hora de dizer “goodbye” aos bonds e “good buy” às ações que devem embarcar numa tendência altista para os próximos anos. As perspectivas de lucro em ações (versus bonds) são tão boas quanto eles tinham sido há uma geração”.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Especulações e previsões
No meu blog, em fim de janeiro de 2012, especulei que Coréia do Norte, sob o comando do jovem líder Kim Jong Um, deve iniciar algumas reformas no campo político-econômico do país.
Em fim de fevereiro, um acordo foi anunciado entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos de que o regime comunista paralisa o desenvolvimento de armas nucleares e lançamento de mísseis em troca de 240 mil toneladas de alimentos fornecidos pelos EUA. Como tática de negociação, os diplomatas americanos precisaram reforçar repetidas vezes que os EUA não tinham interesse em derrubar o regime. A Secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que o acordo representa um passo modesto na direção correta.
O acordo foi assinado em Pequim. No xadrez diplomático da negociação com a Coréia do Norte, EUA e Europa jogam do mesmo lado da China, que foi fundamental para a costura do acordo. Os chineses não têm interesse algum em ver, na sua vizinhança, mais uma nação armada com a bomba atômica – bastam Índia e Paquistão.
Um dos maiores prazeres da vida profissional é quando ocorre um evento que você previu. Claro, o prazer é maior ainda se o evento previsto beneficia a economia, a sociedade e o mundo, tal como cessar fogo, queda de regime ditatorial, queda de juro, alta da bolsa. Não tem nenhuma graça se a previsão acerta eventos como terremoto e tsumani, guerra e destruição, doença e morte.
Minhas outras previsões são a queda do regime da Síria, o bombardeamento de Israel sobre as instalações nucleares do Irã e a reeleição de Barack Obama. Especulação não deixa de ser um bom passatempo.
Em fim de fevereiro, um acordo foi anunciado entre a Coréia do Norte e os Estados Unidos de que o regime comunista paralisa o desenvolvimento de armas nucleares e lançamento de mísseis em troca de 240 mil toneladas de alimentos fornecidos pelos EUA. Como tática de negociação, os diplomatas americanos precisaram reforçar repetidas vezes que os EUA não tinham interesse em derrubar o regime. A Secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que o acordo representa um passo modesto na direção correta.
O acordo foi assinado em Pequim. No xadrez diplomático da negociação com a Coréia do Norte, EUA e Europa jogam do mesmo lado da China, que foi fundamental para a costura do acordo. Os chineses não têm interesse algum em ver, na sua vizinhança, mais uma nação armada com a bomba atômica – bastam Índia e Paquistão.
Um dos maiores prazeres da vida profissional é quando ocorre um evento que você previu. Claro, o prazer é maior ainda se o evento previsto beneficia a economia, a sociedade e o mundo, tal como cessar fogo, queda de regime ditatorial, queda de juro, alta da bolsa. Não tem nenhuma graça se a previsão acerta eventos como terremoto e tsumani, guerra e destruição, doença e morte.
Minhas outras previsões são a queda do regime da Síria, o bombardeamento de Israel sobre as instalações nucleares do Irã e a reeleição de Barack Obama. Especulação não deixa de ser um bom passatempo.
terça-feira, 13 de março de 2012
Bonds – “shorter is better”
Steve McDonald, bond expert do Oxford Club, oferece o seguinte artigo sobre bonds americanos – treasury ou corporate.
Quando sobe a taxa de juro, o valor de mercado de todos os tipos de bonds – treasury ou corporate – cai. A extensão da queda do valor de mercado é uma
função do prazo de vencimento (maturity).
Maturity x flutuação de preço conforme taxa de juro
Maturity +1% +2% +3%
30 anos - 84.50 - 72.32 - 62.58
10 anos - 91.82 - 84.41 - 77.68
5 anos - 95.62 - 90.40 - 85.20
2 anos - 98.05 - 96.15 - 94.29
Com o aumento de 2% de taxa de juro, o treasury bond de 30 anos cai do par value de $ 1.000 para $ 723,20, enquanto o treasury bond de 2 anos cai somente para $ 961,50.
Para diminuir o risco do aumento de juro, ele sugere o sistema de “ladder” (escada).
Por exemplo:
Bonds Maturity Rendimento anual
American General Finance 15/09/2013 6.07%
GMAC (General Motors Acceptance Corp.) 15/03/2016 7.50%
CIT Group 15/11/2021 8.47%
SLM Group 15/06/2024 7.85%
Albertson’s 01/05/2030 9.78%
Este portfolio de corporate bonds tem média de maturity de 10 anos, e média de rendimento anual de 7.93%. Embora o bond de “short maturity” tenha um rendimento menor, ele reduz a queda de valor de mercado do portfolio quando subir a taxa de juro.
Ele sugeriu que os bonds tenham “ratings” de B a BBB, e a média de maturity entre 3 a 5 anos. “Não importa quanto suba a taxa de juro, o bond com bom” rating “e maturity curto não vai quebrar a cara como os bonds de 10 a 20 anos”.
Se você possui bonds que vencem a cada ano, você tem sempre um novo cash para reinvestir em outro bond, aproveitando ocasiões de crescente taxa de juro (comprar mais barato).
A maior vantagem do bond de “short maturity” é limitar a maior ameaça do bond, que não é o mercado e nem a taxa de juro, e sim a inflação. A inflação não é um tópico por enquanto. Mas um dia ela será!
Toda discussão é irrelevante se você pretende segurar o bond até o vencimento. No vencimento você receberá o principal (100%) e o ganho de capital (se o bond foi comprado com desconto) e teria recebido todos os juros, não importa o quanto flutuou o valor de mercado.
Compre um determinado bond somente quando você estiver satisfeito com a remuneração estipulada e pretender segurá-lo até o vencimento. Se o bond subir no mercado antes do vencimento, isso seria uma boa surpresa, mas não uma expectativa.
Melhor de tudo, você dormirá melhor à noite. Isso é a qualidade mais benéfica de qualquer bond.
Quando sobe a taxa de juro, o valor de mercado de todos os tipos de bonds – treasury ou corporate – cai. A extensão da queda do valor de mercado é uma
função do prazo de vencimento (maturity).
Maturity x flutuação de preço conforme taxa de juro
Maturity +1% +2% +3%
30 anos - 84.50 - 72.32 - 62.58
10 anos - 91.82 - 84.41 - 77.68
5 anos - 95.62 - 90.40 - 85.20
2 anos - 98.05 - 96.15 - 94.29
Com o aumento de 2% de taxa de juro, o treasury bond de 30 anos cai do par value de $ 1.000 para $ 723,20, enquanto o treasury bond de 2 anos cai somente para $ 961,50.
Para diminuir o risco do aumento de juro, ele sugere o sistema de “ladder” (escada).
Por exemplo:
Bonds Maturity Rendimento anual
American General Finance 15/09/2013 6.07%
GMAC (General Motors Acceptance Corp.) 15/03/2016 7.50%
CIT Group 15/11/2021 8.47%
SLM Group 15/06/2024 7.85%
Albertson’s 01/05/2030 9.78%
Este portfolio de corporate bonds tem média de maturity de 10 anos, e média de rendimento anual de 7.93%. Embora o bond de “short maturity” tenha um rendimento menor, ele reduz a queda de valor de mercado do portfolio quando subir a taxa de juro.
Ele sugeriu que os bonds tenham “ratings” de B a BBB, e a média de maturity entre 3 a 5 anos. “Não importa quanto suba a taxa de juro, o bond com bom” rating “e maturity curto não vai quebrar a cara como os bonds de 10 a 20 anos”.
Se você possui bonds que vencem a cada ano, você tem sempre um novo cash para reinvestir em outro bond, aproveitando ocasiões de crescente taxa de juro (comprar mais barato).
A maior vantagem do bond de “short maturity” é limitar a maior ameaça do bond, que não é o mercado e nem a taxa de juro, e sim a inflação. A inflação não é um tópico por enquanto. Mas um dia ela será!
Toda discussão é irrelevante se você pretende segurar o bond até o vencimento. No vencimento você receberá o principal (100%) e o ganho de capital (se o bond foi comprado com desconto) e teria recebido todos os juros, não importa o quanto flutuou o valor de mercado.
Compre um determinado bond somente quando você estiver satisfeito com a remuneração estipulada e pretender segurá-lo até o vencimento. Se o bond subir no mercado antes do vencimento, isso seria uma boa surpresa, mas não uma expectativa.
Melhor de tudo, você dormirá melhor à noite. Isso é a qualidade mais benéfica de qualquer bond.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Taxa de Câmbio
No fim de fevereiro de 2012, o Banco Central Europeu repassou 529 bilhões de euros, com prazos de refinanciamento de três anos, a 800 bancos. O valor superou a estimativa do mercado, de 450 bilhões de euros.
Logo depois do anúncio, os negócios abriram no Brasil com forte demanda pelo real. O interesse pela moeda brasileira era apenas uma amostra da avalanche de recursos que pode aportar na esteira da súper injeção nos bancos europeus. Isso porque parte dos recursos emprestados pelo BCE acha seu caminho para mercados emergentes em busca de juro mais alto. O destino preferido é o Brasil.
No dia 28/02/2012, o dólar foi cotado abaixo de R$ 1,70 (R$ 1,6956). No dia seguinte o Banco Central interveio e o dólar subiu para R$ 1,7177.
As medidas adotadas pelo BC:
a) BC compra e estoca dólar, com freqüência diária
b) Taxação de IOF de 6% para entrada de dólar em troca por real
c) Continuar baixando a taxa de juro – na próxima reunião do Copom no dia 6 e 7 de março, cortar a taxa Selic em 0,75%, para 9,75%
Neste cenário, não vejo o dólar abaixo de R$ 1,70. Se o preço do petróleo baixar para $ 80 - $90, e o dólar ficar mais forte contra o euro e outras moedas do mundo, o real pode desvalorizar para 1,80.
Quando o dólar baixa para R$ 1,70, o BC compra dólar; quando sobe para R$ 1,80, o BC vende dólar. A oscilação entre 1,70 e 1,80 é a “faixa de estabilidade” que se especula para os próximos meses e no curso do ano de 2012.
Logo depois do anúncio, os negócios abriram no Brasil com forte demanda pelo real. O interesse pela moeda brasileira era apenas uma amostra da avalanche de recursos que pode aportar na esteira da súper injeção nos bancos europeus. Isso porque parte dos recursos emprestados pelo BCE acha seu caminho para mercados emergentes em busca de juro mais alto. O destino preferido é o Brasil.
No dia 28/02/2012, o dólar foi cotado abaixo de R$ 1,70 (R$ 1,6956). No dia seguinte o Banco Central interveio e o dólar subiu para R$ 1,7177.
As medidas adotadas pelo BC:
a) BC compra e estoca dólar, com freqüência diária
b) Taxação de IOF de 6% para entrada de dólar em troca por real
c) Continuar baixando a taxa de juro – na próxima reunião do Copom no dia 6 e 7 de março, cortar a taxa Selic em 0,75%, para 9,75%
Neste cenário, não vejo o dólar abaixo de R$ 1,70. Se o preço do petróleo baixar para $ 80 - $90, e o dólar ficar mais forte contra o euro e outras moedas do mundo, o real pode desvalorizar para 1,80.
Quando o dólar baixa para R$ 1,70, o BC compra dólar; quando sobe para R$ 1,80, o BC vende dólar. A oscilação entre 1,70 e 1,80 é a “faixa de estabilidade” que se especula para os próximos meses e no curso do ano de 2012.
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