sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A redução de estímulos pelo FED (escrito em 23 de dezembro de 2013)

Em 18/12/2013, às 17h (horário do Brasil), o Federal Reserve anunciou o corte dos estímulos federais de $10 bilhões (de $85 bi para $75 bi) por mês, a partir de janeiro de 2014, sinalizando que a economia americana vem se fortalecendo. FED expressou confiança na recuperação do mercado de trabalho. Imediatamente após o anúncio da decisão, o SP 500 subiu 1,7%, para 1811 pontos, e o Dow Jones subiu 1,9%, para 16172. Ambos os índices atingiram marcas históricas.

Também agradou o mercado a manutenção de juro baixo por mais tempo. A adoção de taxas de longo prazo moderadas é um dos tripés de FED. Os outros são emprego máximo e preços estáveis no mercado.

Como a decisão do FED só foi anunciada após o término do pregão brasileiro, o mercado esperava que o Bovespa melhorasse no dia seguinte. De fato, em 19 de dezembro, o Bovespa subiu 2,12%, atingindo 51633 pontos, o maior patamar desde 30 de novembro.

Em 2013, até a véspera de Natal, o Dow Jones tinha subido 25,5%, enquanto o Bovespa tinha caído 16%. Nos Estados Unidos a moeda está forte e o juro está baixo. No Brasil a moeda está fraca e o juro está alto. Nós investidores, estamos investindo no país errado? Tomara que o futuro prove que o meu pessimismo não se justifica.

Desejo um Feliz Natal aos amigos e leitores do meu blog. E que 2014 seja melhor que os últimos anos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Consultas Médicas em Shanghai

Nos últimos dias de estadia em Shanghai, fiquei gripado, com tosse, catarro e olhos vermelhos. Meu primo levou-me a uma consulta médica no Hospital Universitário sem hora marcada. Um médico jovem me atendeu, disse que eu estava com rinite, uma doença que ocorre freqüentemente no fim do outono. Ele receitou os remédios, antibiótico e antiinflamatório, e disse que eu precisava consultar um oftalmologista e um otorrino, que ficavam na sala ao lado. Deram-me receitas de colírio para os olhos e um líquido vaporizante para o nariz. Os médicos me asseguraram que em uma semana eu estaria melhor e aliviado.

Nunca na minha vida tive a experiência de consultar três médicos em 30 minutos. A compra dos remédios na farmácia do hospital levou outros 30 minutos. Os atendimentos foram rápidos, sem fila, sem espera; os diagnósticos precisos. Eu saí aliviado do hospital, e confiante de que tudo daria certo.

A maior surpresa foram os custos: a três consultas custaram 10 renminbi cada, equivalente a 1,66 dólares. Os remédios custaram 400 renminbi. O gasto total foi 72 dólares.

Disseram-me que a consulta médica de 10 renminbi nem entra no bolso do médico que tem apenas um salário fixo. Suspeito que o médico chinês ganhe até menos do que o médico cubano. Os médicos chineses são serventes do Estado para o povo. Quem sabe um dia o governo brasileiro pode convidar médicos chineses para tratar a saúde do povo brasileiro (além dos médicos cubanos). 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Macau e os cassinos

Durante o mês de outubro de 2013, fizemos uma viagem para Hong Kong e Shanghai para visitar amigos e parentes. De Hong Kong fizemos uma excursão para Macau, antiga colônia portuguesa, agora território chinês. A viagem de hidrofólio levou uma hora e meia, desde o porto de Hong Kong até o desembarque no porto de Macau.

Macau é conhecida como a Las Vegas do Oriente. Todos os cassinos famosos de Las Vegas abriram filiais em Macau e o movimento atualmente supera as matrizes devido à presença dos chineses de Hong Kong, China e outros países asiáticos.

O nosso motorista de táxi era um imigrante da Manchúria. Ele fala mandarim, mas não fala o português. Ele é motorista de táxi e guia turístico há 7 anos e está contente com o seu trabalho. Explicou que com a sucessiva abertura e funcionamento dos cassinos, a taxa de desemprego em Macau é zero. Aliás, a taxa de desemprego é negativa, porque Macau precisa importar trabalhadores da China para a construção e o funcionamento dos cassinos (desde engenheiros até pedreiros, durante a construção e card dealers, garçons, guardas, faxineiros, etc, para os três turnos de 8 horas cada).

Taxa de desemprego zero, ou full employment eu não conheço em nenhuma outra parte do mundo.

Ademais, os cassinos atraem a abertura de restaurantes, lancherias, lojas e joalherias (Tiffany, Bulgari, Louis Vuitton) criando mais movimento e empregos.

O motorista de táxi é um homem bem organizado. Ele sugeriu o roteiro. Primeiro fomos visitar o Venetian, decorado com pinturas, esculturas e chandeliers no teto, e com lojas nos corredores. Quem se cansa de jogar pode passear de gôndola. Após o almoço ele fez um tour pela cidade, atravessando diversas pontes que interligam as ilhas e chegamos no cassino Wynn Resort. Caminhamos um pouco, descansamos no Starbucks tomando um café e retornamos ao cais de Macau para pegar o próximo hidrofólio para Hong Kong.


No caminho, pensei: porque não temos cassinos no Brasil? Lãs Vegas criou prosperidade em pleno deserto. Toronto, Panamá e Punta Del Leste, todos os cassinos aumentam empregos e os municípios e estados arrecadam impostos. O Congresso Nacional deve criar uma comissão para estudar a viabilidade de cassinos, e se os benefícios de empregos e impostos superam os defeitos sociais. O Congresso pode mudar a Constituição para permitir o funcionamento de cassinos no Brasil.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Giant state-owned firms have fallen back ou of fashion

The Economist (september 21, 2013) published an article which I think is of interest to my readers.
                                                
Back in 1987 the rock band Bon Jovi was top of the pops and the world’s third largest firm by value was Tokyo Electric Power (TEPCO), a utility in Japan few outside that conuntru had heard of. Today Bon Jovi is still churning out number one albums but TEPCO’s value has fallen by 90% and it is teetering on bankruptcy. It is now known around the world for the disaster at its nuclear power plant in Fukushima.

In 2009 the message was that America capitalism had lost the plot. Only three of the world’s ten most valuable listed firms were from America: Exxon Mobil, Walmart and Microsoft. A new species of big beast had reared its head: vast state-controlled oligopolies from emerging markets. Petrochina, China Mobile and ICBC and CCB (two chinese banks) were all in the top ten that year. Brazil had a star in the form of Petrobras. The year before Gazprom, a Kremlin – run racket masquerading as a corporation, had graced the list. Suddenly it seemed as if the best way to create a giant firm was not to innovate or win customers but to adorn a government bureaucracy with some of the trapping’s of a private firm, such as a stockmarket listing.

Today the picture is once again transformed. Nine of the ten most valuable firms are american. America’s share of the top 50 is rising too. Why? A perky stockmarket is partly responsible. The euro crisis has killed off any hope that more firms from the euro zone might scale the rankings.

Two deeper factors are also at play. First, America’s mix of resilience and renewal. Three of its biggest firms have their roots in the late 19th Century – Exxon, General Eletric and Johnson & Johnson. Their durability reflects their powerful corporate cultures. But the country still does creative destruction too. IBM and Intel have slid down the rankings to be replaced by Apple and Google. Second, the old rule that buying shares in state firm is investment suicide has reasserted itself. The world’s ten biggest state firms in 2009 have lost $ 2.2 trillion of value, or 60% from their peaks. Investors now award most state firms stingier valuations than their private peers. Gazprom is worth three times its profits (P/E = 3), versus Exxon’s multiple of 11. And although emerging economies have slowed, private firms are doing fine. In 2007 investors gorged on shares in Petrochina when it listed in Shanghai, briefly making it the only firm ever to be worh over $ 1 trillon. Now China’s hottest corporate property is Alibaba, a private internet firm plotting a huge flotation.

Government firms are unloved again. That is how it should be. Shortcomings of cosy state capitalism never went away. Petrochina’s ex-boss, is under investigation probably for graft. Gazprom wastes $ 40 billion a year through corruption and inefficiency. Minority investors in Brazil protest that Petrobras is building unprofitable oil refinaries and favouring local supplies, at politician”s behest.

These vast organizations are not going away; most still make huge profits, often boosted by cheap public funding. But governments must recognise that the slump in their valuations is a sign they are allocating capital badly. That is in no one’s interest. Petrobras has made a baby step by allowing outside shareholders to appoint a director, while China sometimes mutters about modest reforms of its industrial fiefs. But the hybrid model of a firm beholden to both investors and politicians is a full of contradictions as Karl Marx said capitalism was. Privatization is the best way to resolve these tensions.

Business people, at least, can now be a little less dazzled by state firms. To outlast the average pop star’s career, companies need a culture of innovation, financial discipline and, increasingly global reach. These are things only a few managers are able to deliver – and wich no government can.



Após refletir sobre este artigo, cheguei a conclusão de que eu deveria realizar prejuízo com minhas ações de Petrobrás e Banco do Brasil.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Desvalorização da moeda e inflação

Em 28 de agosto de 2013, o Banco Central aumentou a Selic de 8,5% para 9% (terceiro aumento sucessivo de 0,5%) para frear a taxa de inflação provocada pela depreciação da moeda. “Alta taxa de juro deve ajudar a controlar a inflação e levantar a confiança dos investidores”, disse o Fundo Monetário Internacional (IMF) num relatório na quarta-feira passada. O Banco Central deixa a porta aberta para mais reajustes na taxa em futuro próximo.

Não importa o que o Banco Central faz ou o IMF acha, eu estou sentindo a inflação em carne e osso. Alimentos, remédios, cigarros, jornal, aumentam de preço mensalmente ou trimestralmente (mais de 15% ao ano na média). Gás em botijão, água em garrafa, idem. Os serviços: o guarda da rua quer aumento anual de R$ 200 para R$ 230 (15%); a limpeza da piscina sofreu um reajuste de R$ 170 para R$ 200 (17,6%); o jardineiro reajusta o preço do serviço de vez em quando, ou diminui as horas de trabalho.

A importação de trigo com o real desvalorizado encarece o preço do nosso pão de cada dia. Uma lata de cerveja sobe de R$ 1,99 para R$ 2,39 (20%) alegando depreciação de moeda, embora o produto tenha pouco componente importado. Uma caipirinha de vodka Wyborowa (polonesa) sobre de R$ 17,00 para R$ 20 (17,6%), embora o copo contenha pouca vodka e bastante gelo e limão. Todos os comerciantes usam a desvalorização da moeda como pretexto para subir os preços.

Em outras palavras, a inflação do país sobre pari passu com o dólar. A gente ganha em real, mas gasta em dólar. Portanto, não adianta o governo depreciar a moeda, porque os preços sobem na mesma medida ou além!

O custo de vida no Brasil é mais caro do que nos Estados Unidos. O Brasil tem uma das maiores taxas de inflação do mundo provocada principalmente pela depreciação da moeda, e uma das maiores taxas de juro tentando contê-la.


Lamento que não será durante o resto da minha vida que verei o Brasil sair do status de país emergente para o de país desenvolvido.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Taxa de Câmbio

Em 31 de julho de 2013, a taxa de câmbio comercial foi cotada a R$ 2,2758. Em 21 de agosto, o real depreciou para 2,4543, com queda de 7,28% em apenas 21 dias. Embora a desvalorização do real seja boa para os exportadores (como Marcopolo, Vale e as siderurgias), ela aumenta o preço dos produtos importados, contribuindo para a alta da inflação.

O Banco Central divulgou uma nota para tentar acalmar o mercado. A autoridade monetária afirmou que “a adequada condução da política monetária contribui para mitigar os riscos de depreciação cambial para a inflação”. Em outras palavras, “vamos subir o juro para combater a inflação”.

Este círculo vicioso de desvalorizar a moeda e aumentar o juro não pode continuar para sempre.

Em 22 de agosto, o dólar cedeu um pouco para R$ 2,4358. Mas em 23 de agosto, o dólar sofreu uma queda violenta de 3,5% para R$ 2,3502, sem nenhum motivo aparente. Diante dessa turbulência, os importadores e exportadores, os investidores domésticos e estrangeiros, estão todos perdidos, sem saber o próximo passo do Banco Central.

Teoricamente, juros altos atraem investidores estrangeiros a converter dólar em real para investir no Brasil. Mas diante da depreciação constante da moeda brasileira, os investidores se retraem. Em vez de trazer dólares para investimento, eles podem até pensar em se desfazer de investimentos e repatriar dólar para o país de origem. Os bancos dos países desenvolvidos, em vez de converter dólar para real para render juros altos no país, podem cessar e retirar as aplicações financeiras com medo de uma depreciação prolongada. O ganho em juro não compensa o prejuízo no câmbio.


Com o juro alto e depreciação cambial constante, os investimentos param; o consumo diminui; os protestos e greves proliferam, a economia entra em estagflação. Assim o Brasil não deixa de ser eternamente um país subdesenvolvido.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os Protestos

Ao redor do mundo, as erupções de protestos são cada vez mais comuns. Iniciam com uma queixa ou incidentes sem maior importância. No Chile, os estudantes protestaram contra o alto custo da educação. Na Turquia o povo manifestou-se contra a intenção do governo de demolir um parque em Istambul. Em 2011, um vendedor de frutas na Tunísia, irritado pelo constante relaxamento das autoridades, se imolou com fogo e assim acendeu a chama de uma revolução que derrubou o ditador Abidine Ben Ali e iniciou as revoltas populares em todo o Oriente Médio. As demonstrações nas cidades chinesas protestavam contra as autoridades locais abusivas, corrupção ou água e comida contaminadas.

Como os governos reagiram aos protestos espontâneos, coletivos e caóticos? É interessante comparar as reações dos líderes do Brasil e da Turquia. Dilma Roussef deixou de denunciar e castigar os manifestantes e insistiu para que as reivindicações sejam atendidas e as mudanças feitas. Ela prometeu gastar bilhões na melhora do transporte público, lutar contra a corrupção oficial e propor um plebiscito nacional de reforma política. Em contrataste, o primeiro ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan insultou, ameaçou e atacou os manifestantes e denunciou que eles, banqueiros e poderes estrangeiros conspiraram contra seu governo islâmico.

Como ninguém consegue antecipar o começo dos protestos, é igualmente impossível adivinhar como e quando eles vão terminar. Em alguns países os protestos têm pouco impacto duradouro; em outros, eles produzem pequenas reformas cosméticas. Em outros lugares, particularmente no mundo árabe, os protestos derrubaram governos. Mas Brasil, Turquia e Chile não são Tunísia ou Egito. Os governos eleitos democraticamente são bem mais fortes e os líderes bem mais populares e seguros do que os ditadores da África do Norte. Chile é um exemplo de um país pobre que conseguiu vencer um passado turbulento e tornar-se um modelo de progresso econômico, desenvolvimento e democracia. Turquia, além de ser um milagre econômico, é admirada como ideal de um país onde leste e oeste, modernidade e tradição, Islão e democracia, podem coexistir pacificamente.

Então porque os cidadãos do Chile, Turquia e Brasil protestam nas ruas, em vez de celebrar o progresso óbvio dos seus respectivos países? A resposta está no livro escrito por Samuel Huntington, cientista político de Harvard - Political order in changing societe - publicado em 1968. A tese dele é que nas sociedades confrontando mudanças rápidas, a procura por serviços públicos cresce mais rapidamente do que a capacidade do governo de satisfazê-la. As instituições governamentais não conseguem acompanhar as aspirações das populações de um futuro melhor, já que eles agora conhecem liberdade e  prosperidade, tendo mais informações via as mídias sociais. Nas palavras de Huntington; “o problema primário é a defasagem de desenvolvimento das instituições políticas atrás da mudança social econômica”. Essa defasagem traz o povo para as ruas e amplifica os protestos contra o alto custo de educação no Chile, a demolição do Parque Taskim Gezi em Istambul, e aumento de 9 centavos na tarifa de ônibus no Brasil. A defasagem identificada por Huntington é a fonte do tumulto popular e instabilidade política. Ela acorda os cidadãos apáticos e força-os a participar, os políticos a escutar e os governos a mudar. Em alguns casos a defasagem impulsiona a sociedade para frente.

As situações de Turquia e Brasil fornecem lições importantes para muitos governos que enfrentam a população que reclamam mais ações de seus líderes. A lição confirma que o diálogo, a inclusão e as respostas sinceras dos governos são melhores do que demagogia e repressão. Nenhum governo seria capaz de satisfazer plenamente todas as expectativas do seu povo. Mas os governos precisam escutar as vozes do povo e oferecer medidas concretas em resposta. Isso significa a construção de uma democracia que vai além de eleições livres e justas.




terça-feira, 16 de julho de 2013

Bad news is good news!

Na quinta-feira passada (11/07/2013), o governo americano divulgou que o número de americanos cadastrados para os benefícios de desemprego aumentou para 360.000. Mas todas as bolsas do mundo subiram em função desta notícia porque o mercado especulou que o FED deve manter os estímulos (QE) por mais tempo. Portanto, bad news is good news.

O S&P 500 subiu seis dias consecutivos, e o Nasdaq index 100 subiu 12 sessões consecutivas. S&P recuperou toda a queda de 5,8%, de 22 de maio a 24 de junho, provocada pela declaração de Bernanke de que o FED poderia restringir a comprar de debêntures (ou diminuir a liquidez) se a economia continuasse melhorando.

Em 11 de julho de 2013, o índice Dow Jones, S&P, Nasdaq - todos bateram recordes históricos. Todas as bolsas européias subiram bem. O Índice MSCI Emerging Markets subiu 3%, Shanghai 3,2%, Hong Kong 2,5%, Seul 2,9%.A Bovespa já devolveu o ganho no dia seguinte. Que decepção!

Devemos rezar para que o nível de desemprego americano continue alto e os estímulos do FED permaneçam por um período longo? O foco do mercado muda com o tempo. Daqui a seis meses ou um ano, o mercado não relacionará desemprego com o estímulo. Serão outros fatores como inflação, taxa de juro, taxa de crescimento, endividamento como percentagem do GDP, taxa de câmbio, etc., de cada país que determinam a oscilação de cada bolsa.

Para quem investe na bolsa brasileira é interessante observar as mudanças que o governo pretende introduzir após o término dos protestos. O povo e os sindicatos querem mais escolas, melhor atendimento nos hospitais, menos gastos públicos e menos números de ministérios. O povo se revolta contra a corrupção e os mensalões (até agora ninguém foi para a cadeia), contra a burocracia e a ineficiência. Embora o governo reconheça como justas as reivindicações, terá coragem para implantar as mudanças? Temos de acabar com o jogo de empurra-empurra das responsabilidades entre o executivo, congresso e judiciário. Senão estaremos perdendo tempo, e nenhuma reforma será concretizada na gestão da Presidenta Dilma, deixando tudo pendurado para depois da próxima eleição. Se o povo não tem paciência para toda a demora com as reformas, vão recomeçar os protestos nas ruas e praças. Com esse círculo vicioso, o Brasil torna-se um país de protesto eterno sem ordem e progresso.


Admito que o cenário acima descrito é demais pessimista. Tomara que isto não aconteça. Estou esperando ver a luz no final do túnel. Esperança é a última a morrer!

terça-feira, 2 de julho de 2013

A perspectiva de término de estímulo do FED americano sobre a economia mundial e do Brasil

O mês de julho, 2013, foi desastroso para as bolsas do mundo e do Brasil. O Federal Reserve tem injetado $ 85 bilhões mensalmente via compra de títulos (quantitative easing – QE) para estimular a economia. Como o programa não pode continuar eternamente, o mundo investidor especula quando o estímulo vai acabar. Ben Bernanke anunciou que enquanto a inflação continuar baixa e o desemprego não cair para o nível de 7% (atualmente está em 7,5%), o estímulo deve continuar. Como o desemprego não cairia meio porcento da noite para o dia, o FED, acompanhando a evolução da economia, poderia diminuir o estímulo de $ 85 bilhões para $ 65 bilhões mensalmente, mexer um pouco na válvula (tapering), mas não fechar a torneira. As opiniões de outros diretores do FED também não são unânimes. Uns querem acabar com o estímulo, visando o perigo da inflação futura; outros querem manter o status-quo, achando que é cedo demais para descontinuar o estímulo.

Neste ambiente, as bolsas americanas e mundiais ficam voláteis e nervosas. Diante da incerteza da política do FED, e a alta de 15% das bolsas americanas no primeiro semestre do ano, os investidores resolveram realizar lucros. Embora a economia do mundo está melhorando (Europa resolveu temporariamente o problema da dívida, e o Japão está saindo da recessão), as bolsas do mundo caíram violentamente na segunda quinzena de junho. Chuvas e trovoadas de repente em dia de sol brilhante.

No Brasil, além da queda do Índice Bovespa de 15,9% (de 56.406 em 24/5 para 47.457 em 28/6) o país sofreu uma desvalorização da moeda de 8,6% (de real = US$ 0.49 para US$ 0.448) no mesmo período. Medida em dólar, os investidores na bolsa brasileira perderam 25,9%, e todos os brasileiros (mesmo não investindo na bolsa) perderam 8,6% de seus ativos (terrenos, casas, móveis, automóveis, etc) e seus ganhos (salários, aposentadorias, juros e poupanças).

Os protestos do povo começaram com o aumento da passagem de ônibus e se arrastaram contra a corrupção burocracia e ineficiência do governo. O povo, pela intuição, sentiu que algo está errado. O governo da Presidenta Dilma tem um plano estratégico para sair deste buraco?


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Remédios com desconto


Recentemente descobri que alguns remédios têm descontos especiais oferecidos pelos laboratórios:

A)    Lípitor 20 mg (prevenção de complicações cardiovasculares) com desconto de 68% (Pfizer)
B)    Crestor 10 mg (redução de colesterol) com desconto de 55% (Astrazeneca)
C)    Janumet 50/850 mg (tratamento de diabetes tipo 2) com desconto de 60% (Merck)

Para obter os descontos diretos dos laboratórios, você deve se cadastrar junto à farmácia (Panvel ou Raia) com os seguintes dados:

1)     carteira de identidade
2)     nome do médico e número do CRM

A farmácia entra em contato com o laboratório pelo computador. Uma vez aprovado, a farmácia fornece o número do cadastro que é exigido para as próximas compras (tanto na Panvel quanto na Raia).


O que eu não entendo é porque tanta complexidade. Um remédio com preço de R$ 100 menos desconto de 60% é igual a R$ 40. Porque os laboratórios não colocam o preço do remédio a R$ 40 diretamente, sem desconto, sem cadastro e sem espera de 15 minutos para processar a venda? Se o laboratório pode vender o remédio a R$ 40 com lucro decente, o preço de R$ 100 é um superfaturamento, um ganho exorbitante para o laboratório.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O mundo comprou da China nos últimos 20 anos, e o mundo vai vender para a China nos próximos 20 anos.


O comércio mundial com a China é como os jogos de pôquer ou de majong. Quando todas as fichas ficam com um jogador, o jogo não pode continuar. Devido à mão de obra barata, a China exporta tudo para o resto do mundo, acumulando quase um trilhão de dólares em reservas que estão aplicadas em debêntures americanas (treasury bonds), rendendo juros e financiando o déficit americano. O bolo cresce mais com o juro composto e o estado compra mais bonds americanos.

O que adianta o estado ficar rico e o povo continuar pobre? Nos últimos anos, a China acordou e mudou a meta, de priorizar a exportação para o consumo interno, elevando o padrão de vida do povo. Interiorizar a manufatura e o consumo, diminuindo o “gap” entre o leste e o oeste da China. “Interiorizar” também porque a mão de obra nas províncias da costa leste não é mais barata como antes.

Gradualmente a China está mudando de economia de produção para a economia de consumo (keynesiano), e como o povo agora tem mais dinheiro está se criando mais procura por bens e serviços. O mundo está preparado para vender para a China nos próximos 20 anos. Afinal de contas, a China será o maior mercado de consumo do mundo.

O Brasil está preparado para invadir o grande mercado da China?

As empresas que já estão exportando para China, como Marcopolo, Embraer, Azaléia, devem criar “uma cooperativa de exportadores para China” junto com as empresas que pretendem iniciar as exportações para trocar idéias e experiências sobre estratégias, legislações, tarifas, incentivos e facilidades cambiais (por exemplo, o pagamento pode ser feito em renminbi, real ou dólar). Quem sabe a Presidenta Dilma pode criar um novo ministério de Intercâmbio Brasil – China para incentivar e incrementar o comércio bilateral entre os dois países.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Só temos notícias de violência!


Ultimamente fiquei frustrado vendo as notícias de jornais, televisão e websites: guerra civil na Síria, matança em escola no Texas, etc. No Brasil, o Jornal da Globo e outros canais só divulgam notícias sangrentas, ladrões que explodem e saqueiam caixas eletrônicos dos bancos, assaltantes que matam taxistas, balas perdidas que atingem crianças. Ou roubos de todos os tipos: dos roubos cotidianos até os “mensalões” dos deputados no Congresso. E, pior ainda, ninguém é punido ou preso. Mesmo presos, os ladrões são soltos em poucos dias por falta de espaço nas prisões. Que país é esse, Brasil?

Antes de a revolução comunista tomar conta da China, em 1949, eu fui estudar nos Estados Unidos, e depois escolhi o Brasil para morar o resto da minha vida. 60 anos depois, a China, embora ainda comunista no nome, virou uma economia de mercado e o povo vive com tranqüilidade. É proibido o povo possuir armas, e há pena de morte para assaltos, seqüestros e matanças. Em contraste, armas são permitidas no Brasil e não há pena de morte. Muitas vezes eu me pergunto se eu não escolhi o país errado!

Diariamente há tantas notícias de violência, assaltos e matanças que tenho vontade de desligar a televisão na hora do jantar. Trocar para um canal de filmes? Infelizmente os filmes de hoje também só tem bang, bang, bang! Será que os filmes de violência induzem a mais violência na vida real da sociedade brasileira?

Para as minhas horas de lazer, só vou assistir canais de esportes: futebol, basquete e tênis. Dvds de música clássica: concertos, sinfonias e óperas. E quando tiver inspiração, escrever um artigo para o meu blog.

terça-feira, 19 de março de 2013

Economia Global


Embalada por dados econômicos da China e dos Estados Unidos, o Dow Jones, em 8 de março de 2013, teve alta pela sexta vez, superando o recorde pela quarta vez seguida, com ganho de 11,3% em 2013. A Nasdaq também alcança novo recorde histórico. A criação de 236 mil novos empregos nos Estados Unidos e o crescimento de 20% nas exportações na China em fevereiro são notícias otimistas para as bolsas do mundo.

A bolsa de Tóquio subiu 2,64%, e o índice Nikkei tocou no maior nível desde 10 de setembro de 2008. A revisão do PIB do quarto trimestre de 2012 mostrou alta de 0,2%, portanto, o Japão saiu tecnicamente da recessão.

A declaração do novo Poliburo da China de combater a corrupção e a ineficiência, a manutenção da política monetária de “easy money” para investimento na infra-estrutura e o recente entendimento entre a China e os Estados Unidos em condenar a ameaça de mísseis nucleares da Coréia do Norte, impulsionaram a bolsa de Shanghai para cima. E as bolsas da Ásia, Índia, Indonésia, Filipinas, Singapura e Coréia do Sul subiram todas em conjunto.

Na América Latina, o destaque é o México. The México Fundo (MXF), composto pelas ações mais importantes do México, negociado na NYSE em dólar, subiu 33% (de $26,75 em fim de novembro de 2012 para $35,62 em 15 de março de 2013). A cotação ficou com um prêmio de 9,13% acima da NAV (Net Asset Value), uma performance inédita nos últimos anos. Isto reflete um grande otimismo após a eleição de Enrique Nieto que advoga transformar a PEMEX (Petróleo México), de monopólio estatal, em companhia aberta com participações das grandes empresas petrolíferas internacionais. Além disso, as multinacionais americanas (GE, GM, Nissan, etc) estão mudando as operações de manufatura da China para o México (“Made in China” para “Hecho no México”). Agora a mão de obra é tão barata quanto à da China, e o custo de transporte terrestre do México para os Estados Unidos é um terço do frete transoceânico da China para a América.

A economia global está mais otimista com a economia de mercado e menos intervenção dos governos. E o Brasil? Quando o governo brasileiro vai acordar e seguir o caminho que os outros países do mundo estão trilhando?

terça-feira, 12 de março de 2013

Petrobrás e petróleo



Na semana passada (4 a 8 de março) a Bovespa subiu 2,7%, revertendo diversas semanas de queda. A surpresa foi Petrobrás que, de repente, subiu 14,5% (PN) e 21% (ON) em dois dias (6 e 7 de março). Até hoje, ninguém soube explicar o porquê. A alta do preço do diesel? Talvez o preço do papel estivesse barato demais depois de dois anos de queda. Estou sofrendo um grande prejuízo com a subscrição da PN a R$ 26, em setembro de 2010. O papel teve queda livre desde que o governo usou e abusou da Petrobrás como instrumento para frear a taxa de inflação. O momento de comprar Petrobrás seria quando o preço internacional do petróleo cair de $90 para $60 por barril (o custo cair um terço) e a empresa não for obrigada a baixar os preços da gasolina e do diesel. A lógica é: quando o preço internacional do petróleo sobe, os preços dos derivativos não são permitidos a subir de acordo. Daí, quando o preço internacional cair, o governo não poderá obrigar a Petrobrás a baixar os preços da gasolina e do diesel.

Alguém pode pensar que minha especulação de que o preço do petróleo possa cair de $ 90 para $ 60 por barril seja o meu “day dream”. Quem sabe? O preço do petróleo, como qualquer commodity, é imprevisível. Se nos últimos anos o preço subiu de $30 para $90, não é razoável que retroceda um terço, para $60?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Baby escutando Mozart


A BBC recentemente noticiou a descoberta de que os bebês que escutam músicas de Mozart crescem com mais inteligência na vida. Ao lado do artigo tem um foto de um bebê deitado num carrinho, dormindo com fones de ouvido, escutando e curtindo a música de Mozart.

Eu escuto música clássica o dia todo. Mozart é o meu favorito. Suave, melódica, harmoniosa e relaxante para o corpo e a alma. Neste momento, só tenho pensamentos positivos. Não me arrependo de nada, nem consigo odiar ninguém. Tudo numa boa. A vida é de uma beleza eterna.

Em 1949 estudei no St. Vicent College, Latrobe, PA. Um colega de faculdade que estudava música me introduziu na musica clássica. Bach, Beethoven, Brahms e Mozart. Piano e concertos de violino, sinfonias. Um segredo: a música pode não ser tão gostosa quando se ouve pela primeira vez, mas escutando repetidamente vai ficando cada vez mais bela. A música é comparável à amizade: o primeiro contato com outra pessoa é apenas um encontro. Amizade se cultiva com anos de convivência.

Todos os domingos almoçamos com a família do Patrick, meu neto. Ele vem com a esposa e duas filhas, Ângela e Verônica. Ângela tem 3 anos, e Verônica, 10 meses. Verônica me faz lembrar a foto do bebê no carrinho, com os fones de ouvido, escutando Mozart. No próximo aniversário da bisneta vou dar de presente um CD de Mozart. Ela já é inteligente, mas vai ficar mais inteligente ainda.