terça-feira, 10 de setembro de 2013

Desvalorização da moeda e inflação

Em 28 de agosto de 2013, o Banco Central aumentou a Selic de 8,5% para 9% (terceiro aumento sucessivo de 0,5%) para frear a taxa de inflação provocada pela depreciação da moeda. “Alta taxa de juro deve ajudar a controlar a inflação e levantar a confiança dos investidores”, disse o Fundo Monetário Internacional (IMF) num relatório na quarta-feira passada. O Banco Central deixa a porta aberta para mais reajustes na taxa em futuro próximo.

Não importa o que o Banco Central faz ou o IMF acha, eu estou sentindo a inflação em carne e osso. Alimentos, remédios, cigarros, jornal, aumentam de preço mensalmente ou trimestralmente (mais de 15% ao ano na média). Gás em botijão, água em garrafa, idem. Os serviços: o guarda da rua quer aumento anual de R$ 200 para R$ 230 (15%); a limpeza da piscina sofreu um reajuste de R$ 170 para R$ 200 (17,6%); o jardineiro reajusta o preço do serviço de vez em quando, ou diminui as horas de trabalho.

A importação de trigo com o real desvalorizado encarece o preço do nosso pão de cada dia. Uma lata de cerveja sobe de R$ 1,99 para R$ 2,39 (20%) alegando depreciação de moeda, embora o produto tenha pouco componente importado. Uma caipirinha de vodka Wyborowa (polonesa) sobre de R$ 17,00 para R$ 20 (17,6%), embora o copo contenha pouca vodka e bastante gelo e limão. Todos os comerciantes usam a desvalorização da moeda como pretexto para subir os preços.

Em outras palavras, a inflação do país sobre pari passu com o dólar. A gente ganha em real, mas gasta em dólar. Portanto, não adianta o governo depreciar a moeda, porque os preços sobem na mesma medida ou além!

O custo de vida no Brasil é mais caro do que nos Estados Unidos. O Brasil tem uma das maiores taxas de inflação do mundo provocada principalmente pela depreciação da moeda, e uma das maiores taxas de juro tentando contê-la.


Lamento que não será durante o resto da minha vida que verei o Brasil sair do status de país emergente para o de país desenvolvido.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Taxa de Câmbio

Em 31 de julho de 2013, a taxa de câmbio comercial foi cotada a R$ 2,2758. Em 21 de agosto, o real depreciou para 2,4543, com queda de 7,28% em apenas 21 dias. Embora a desvalorização do real seja boa para os exportadores (como Marcopolo, Vale e as siderurgias), ela aumenta o preço dos produtos importados, contribuindo para a alta da inflação.

O Banco Central divulgou uma nota para tentar acalmar o mercado. A autoridade monetária afirmou que “a adequada condução da política monetária contribui para mitigar os riscos de depreciação cambial para a inflação”. Em outras palavras, “vamos subir o juro para combater a inflação”.

Este círculo vicioso de desvalorizar a moeda e aumentar o juro não pode continuar para sempre.

Em 22 de agosto, o dólar cedeu um pouco para R$ 2,4358. Mas em 23 de agosto, o dólar sofreu uma queda violenta de 3,5% para R$ 2,3502, sem nenhum motivo aparente. Diante dessa turbulência, os importadores e exportadores, os investidores domésticos e estrangeiros, estão todos perdidos, sem saber o próximo passo do Banco Central.

Teoricamente, juros altos atraem investidores estrangeiros a converter dólar em real para investir no Brasil. Mas diante da depreciação constante da moeda brasileira, os investidores se retraem. Em vez de trazer dólares para investimento, eles podem até pensar em se desfazer de investimentos e repatriar dólar para o país de origem. Os bancos dos países desenvolvidos, em vez de converter dólar para real para render juros altos no país, podem cessar e retirar as aplicações financeiras com medo de uma depreciação prolongada. O ganho em juro não compensa o prejuízo no câmbio.


Com o juro alto e depreciação cambial constante, os investimentos param; o consumo diminui; os protestos e greves proliferam, a economia entra em estagflação. Assim o Brasil não deixa de ser eternamente um país subdesenvolvido.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Os Protestos

Ao redor do mundo, as erupções de protestos são cada vez mais comuns. Iniciam com uma queixa ou incidentes sem maior importância. No Chile, os estudantes protestaram contra o alto custo da educação. Na Turquia o povo manifestou-se contra a intenção do governo de demolir um parque em Istambul. Em 2011, um vendedor de frutas na Tunísia, irritado pelo constante relaxamento das autoridades, se imolou com fogo e assim acendeu a chama de uma revolução que derrubou o ditador Abidine Ben Ali e iniciou as revoltas populares em todo o Oriente Médio. As demonstrações nas cidades chinesas protestavam contra as autoridades locais abusivas, corrupção ou água e comida contaminadas.

Como os governos reagiram aos protestos espontâneos, coletivos e caóticos? É interessante comparar as reações dos líderes do Brasil e da Turquia. Dilma Roussef deixou de denunciar e castigar os manifestantes e insistiu para que as reivindicações sejam atendidas e as mudanças feitas. Ela prometeu gastar bilhões na melhora do transporte público, lutar contra a corrupção oficial e propor um plebiscito nacional de reforma política. Em contrataste, o primeiro ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan insultou, ameaçou e atacou os manifestantes e denunciou que eles, banqueiros e poderes estrangeiros conspiraram contra seu governo islâmico.

Como ninguém consegue antecipar o começo dos protestos, é igualmente impossível adivinhar como e quando eles vão terminar. Em alguns países os protestos têm pouco impacto duradouro; em outros, eles produzem pequenas reformas cosméticas. Em outros lugares, particularmente no mundo árabe, os protestos derrubaram governos. Mas Brasil, Turquia e Chile não são Tunísia ou Egito. Os governos eleitos democraticamente são bem mais fortes e os líderes bem mais populares e seguros do que os ditadores da África do Norte. Chile é um exemplo de um país pobre que conseguiu vencer um passado turbulento e tornar-se um modelo de progresso econômico, desenvolvimento e democracia. Turquia, além de ser um milagre econômico, é admirada como ideal de um país onde leste e oeste, modernidade e tradição, Islão e democracia, podem coexistir pacificamente.

Então porque os cidadãos do Chile, Turquia e Brasil protestam nas ruas, em vez de celebrar o progresso óbvio dos seus respectivos países? A resposta está no livro escrito por Samuel Huntington, cientista político de Harvard - Political order in changing societe - publicado em 1968. A tese dele é que nas sociedades confrontando mudanças rápidas, a procura por serviços públicos cresce mais rapidamente do que a capacidade do governo de satisfazê-la. As instituições governamentais não conseguem acompanhar as aspirações das populações de um futuro melhor, já que eles agora conhecem liberdade e  prosperidade, tendo mais informações via as mídias sociais. Nas palavras de Huntington; “o problema primário é a defasagem de desenvolvimento das instituições políticas atrás da mudança social econômica”. Essa defasagem traz o povo para as ruas e amplifica os protestos contra o alto custo de educação no Chile, a demolição do Parque Taskim Gezi em Istambul, e aumento de 9 centavos na tarifa de ônibus no Brasil. A defasagem identificada por Huntington é a fonte do tumulto popular e instabilidade política. Ela acorda os cidadãos apáticos e força-os a participar, os políticos a escutar e os governos a mudar. Em alguns casos a defasagem impulsiona a sociedade para frente.

As situações de Turquia e Brasil fornecem lições importantes para muitos governos que enfrentam a população que reclamam mais ações de seus líderes. A lição confirma que o diálogo, a inclusão e as respostas sinceras dos governos são melhores do que demagogia e repressão. Nenhum governo seria capaz de satisfazer plenamente todas as expectativas do seu povo. Mas os governos precisam escutar as vozes do povo e oferecer medidas concretas em resposta. Isso significa a construção de uma democracia que vai além de eleições livres e justas.




terça-feira, 16 de julho de 2013

Bad news is good news!

Na quinta-feira passada (11/07/2013), o governo americano divulgou que o número de americanos cadastrados para os benefícios de desemprego aumentou para 360.000. Mas todas as bolsas do mundo subiram em função desta notícia porque o mercado especulou que o FED deve manter os estímulos (QE) por mais tempo. Portanto, bad news is good news.

O S&P 500 subiu seis dias consecutivos, e o Nasdaq index 100 subiu 12 sessões consecutivas. S&P recuperou toda a queda de 5,8%, de 22 de maio a 24 de junho, provocada pela declaração de Bernanke de que o FED poderia restringir a comprar de debêntures (ou diminuir a liquidez) se a economia continuasse melhorando.

Em 11 de julho de 2013, o índice Dow Jones, S&P, Nasdaq - todos bateram recordes históricos. Todas as bolsas européias subiram bem. O Índice MSCI Emerging Markets subiu 3%, Shanghai 3,2%, Hong Kong 2,5%, Seul 2,9%.A Bovespa já devolveu o ganho no dia seguinte. Que decepção!

Devemos rezar para que o nível de desemprego americano continue alto e os estímulos do FED permaneçam por um período longo? O foco do mercado muda com o tempo. Daqui a seis meses ou um ano, o mercado não relacionará desemprego com o estímulo. Serão outros fatores como inflação, taxa de juro, taxa de crescimento, endividamento como percentagem do GDP, taxa de câmbio, etc., de cada país que determinam a oscilação de cada bolsa.

Para quem investe na bolsa brasileira é interessante observar as mudanças que o governo pretende introduzir após o término dos protestos. O povo e os sindicatos querem mais escolas, melhor atendimento nos hospitais, menos gastos públicos e menos números de ministérios. O povo se revolta contra a corrupção e os mensalões (até agora ninguém foi para a cadeia), contra a burocracia e a ineficiência. Embora o governo reconheça como justas as reivindicações, terá coragem para implantar as mudanças? Temos de acabar com o jogo de empurra-empurra das responsabilidades entre o executivo, congresso e judiciário. Senão estaremos perdendo tempo, e nenhuma reforma será concretizada na gestão da Presidenta Dilma, deixando tudo pendurado para depois da próxima eleição. Se o povo não tem paciência para toda a demora com as reformas, vão recomeçar os protestos nas ruas e praças. Com esse círculo vicioso, o Brasil torna-se um país de protesto eterno sem ordem e progresso.


Admito que o cenário acima descrito é demais pessimista. Tomara que isto não aconteça. Estou esperando ver a luz no final do túnel. Esperança é a última a morrer!

terça-feira, 2 de julho de 2013

A perspectiva de término de estímulo do FED americano sobre a economia mundial e do Brasil

O mês de julho, 2013, foi desastroso para as bolsas do mundo e do Brasil. O Federal Reserve tem injetado $ 85 bilhões mensalmente via compra de títulos (quantitative easing – QE) para estimular a economia. Como o programa não pode continuar eternamente, o mundo investidor especula quando o estímulo vai acabar. Ben Bernanke anunciou que enquanto a inflação continuar baixa e o desemprego não cair para o nível de 7% (atualmente está em 7,5%), o estímulo deve continuar. Como o desemprego não cairia meio porcento da noite para o dia, o FED, acompanhando a evolução da economia, poderia diminuir o estímulo de $ 85 bilhões para $ 65 bilhões mensalmente, mexer um pouco na válvula (tapering), mas não fechar a torneira. As opiniões de outros diretores do FED também não são unânimes. Uns querem acabar com o estímulo, visando o perigo da inflação futura; outros querem manter o status-quo, achando que é cedo demais para descontinuar o estímulo.

Neste ambiente, as bolsas americanas e mundiais ficam voláteis e nervosas. Diante da incerteza da política do FED, e a alta de 15% das bolsas americanas no primeiro semestre do ano, os investidores resolveram realizar lucros. Embora a economia do mundo está melhorando (Europa resolveu temporariamente o problema da dívida, e o Japão está saindo da recessão), as bolsas do mundo caíram violentamente na segunda quinzena de junho. Chuvas e trovoadas de repente em dia de sol brilhante.

No Brasil, além da queda do Índice Bovespa de 15,9% (de 56.406 em 24/5 para 47.457 em 28/6) o país sofreu uma desvalorização da moeda de 8,6% (de real = US$ 0.49 para US$ 0.448) no mesmo período. Medida em dólar, os investidores na bolsa brasileira perderam 25,9%, e todos os brasileiros (mesmo não investindo na bolsa) perderam 8,6% de seus ativos (terrenos, casas, móveis, automóveis, etc) e seus ganhos (salários, aposentadorias, juros e poupanças).

Os protestos do povo começaram com o aumento da passagem de ônibus e se arrastaram contra a corrupção burocracia e ineficiência do governo. O povo, pela intuição, sentiu que algo está errado. O governo da Presidenta Dilma tem um plano estratégico para sair deste buraco?


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Remédios com desconto


Recentemente descobri que alguns remédios têm descontos especiais oferecidos pelos laboratórios:

A)    Lípitor 20 mg (prevenção de complicações cardiovasculares) com desconto de 68% (Pfizer)
B)    Crestor 10 mg (redução de colesterol) com desconto de 55% (Astrazeneca)
C)    Janumet 50/850 mg (tratamento de diabetes tipo 2) com desconto de 60% (Merck)

Para obter os descontos diretos dos laboratórios, você deve se cadastrar junto à farmácia (Panvel ou Raia) com os seguintes dados:

1)     carteira de identidade
2)     nome do médico e número do CRM

A farmácia entra em contato com o laboratório pelo computador. Uma vez aprovado, a farmácia fornece o número do cadastro que é exigido para as próximas compras (tanto na Panvel quanto na Raia).


O que eu não entendo é porque tanta complexidade. Um remédio com preço de R$ 100 menos desconto de 60% é igual a R$ 40. Porque os laboratórios não colocam o preço do remédio a R$ 40 diretamente, sem desconto, sem cadastro e sem espera de 15 minutos para processar a venda? Se o laboratório pode vender o remédio a R$ 40 com lucro decente, o preço de R$ 100 é um superfaturamento, um ganho exorbitante para o laboratório.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O mundo comprou da China nos últimos 20 anos, e o mundo vai vender para a China nos próximos 20 anos.


O comércio mundial com a China é como os jogos de pôquer ou de majong. Quando todas as fichas ficam com um jogador, o jogo não pode continuar. Devido à mão de obra barata, a China exporta tudo para o resto do mundo, acumulando quase um trilhão de dólares em reservas que estão aplicadas em debêntures americanas (treasury bonds), rendendo juros e financiando o déficit americano. O bolo cresce mais com o juro composto e o estado compra mais bonds americanos.

O que adianta o estado ficar rico e o povo continuar pobre? Nos últimos anos, a China acordou e mudou a meta, de priorizar a exportação para o consumo interno, elevando o padrão de vida do povo. Interiorizar a manufatura e o consumo, diminuindo o “gap” entre o leste e o oeste da China. “Interiorizar” também porque a mão de obra nas províncias da costa leste não é mais barata como antes.

Gradualmente a China está mudando de economia de produção para a economia de consumo (keynesiano), e como o povo agora tem mais dinheiro está se criando mais procura por bens e serviços. O mundo está preparado para vender para a China nos próximos 20 anos. Afinal de contas, a China será o maior mercado de consumo do mundo.

O Brasil está preparado para invadir o grande mercado da China?

As empresas que já estão exportando para China, como Marcopolo, Embraer, Azaléia, devem criar “uma cooperativa de exportadores para China” junto com as empresas que pretendem iniciar as exportações para trocar idéias e experiências sobre estratégias, legislações, tarifas, incentivos e facilidades cambiais (por exemplo, o pagamento pode ser feito em renminbi, real ou dólar). Quem sabe a Presidenta Dilma pode criar um novo ministério de Intercâmbio Brasil – China para incentivar e incrementar o comércio bilateral entre os dois países.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Só temos notícias de violência!


Ultimamente fiquei frustrado vendo as notícias de jornais, televisão e websites: guerra civil na Síria, matança em escola no Texas, etc. No Brasil, o Jornal da Globo e outros canais só divulgam notícias sangrentas, ladrões que explodem e saqueiam caixas eletrônicos dos bancos, assaltantes que matam taxistas, balas perdidas que atingem crianças. Ou roubos de todos os tipos: dos roubos cotidianos até os “mensalões” dos deputados no Congresso. E, pior ainda, ninguém é punido ou preso. Mesmo presos, os ladrões são soltos em poucos dias por falta de espaço nas prisões. Que país é esse, Brasil?

Antes de a revolução comunista tomar conta da China, em 1949, eu fui estudar nos Estados Unidos, e depois escolhi o Brasil para morar o resto da minha vida. 60 anos depois, a China, embora ainda comunista no nome, virou uma economia de mercado e o povo vive com tranqüilidade. É proibido o povo possuir armas, e há pena de morte para assaltos, seqüestros e matanças. Em contraste, armas são permitidas no Brasil e não há pena de morte. Muitas vezes eu me pergunto se eu não escolhi o país errado!

Diariamente há tantas notícias de violência, assaltos e matanças que tenho vontade de desligar a televisão na hora do jantar. Trocar para um canal de filmes? Infelizmente os filmes de hoje também só tem bang, bang, bang! Será que os filmes de violência induzem a mais violência na vida real da sociedade brasileira?

Para as minhas horas de lazer, só vou assistir canais de esportes: futebol, basquete e tênis. Dvds de música clássica: concertos, sinfonias e óperas. E quando tiver inspiração, escrever um artigo para o meu blog.

terça-feira, 19 de março de 2013

Economia Global


Embalada por dados econômicos da China e dos Estados Unidos, o Dow Jones, em 8 de março de 2013, teve alta pela sexta vez, superando o recorde pela quarta vez seguida, com ganho de 11,3% em 2013. A Nasdaq também alcança novo recorde histórico. A criação de 236 mil novos empregos nos Estados Unidos e o crescimento de 20% nas exportações na China em fevereiro são notícias otimistas para as bolsas do mundo.

A bolsa de Tóquio subiu 2,64%, e o índice Nikkei tocou no maior nível desde 10 de setembro de 2008. A revisão do PIB do quarto trimestre de 2012 mostrou alta de 0,2%, portanto, o Japão saiu tecnicamente da recessão.

A declaração do novo Poliburo da China de combater a corrupção e a ineficiência, a manutenção da política monetária de “easy money” para investimento na infra-estrutura e o recente entendimento entre a China e os Estados Unidos em condenar a ameaça de mísseis nucleares da Coréia do Norte, impulsionaram a bolsa de Shanghai para cima. E as bolsas da Ásia, Índia, Indonésia, Filipinas, Singapura e Coréia do Sul subiram todas em conjunto.

Na América Latina, o destaque é o México. The México Fundo (MXF), composto pelas ações mais importantes do México, negociado na NYSE em dólar, subiu 33% (de $26,75 em fim de novembro de 2012 para $35,62 em 15 de março de 2013). A cotação ficou com um prêmio de 9,13% acima da NAV (Net Asset Value), uma performance inédita nos últimos anos. Isto reflete um grande otimismo após a eleição de Enrique Nieto que advoga transformar a PEMEX (Petróleo México), de monopólio estatal, em companhia aberta com participações das grandes empresas petrolíferas internacionais. Além disso, as multinacionais americanas (GE, GM, Nissan, etc) estão mudando as operações de manufatura da China para o México (“Made in China” para “Hecho no México”). Agora a mão de obra é tão barata quanto à da China, e o custo de transporte terrestre do México para os Estados Unidos é um terço do frete transoceânico da China para a América.

A economia global está mais otimista com a economia de mercado e menos intervenção dos governos. E o Brasil? Quando o governo brasileiro vai acordar e seguir o caminho que os outros países do mundo estão trilhando?

terça-feira, 12 de março de 2013

Petrobrás e petróleo



Na semana passada (4 a 8 de março) a Bovespa subiu 2,7%, revertendo diversas semanas de queda. A surpresa foi Petrobrás que, de repente, subiu 14,5% (PN) e 21% (ON) em dois dias (6 e 7 de março). Até hoje, ninguém soube explicar o porquê. A alta do preço do diesel? Talvez o preço do papel estivesse barato demais depois de dois anos de queda. Estou sofrendo um grande prejuízo com a subscrição da PN a R$ 26, em setembro de 2010. O papel teve queda livre desde que o governo usou e abusou da Petrobrás como instrumento para frear a taxa de inflação. O momento de comprar Petrobrás seria quando o preço internacional do petróleo cair de $90 para $60 por barril (o custo cair um terço) e a empresa não for obrigada a baixar os preços da gasolina e do diesel. A lógica é: quando o preço internacional do petróleo sobe, os preços dos derivativos não são permitidos a subir de acordo. Daí, quando o preço internacional cair, o governo não poderá obrigar a Petrobrás a baixar os preços da gasolina e do diesel.

Alguém pode pensar que minha especulação de que o preço do petróleo possa cair de $ 90 para $ 60 por barril seja o meu “day dream”. Quem sabe? O preço do petróleo, como qualquer commodity, é imprevisível. Se nos últimos anos o preço subiu de $30 para $90, não é razoável que retroceda um terço, para $60?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Baby escutando Mozart


A BBC recentemente noticiou a descoberta de que os bebês que escutam músicas de Mozart crescem com mais inteligência na vida. Ao lado do artigo tem um foto de um bebê deitado num carrinho, dormindo com fones de ouvido, escutando e curtindo a música de Mozart.

Eu escuto música clássica o dia todo. Mozart é o meu favorito. Suave, melódica, harmoniosa e relaxante para o corpo e a alma. Neste momento, só tenho pensamentos positivos. Não me arrependo de nada, nem consigo odiar ninguém. Tudo numa boa. A vida é de uma beleza eterna.

Em 1949 estudei no St. Vicent College, Latrobe, PA. Um colega de faculdade que estudava música me introduziu na musica clássica. Bach, Beethoven, Brahms e Mozart. Piano e concertos de violino, sinfonias. Um segredo: a música pode não ser tão gostosa quando se ouve pela primeira vez, mas escutando repetidamente vai ficando cada vez mais bela. A música é comparável à amizade: o primeiro contato com outra pessoa é apenas um encontro. Amizade se cultiva com anos de convivência.

Todos os domingos almoçamos com a família do Patrick, meu neto. Ele vem com a esposa e duas filhas, Ângela e Verônica. Ângela tem 3 anos, e Verônica, 10 meses. Verônica me faz lembrar a foto do bebê no carrinho, com os fones de ouvido, escutando Mozart. No próximo aniversário da bisneta vou dar de presente um CD de Mozart. Ela já é inteligente, mas vai ficar mais inteligente ainda.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Manufaturar “offshore”?



Jack Welch, quando era CEO da General Eletric, falou em 1998: “Idealmente, você deve instalar sua fábrica em cima de um navio para movimentar de acordo com a mudança em moeda e economia”. Welch, o pioneiro de “offshoring”, montou o primeiro offshore service center em Gurgaon, no subúrbio de Delhi, Índia.

Agora, a linha de pensamento da GE se reverteu. Jeff Immelt, sucessor de Welch, chamou outsourcing “modelo de ontem”. Ele retornou a produção de frigideiras, máquinas de lavar e aquecedores, da China para Kentucky. Ele manda de volta para casa IT Work (Internet technology) e emprega centenas de engenheiros de TI num novo centro em Michigan. GE não está sozinha. Trazer empregos de volta para o primeiro mundo está hoje tão na moda quanto foi mandar empregos para a China há uma década.

Mês que vem, a América vai começar a manufaturar computadores em larga escala quando a Lenovo, chinesa e gigante, relançará a produção do IBM Think-Pad notebooks e desktops PCs na Carolina do Norte. Foxcomm, de Taiwan, fabricante de gadgets eletrônicos vai expandir na América. General Motors planeja mudar a maioria de sua produção TI da Índia de volta para Detroit.

A decisão de trazer empregos de volta para casa pode ser política, mas o incentivo fundamental é econômico. Primeiro, a manufatura se torna cada vez mais automatizada, então a mão de obra constitui uma fatia de custo cada vez mais decrescente. Segundo, para os negócios que dependem muito de mão de obra, o custo da mão de obra acelerou nos paises pobres. Salários dos trabalhadores chineses subiram 20% por ano, mais do que a produtividade. Ademais, o fortalecimento da moeda chinesa exerce mais pressão sobre o custo. E o custo crescente de transporte oceânico de produtos manufaturados da China para a América é mais um peso.

Os consultores internacionais admitem que em 2015, o custo de manufatura para empresas americanas será igual na China e na América. As vantagens de “outsourcing services” também estão caindo. A diferença de custo de um “software programmer” indiano e um americano cairá para menos de 20% em 2015.

Há sugestões e especulações de que em vez de “outsourcing” manufatura na China (e Ásia) e software programming na Índia, as empresas americanas devem procurar as oportunidades na vizinhança. México, além de ser sócio fundador da NAFTA (North América Free Trade Association) com isenção ou redução das tarifas de importação, a mão de obra é mais barata, e o transporte menos custoso.


Alguém acredita que, logo os produtos vendidos no varejo americano serão etiquetados “Hecho em México” em vez de “Made in China”.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

As bolsas do mundo em 2012

The Economist publicou na edição de 15/12/2012 o desempenho das bolsas do mundo (12/12/2012 sobre 31/12/2012):

BRIC
PAIS / EM MOEDA LOCAL / EM $

Brasil / + 4.8% / - 6,1% (desvalorização do real)

Rússia / + 3,8% / + 9%

Índia / + 25,2% / + 22,6%

China / - 5,3% / - 4,7%



EUROPA
PAIS / EM MOEDA LOCAL / EM $
Espanha / - 6,2% / - 5,8%

Grécia / + 28,3% / + 28,9%

Alemanha / + 29,1% / + 29,7%

Polônia / + 24,3 % / + 35,8%



ÁSIA
PAIS / EM MOEDA LOCAL / EM $

Turquia / + 51 % / + 60,2 %

Hong Kong / + 22,1 % / + 22,3 %

Pakistan / + 47,6 % / + 36,5 %

Singapore / + 18,7% / + 26,1 %

Korea / + 8,2% / + 15,9 %

Tailândia / + 32,1% / + 36,1%

Japan / + 13,3 % / + 5,1 %



ECONOMIAS AVANÇADAS
PAIS / EM MOEDA LOCAL / EM $

Inglaterra / + 6,7% / + 10,7%

Canadá / + 3.3 % / + 6,8 %

U.S.A. (Dow Jones) / + 8,4 % / 8,4 %

(S& P 500) / + 13,6 % / 13,6 %

(Nasdaq) / + 15,7 % / 15,7 %


Entre os países com desempenho negativo, o Brasil foi o pior de todos. Petrobrás foi usada e abusada pelo governo como instrumento para baixar a inflação; Vale sofreu com a queda do preço do minério e de exportações para a China. As siderurgias perderam competitividade. E, acima de tudo, a desvalorização do real empurrou a bolsa para o campo negativo (medido em dólar).

A Europa recuperou-se no final do ano. Até a Grécia subiu 29% (de um patamar bem reduzido). A surpresa foi a Polônia com alta de 35,8%, bolsa que poucos investidores acompanham.

Na Ásia, os emergentes subiram bem, como Turquia, Pakistan e Tailândia. Japan subiu pouco, como os outros países avançados: Inglaterra, Canadá e Estados Unidos. As altas do primeiro mundo foram modestas e razoáveis, acima das taxas de juro negligíveis.

Não adianta correr atrás da Turquia, Pakistan ou Tailândia. “Past performance does not guarantee future performance”. Bem casado ou mal casado, estou casado com o Brasil.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Autocrítica - ano 2012

No ano passado fiz muitas besteiras na administração de minha carteira de ações.

Em vez de segurar Ambev ON e Souza Cruz ON, realizei lucro. Em vez de realizar prejuízos sobre CSN, Usiminas, Vale e Petrobrás, segurei estes papeis ate hoje.

Em teoria, é fácil falar: “deixar subir os papéis que estão subindo, e liquidar os que estão caindo (ou colocar stop loss para limitar os prejuízos)”. Na prática, a psicologia é outra: não conseguir resistir à tentação de realizar lucro de quase 100%, e sentir dor demais para realizar prejuízo de 50%.

Não adianta chorar sobre o leite derramado. Vou procurar melhorar a performance dos anos vindouros.

Desejo um feliz ano novo para todos os meus amigos investidores.



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Ambev ON (AMBV3)

Em 10 de dezembro, 2012, Ambev anunciou que as ações preferenciais da empresa (AMBV4) vão deixar de existir, e serão trocadas por ações ordinárias (AMBV3) na base de uma para uma.

Durante os anos, AMBV3 sempre foi cotada com um desconto de 12% a 13% em relação as preferenciais, enquanto as ações ordinárias de Petrobras e Vale são negociadas com um ágio em relação as ações preferenciais. A explicação de que o papel ordinário de Ambev é menos liquido do que a ação preferencial não é convincente. Porque as ações ordinárias da Petrobras e Vale gozam de um ágio sobre as preferenciais, embora as ordinárias tenham menos volume de negociação do que as preferenciais?

Diante da noticia de equiparação dos dois tipos, na segunda-feira, 10 de dezembro, AMBV3 subiu 10%, e AMBV4 caiu 1,65%.

Nos últimos anos, sempre tenho recomendado os papéis de Souza Cruz e Ambev (carteira de vícios). Souza Cruz só possui ações ordinárias. Ambev, escolho ações ordinárias porque não me conformo com o desconto. Hoje, finalmente, é meu dia de vingança!