terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Carteira de Dividendos

Após a ascensão vertiginosa da Bovespa, de 80% em 2009, acho que está na hora de pensar em investimento em função de dividendos.

BB Estilo – o guia de investimento do Banco do Brasil – recomenda uma carteira de dividendos como segue:

Ação/Setor

AmBev/alimentos e bebidas
CCR Rodovias/exploração de rodovias
Eternit/materiais para construção
AES Tietê/energia elétrica
Petrobrás/petróleo e gás
Sabesp/água e saneamento
Telesp/telecomunicações
Vale do Rio Doce/mineração

Concordo com a lista, mas gostaria de adicionar mais uma empresa: a Souza Cruz, que não somente paga dividendos ou juro sobe capital trimestralmente, com também anuncia a data em que a ação fica ex-dividendo bem como a data do pagamento (trinta dias depois). Isso não deixa de ser o estilo inglês. Muitas empresas declaram proventos “provisionados” ou “sem previsão”; deixam os acionistas pendurados sem saber quando vai entrar o dinheiro no bolso. Pior ainda, o investidor tem que incluir o “dividendo a receber” na sua declaração do imposto de renda do exercício.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Após a euforia, a queda

Nos 20 primeiros dias de janeiro de 2010, o governo chinês restringiu o sistema de crédito duas vezes, aumentos os juros e o depósito compulsório dos bancos. O banco central respondeu com aperto monetário frente à velocidade excessiva de crescimento do PIB, de 10,7% no quarto trimestre de 2009, comparado ao mesmo período do ano anterior.
A medida não afeta somente as bolsas da China e da Ásia. O resfriamento da economia chinesa cria perspectiva de menor procura por, e em menor preço, para as commodities brasileiras, como petróleo, minério de ferro e produtos siderúrgicos. A Bovespa caiu violentamente nos dias 20 e 21 de janeiro. Petrobrás, Vale e as empresas de siderurgia lideraram a queda que se estendeu ao resto do mercado.
Os papéis que resistiram nessa queda são as do setor de “vício” – cigarros e bebidas. Souza Cruz e AmBev ficaram firmes. Ambas são de consumo doméstico. Ambas são monopólios e ambas pagam bons dividendos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ineficiência e Burocracia

Após meses sem movimentar a carteira de ações que tenho junto à corretora Unibanco/Investshop, telefonei, no final de 2009, para vender algumas ações. Um corretor atendeu, perguntou meu nome e CPF, e logo disse que a minha conta estava bloqueada. Para desbloquear é preciso fazer o recadastramento em atendimento à regulamentação da CVM. Ele me mandou um formulário por e-mail. Após preenchê-lo, o gerente do Unibanco de Porto Alegre precisou abonar a minha assinatura e enviar o formulário para o Investshop em São Paulo.
Após ter feito tudo isso, liguei novamente para o corretor para saber quando eu poderia vender ou comprar as ações. Ele respondeu que precisa esperar 8 dias úteis para receber o malote e mais 5 dias úteis para analisar.
Que ineficiência e burocracia!
Soluções:
a) Vender toda a carteira, e até logo.
b) Transferir todos as ações para a minha corretora em Porto Alegre
c) Trabalhar com homebroker na Internet; é mais eficiente, menos burocrático e se paga bem menos comissão (R$ 18,00 per trade)

Comentários, meus amigos investidores?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

New Oriental Education

A América é sempre vista como “the land of opportunity”, onde um jovem pode começar com nada, mas com trabalho e dedicação, pode subir na vida e na sociedade de acordo com sua capacidade e ambição. “The American Dream”.
Agora na sociedade chinesa já existe “The Chinese Dream”. A meta dos jovens é: “get educated, get a job, and get rich”. Para atingir essa meta, o percurso é: proficiência em inglês, um diploma universitário, MBA e Ph.D. no exterior.
Para atender a demanda por high education, já surgiram empresários com visão nesta área específica. A empresa, New Oriental Education (NYSE: EDU) é líder na educação privada na China.
O sistema de educação na China requer que os estudantes passem por diversos exames padronizados. A New Oriental prepara-os com cursinhos, aulas de inglês, etc. Para ser admitido em uma universidade de prestígio, o estudante tem que obter uma nota alta num exame padronizado chamado “gaokao” – o exame determinante da vida - que não somente determina a carreira, mas também o salário e o padrão de vida de toda a família.
O mercado é enorme. Os estudantes começam a ser preparados desde os 5 anos de idade; o número de estudantes atingiu 1,3 milhões; o faturamento é estimado em $ 10 bilhões. As aulas começam em Beijing e Shanghai e estendem-se pelo interior do país. Os cursos se expandem para o treinamento profissional: civil service, certified public accountant (CPA) e advocacia.
Os pais e avos só pensam na carreira da criança; juntam as poupanças para garantir o futuro do herdeiro.
No 3° trimestre, o faturamento subiu 47%, o lucro 32%, e o ganho sobre NAV, 17%. A ação (EDU, NYSE), subiu 250% desde 2006, enquanto S&P 500, no mesmo período, subiu 0%.
Não consigo descobrir uma empresa brasileira equivalente à EDU, que atue nesta área. São poucos os jovens que enriquecem jogando futebol. Para a maioria que quer subir na vida, o caminho é a educação, o diploma universitário, o MBA e o Ph.D. Alguém vai organizar uma empresa como a EDU e fazer IPO na bolsa?
“The Brazilian Dream”?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Saúde e Educação

Um artigo na revista Business Week fez a seguinte pergunta:

Suponhamos que você tivesse $ 50.000 em cash, o que faria com o dinheiro?
A) reformar sua casa e remodelar seu banheiro
B) comprar um carro novo
C) tratar da artrite dos seus joelhos
D) pagar dois anos de colégio do seu filho na universidade do Estado

O autor do artigo acha que a maioria escolheria C e D, investimento em saúde e educação. Hoje em dia, A e B são luxos; C e D são necessidades.

Numa pesquisa de opinião (Gallup poll), 56% dos americanos consideram a educação o item mais importante do pacote de estímulos, mais do que o corte nos impostos. A verba destinada aos bancos e às companhias cria pouco efeito de estímulo. Mas fundos dirigidos às escolas e aos hospitais – contidos no programa de estímulo de Obama – são destinados para compra de equipamentos de hospitais, construção de prédios e criação de empregos – mais enfermeiras, técnicos de medicina, etc.

Em 2008, trabalhadores da área da saúde e educação aumentaram em meio milhão de pessoas, contrabalançando a queda de empregos no setor de manufatura. No estado de Michigan, com Detroit como a capital da indústria automobilística, saúde e educação contavam com 23,7% dos empregos, enquanto a manufatura caiu para metade disso, somente 12,5%. Nacionalmente, saúde e educação são estabilizadoras da economia, gerando empregos a passo firme, adicionando 5,3 milhões de empregos desde 1999.

Gastos com saúde e educação eventualmente terão que ser controlados daqui a 5 ou 10 anos. Por enquanto, escolas e hospitais são as melhores apostas para manter o mercado de trabalho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A volta do keynesianismo

Ultimamente foram publicados dois livros sobre Keynes: Robert Skidelsky: “Keynes, The return of the Master”, e Peter Clark, “Keynes, The Rise, Fall and Return of the 20th Century’s most influential economist.” Sintetizando, ambos acham que com o fracasso do nosso sistema econômico e a recessão mundial beirando a depressão, está na hora do retorno da revolução Keynesiana – a economia pode ser estimulada pelo “déficit spending” do governo.
Esqueça a Bíblia e Das Kapital; pratique o que funciona e o que já funcionou.
Roosevelt via estímulos ao consumo, tirou os Estados Unidos e o mundo da depressão de 1929. Deng Xiao Ping fez a mesma coisa e disse: “Não importa se o gato é branco ou preto. Desde que ele pegue o rato, ele é um bom gato.”
De 2008 até hoje, o mundo reviveu o drama de assistir as medidas de estímulo econômico implantadas pelo governo Obama, junto com o Federal Reserve e os bancos centrais mundiais (com baixas sucessivas de juros). A prática de estímulo através de gastos públicos é quase universal.
Quem tem gasta, quem não tem também gasta (déficit spending). O objetivo é o mesmo: dar emprego e renda ao povo via construção de infra-estrutura, estradas, construção civil. O mecanismo varia com cada país. Os Estados Unidos inventaram o “clunker” – quem troca carro usado por carro novo recebe 5 mil dólares como incentivo. Em diversos países, o governo literalmente coloca dinheiro vivo nas mãos do povo.
E o medo da inflação? Os keynesianos não estão preocupados. “Quando vier, daremos um jeito.”
E o nosso Brasil? Não esqueça que o ano que vem é ano de eleição. O governo do PT dificilmente praticará o aperto fiscal ou monetário. O Presidente Lula sabe disso melhor do que eu. O keynesianismo tem pelo menos mais um ano de vida no Brasil.
Feliz Ano Novo – 2010.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Shanghai e China

Após a visita a Dubai, chegamos a Shanghai, minha cidade natal. Como Dubai, Shanghai continua construindo prédios, shoppings centers, estradas. Só que com uma diferença. Dubai constrói com dinheiro emprestado; Shanghai (e a China) constroem com dinheiro de superávit. A China tem trilhões de reservas para gastar, para tirar o país da recessão, dar empregos ao seu povo e manter o crescimento econômico a uma taxa de 8% ao ano.
Atualmente a China é um país capitalista dirigido pelo Estado, que por sua vez, é dirigido pelo Partido Comunista. Nas conversas com os meus amigos, ninguém falou de capitalismo ou comunismo. O regime perdeu o rótulo. O assunto é progresso econômico. O Estado cria empregos via construção de estradas, prédios e infra-estrutura, incentivos para exportação, e ultimamente, para consumo interno. O nível de vida está cada vez melhor nas cidades (especialmente Shanghai), e o governo está fazendo esforços para interiorizar o progresso.
O povo tem “liberdade” de expressão, pode xingar Karl Marx ou Mao Zedong, desde que não critique abertamente o governo em relação ao Tibet ou, recentemente, sobre Urumqui. O jornal, o rádio e a televisão são controlados pelo governo. Mas com o avanço da internet, o controle é cada vez mais questionável.
A bolsa de valores funciona normalmente, compra e venda investir e especular. As lojas e as lojas de departamento não aceitam cartão de crédito local, mas aceitam cartões de turistas emitidos no exterior. O negócio é pagar cash e negociar descontos.
Na última reunião do G-20, Obama quis a revalorização do renminbi (Yuan), mas o governo chinês está resistindo até onde pode.
Culturalmente, ainda existem muitos hábitos indesejáveis. Não respeitam filas, entram no elevador antes que os outros tenham saído, cospem no chão.
Shanghai e a China, eu visito a cada três ou quatro anos, mas não tenho intenção de morar lá. Meu lugar é em Porto Alegre e no Brasil. Quando o avião aterrissou em Porto Alegre, eu disse: “graças a Deus, estou em casa!”.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A crise de Dubai

Apesar de toda a beleza que descrevi no artigo anterior sobre Dubai, ela agora está enfrentando uma crise por causa de suas dívidas que assusta os bancos da Europa e dos Estados Unidos. Ela tem que pagar ou refinanciar US$ 50 bilhões em quatro anos. As companhias de Dubai têm uma dívida de US$ 90 bilhões, ou 126% do GDP, em debêntures de curto prazo e empréstimos dos grandes bancos do mundo. A habilidade de Dubai em sanear toda essa dívida depende dos bancos estrangeiros, especialmente da generosidade de Abu Dhabi, o emirado vizinho rico em dólar e petróleo.
Mas agora os líderes de Abu Dhabi estão mais exigentes em troca de novos financiamentos. Abu Dhabi pode querer participações nas “crown jewel” companhias, como Emirates Airlines, DP World (operadora dos portos) e Dubai Aluminum. As eventuais participações podem consolidar estas companhias com as de Abu Dhabi, tal como Etihad Airways. Até agora, o Sheikh Mohammed tem evitado qualquer take over de equity em Dubai, frustrando uma venda de 20% da DP World por US$ 2 bilhões para a Abraaj Capital, uma firma de Dubai de private equity, e China Investment Corp., Sovereign wealth fund de Beijing.
Mas uma inadimplência de Dubai vai sacudir a confiança dos investidores em toda a U.A.E (United Arab Emirates), inclusive Abu Dhabi. Os outros emirados não podem deixar isso acontecer.
Mas aconteceu o que o mercado temia.
O conglomerado estatal Dubai World, holding que cuida dos principais investimentos do governo de Dubai, anunciou em 26 de novembro uma moratória de seis meses do pagamento de US$ 59 bilhões de dívidas do grupo. As bolsas européias caíram 3% e a Bovespa caiu 2,25% (as bolsas americanas tiveram feriado de Thanksgiving).
Na bolsa de Londres, o setor bancário, RSB, Lloyds, HSBC, caíram violentamente. As agências de classificação de risco, Moody’s e Standard & Poor’s, baixaram a nota das grandes companhias do governo de Dubai.
O caso Dubai serviu como pretexto para a realização de lucros, na Bovespa, inclusive.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Dubai

No caminho para Shanghai em outubro, 2009, fizemos um stop-over de quatro dias em Dubai. O Jumeirah Beach Hotel é um luxo, com 21 restaurantes (árabe, francês, italiano, alemão, malaio/tailandês, etc.). Quadras de tênis, piscina, academia e carrinhos que transportam os hóspedes para todos os cantos do hotel.
O luxo não é só dentro do hotel, mas em toda a cidade de Dubai, construída no meio do deserto. O governo dos Emirados Árabes, com os petrodólares, construiu super estradas, infra-estrutura, skyscrapers para criar prosperidade e dar emprego ao seu povo.
Com a produção de petróleo em declínio, o governo investe em turismo.
Fomos visitar Abu Dhabi, onde a atração principal é uma mesquita. A estrutura é linda, com arquitetura harmoniosa e perfeita. O que mais impressiona é a área na frente da mesquita onde pode ser agrupado 50 mil fiéis na hora de rezar. Para visitar a mesquita os homens têm que tirar os sapatos e as mulheres vestem um roupa preta e cobrem a cabeça com um xale preto. É a primeira vez que tive contato com a religião e a cultura muçulmana. A sensação foi muito diferente das visitas às igrejas católicas que os guias de turismo costumam conduzir a gente para ver.
Como turista gostei da visita ao mundo muçulmano. Como economista, aplaudo a coragem e a visão dos Sheiks dirigentes de transformar a economia de petróleo para o turismo que cria mais estabilidade e emprego para o seu povo. O desenvolvimento dos Emirados Árabes serve como um bom exemplo para o mundo árabe.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ORIGEM – Retratos de família no Brasil

Em 29 de agosto fui para São Paulo para o lançamento do livro “ORIGEM – Retratos de família no Brasil”, de autoria de minha filha, Fifi Tong, editado pela Auana Editora, patrocinado pelo Banco BBM.
A família ficou orgulhosa e o público muito entusiasmado com o lançamento do livro de fotografia ilustrando mais de 50 anos de imigração no Brasil. Imigrantes da Ásia, África, Europa e de todos os cantos do mundo.
Ela estudou fotografia no Art Center College of Design, em Pasadena, Califórnia. Na cerimônia de formatura estava o patrocinador Lee Iacocca, famoso CEO da Chrysler Corp., que selecionava os melhores estudantes de design de automóveis para trabalhar com ele. O curso de fotografia também é reconhecido como o melhor do mundo.
Após a formatura ela voltou para o Brasil e trabalha como fotógrafa profissional. O sonho dela sempre foi publicar um livro. Após decidir sobre o tema, ela viajou durante anos pelo Brasil, fotografando, selecionando, compilando e sonhando com a publicação do livro. Finalmente, em 2009, com o patrocínio do Banco BBM, o sonho se tornou realidade.
Moral da estória: persistência e perseverança.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

China

Prezados leitores,
Vou estar na China até meados de novembro, logo não haverá posts durante este período.
Qualquer observação interessante será postado no blog quando eu retornar.

Até a volta !

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Marcas e Patentes

Se o valor do ativo tangível de uma companhia (fábrica, etc.) é baixo comparado ao seu valor de mercado, seu “ratio” preço/book value seria alto. Essa discrepância poderia ser devido aos ativos intangíveis.
Por exemplo:

COMPANHIA – PREÇO (8/5/09) - PREÇO/BOOK

Colgate – 62.16 – 17.6
Avon – 22.94 – 14.5
Altria – 17.13 – 12.5
Kellog – 42.79 – 11.3

Não se assuste com os preços destas ações, cotadas mais de 10 vezes os seus valores contábeis. Pode ser que o preço não esteja alto. E o book value é que está baixo. Book value representa o custo histórico dos ativos da companhia, mas não representa o valor verdadeiro. O valor escondido ou intangível está nas marcas e patentes.
Coca-cola, a marca nº 1 do mundo, tem um valor intangível incalculável. A velha piada diz: “na corrida para chegar à lua, se os russos chegarem primeiro, vão pintar a lua de vermelho; se os americanos chegarem primeiro, vão pintar a lua de Coca-cola”.
Focar nas companhias com patentes promissoras é outra maneira de achar o valor intangível. Desde 1993, a IBM ganhou $ 10 bilhões com “patent royalties”, monetarizando as inovações. A consultoria Ocean Tomo procurou outros candidatos com potencial de monetarizar o valor de patentes, e listou as seguintes empresas como promissoras: Cardinal Health, General Eletric, Honeywell International, Royal Dutch Shell e Texas Instruments.
Quais são as empresas brasileiras que têm marcas de destaque e/ou possuem patentes para faturar em cima das inovações?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

China goes shopping (2ª parte)

Os apoios para as expedições internacionais vêm de cima para baixo, desde o Politburo. “Devemos encorajar nossas grandes empresas a entrar no mercado internacional e expandir seus negócios”, disse Li Rongrong, chefe da agência responsável pelas grandes empresas estatais na China.
O que a China está comprando?
A China favorece as aquisições que não colidam com as multinacionais do mundo. A compra da Addax Petroleum da Suíça faz a Sinopec ter acesso ao petróleo kurdish e nigeriano sem soar o alarme para o mundo.
Mas quando a Chinalco (Aluminum Corp.) a China planejava investir $ 19 bilhões na mineradora anglo-australiana Rio Tinto, a estória é diferente. Os acionistas questionaram a prudência de vender a fatia de 18% para a Chinalco. Os políticos, abertamente, condenaram o negócio. “A entidade estatal da China é meramente um braço do Partido Comunista”, disse o senador australiano Barnaby Joyce. Com o negócio com a Rio Tinto não saiu, a China pode tentar a Vale do Rio Doce (um “Rio” diferente, mas o minério é o mesmo).
Uma área onde a China anda devagar é nos Estados Unidos. Lembre-se da oferta abortada de 2005 da China National Offshore Oil pela Unocal que criou uma tempestade no Congresso americano. “A percepção chinesa é que eles tentam comprar companhias usando o mecanismo do mercado sem prever o eventual envolvimento com as controvérsias políticas”, comentou um assistente do secretário de Estado do governo Bush.
Mas, o incidente com os Estados Unidos não impede os esforços chineses em outros lugares. O shopping continua. China Minmetals fez oferta de $1,4 bilhões pelo Oz Minerals. Hunan Valin Iron & Steel investiu $ 770 milhões em Fortescue Metals. Ambos na Austrália. “É natural que as companhias, ao crescer, procurem novas oportunidades fora do país”, disse o professor de Finanças Zhou. “Haverá mais shopping no exterior. E o mundo se acostumará com isso”.
Após a Austrália, quando os chineses virão fazer shopping no Brasil?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

China goes shopping (1ª parte)

Quando a China não sabe o que fazer com um trilhão de dólares de reservas proveniente de superávit acumulado, ela compra U.S.Treasury (10 e 30 anos) que, embora pague pouco juro, é o mais seguro.
Ultimamente, com a recessão mundial em 2008 - 2009, a China está mudando a sua tática de investimento. Os juros do U.S. Treasury são baixos, a moeda está se desvalorizando. A China agora quer diversificar. Diversificar não significa somente conversão de dólar em euro, yen, dólar australiano ou real, mas a aquisição de “hard investment assets” – fábricas e companhias – do mundo inteiro.
Sinopec pagou $ 7 bilhões por uma companhia de petróleo suíça e mostra interesse em campos de petróleo no Iraque e num produtor de petróleo argentino. Beijing Automotive tem interesse na Opel da GM na Alemanha. Haier quer investir num fabricante de eletrodomésticos na Nova Zelândia e numa loja de departamentos no Japão.
Como os preços de aquisição estão mais baratos agora, cria-se uma atmosfera e oportunidade para as companhias chinesas. Beijing também facilita a aprovação e o financiamento. As atividades de “merges & acquisitions” são ótimos para advogados, contadores e bancos de investimento. JPMorgan Chase e Morgan Stanley trabalham no preparo das ofertas (bid). PricewaterhouseCoopers se envolveu com mais de 125 transações. Bain & Co. faz consultoria para as companhias chinesas. “É um mercado enorme não só para a Bain, mas também para os consultores”, disse um sócio da Bain em Shanghai

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Lições de Investimento

Nos últimos meses, TV, jornais e revistas do mundo inteiro noticiaram o caso Bernie Madoff, um administrador de fundos que logrou US$ 65 bilhões de investidores, aposentados e fundos de caridade num período de 20 anos. Ele foi condenado à penalidade máxima de 150 anos de cadeia.

Mark Skousen, conselheiro de Wall Street, oferece as seguintes lições de investimento:
· Não entregue o seu dinheiro a um administrador de fundo que promete enorme retorno todos os anos, que insiste em sempre ganhar do mercado.
· Procure saber se ele tem auditor confiável e independente.
· Estude os “extratos” mensais para ver se constam todas as ações, debêntures, fundos mútuos, cash que você sabe que tem (no Brasil, a CBLC, Cia Brasileira de Liquidação e Custódia, manda para o investidor um extrato mensal de custódia que descreve também os proventos em dinheiro, creditados e provisionados).

Em síntese:
1. Administrar você mesmo o seu dinheiro
2. Escolher seu corretor; decidir quais ações comprar e vender
3. Fundos mútuos: investir em fundos mútuos que são negociados na bolsa, publicamente
4. Diversificar. “Don’t put all your eggs in one basket”. Empresários sempre se concentram num ramo de negócio específico. Mas quando se aposentam ou ficam ricos, eles diversificam em ações, debêntures, imóveis, ouro, etc.

Não se iluda que a SEC (Security Exchange Comission), dos Estados Unidos, protege o público investidor de decepções, escândalos e fraudes. E, no Brasil, você é protegido pela CVM e pelo governo? Não conte com isso, especialmente quando se tratar de IPO (Initial Public Offering).