Em janeiro de 2011, os protestos dos povos do Norte da África contra a ditadura e corrupção começaram na Tunísia, seguidos pelo Egito, onde Mubarak foi forçado a deixar o poder após 30 anos de ditadura. Simultaneamente, no Iêmen, após a matança de centenas de civis em protesto, o regime caiu em novembro com a renúncia de Saleh. Eleição presidencial foi prometida para o início de 2012.
Em fevereiro de 2011, as tropas da Líbia mataram centenas de pessoas que protestavam pacificamente até que os protestos viraram revolução e Qaddafi foi morto em outubro.
A revolta na Síria contra o regime de Bashar Assad ainda não tem definição após a morte de 3.500 civis. A Liga Árabe pediu que Assad acabe com a matança. O Syrian National Council, que representa a oposição, está formulando planos para acabar com Assad. Já existe proposta para os Estados Unidos interferirem no conflito (como na Líbia). E a eventual queda de Assad deixaria o Irã com um aliado a menos.
Na Nigéria, o povo protestou contra a retirada do subsídio no preço da gasolina que subiu 100%. Protestos contra a inflação e o desemprego existem em qualquer canto do mundo. Não são diferentes dos protestos na Grécia, Itália e Espanha que se dispersaram com o tempo. O perigo do protesto se encaminhar para revolta e revolução associa-se à vida decadente do povo sob regime da ditadura. Acordem antes que seja tarde demais, Cuba e Coréia do Norte!
No Brasil, o povo não tem muita coisa para protestar, a não ser contra a corrupção, burocracia e assaltos.
Após concluir meus estudos nos Estados Unidos, em 1954, meus colegas voltaram para Hong Kong, Taiwan e China, ou permaneceram nos Estados Unidos. Eu viajei para o Brasil como turista e aqui permaneço até hoje. Foi sorte que eu escolhi um país com liberdade e democracia.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Cenário Mundial para 2012
Em depoimento no Senado, no fim de 2011, Alexandre Tombini, Presidente do Banco Central, garantiu que, em 2012, o Brasil terá crescimento maior e inflação menor, processo de convergência para a meta, em relação aos resultados de 2011. O país também deve enfrentar efeitos menores da crise internacional, embora, no conjunto dos emergentes, a expectativa seja a de crescimento a um ritmo menor diante da redução da demanda global e da queda nos preços das commodities.
Zona do Euro – negociações políticas rumo a uma união fiscal (não basta só uma união monetária). Mas faltam detalhes, e a implementação não é imediata. Bancos continuam vulneráveis, falta pacote financeiro emergencial. Baixo crescimento nos próximos anos, com alguns países em recessão.
Estados Unidos – permanecem entraves estruturais ao crescimento no longo prazo. Endividamento do setor público e das famílias. Recuperação lenta do mercado de trabalho.
China – desaceleração do ritmo de crescimento: forte ou suave? Desafios a enfrentar: situação fiscal das províncias, setor imobiliário e emprego.
Zona do Euro – negociações políticas rumo a uma união fiscal (não basta só uma união monetária). Mas faltam detalhes, e a implementação não é imediata. Bancos continuam vulneráveis, falta pacote financeiro emergencial. Baixo crescimento nos próximos anos, com alguns países em recessão.
Estados Unidos – permanecem entraves estruturais ao crescimento no longo prazo. Endividamento do setor público e das famílias. Recuperação lenta do mercado de trabalho.
China – desaceleração do ritmo de crescimento: forte ou suave? Desafios a enfrentar: situação fiscal das províncias, setor imobiliário e emprego.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Contar com os dividendos
The Oxford Club Communiqué aconselha os investidores americanos a comprar ações que paguem bons dividendos em vez de ficar com o 10 years U.S. Treasury bonds com rendimento inferior a 2%. Atualmente, os investidores, com medo da volatilidade do mercado acionário, acham mais seguro estacionar o cash no Treasury bonds.
Seguro? Mas não é livre de risco, a não ser que você deixe lá até o vencimento. 10 years Treasury, com rendimento a 2%, não tem muito terreno para cair. Mas quando a inflação e o juro do mercado subir, o preço do bond cairá de acordo.
Entre as ações recomendadas estão Diageo, Phillip Morris, blue-chips com bom dividendos, rendendo mais do que o 10 years T-Bond.
Desde a minha volta da Europa a bolsa brasileira não parou de cair. Em compensação, foram creditados na minha conta alguns dividendos (e juros sobre capital) = Petrobrás, Banco do Brasil, Telesp, etc., que vão ajudar a pagar as despesas de final de ano, o IPVA e o IPTU.
Apesar do ambiente melancólico, desejo aos meus leitores um Feliz Natal e um melhor Ano Novo.
Seguro? Mas não é livre de risco, a não ser que você deixe lá até o vencimento. 10 years Treasury, com rendimento a 2%, não tem muito terreno para cair. Mas quando a inflação e o juro do mercado subir, o preço do bond cairá de acordo.
Entre as ações recomendadas estão Diageo, Phillip Morris, blue-chips com bom dividendos, rendendo mais do que o 10 years T-Bond.
Desde a minha volta da Europa a bolsa brasileira não parou de cair. Em compensação, foram creditados na minha conta alguns dividendos (e juros sobre capital) = Petrobrás, Banco do Brasil, Telesp, etc., que vão ajudar a pagar as despesas de final de ano, o IPVA e o IPTU.
Apesar do ambiente melancólico, desejo aos meus leitores um Feliz Natal e um melhor Ano Novo.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
www.tomfaranda.com
Em novembro de 2011 viajei de Veneza para Barcelona no navio Crystal Serenity, onde participei de uma conferência interessante. O palestrante era Tom Faranda. Professor de Business da Universidade de Minnesota, Consultor da Siemen’s Engineering da Alemanha, IBM Europa, Ford Canadá, GE, Prudencial Singapore, INTEL, Motorola, 3M, Honeywell e outros. Ele viaja pelo mundo inteiro dando palestras e consultorias.
O tema do dia foi “How will America survive and thrive the next ten years?”
Os melhores países para investimento são Canadá e Austrália. Os preços dos recursos naturais - minério de ferro cobre, potássio - estão para cima, com a crescente demanda mundial e da China As dívidas como percentagem do GPD são sustentáveis e os bancos são saudáveis. Conseqüentemente, as moedas canadenses e australianas vão continuar fortes.
Canadá e Estados Unidos vão construir oleodutos que levarão petróleo do Canadá para os Estados Unidos, até o Golfo do México. O que não foi divulgado é a intenção da China de conversar com o Canadá para mudar a trajetória dos oleodutos para o porto de Vancouver onde os navios petroleiros vão carregar petróleo para a China e a Ásia. A disputa entre os Estados Unidos e a China pelo petróleo canadense tem um objetivo comum – baixar o custo do petróleo e a inflação dos países importadores. Qualquer que seja o percurso do oleoduto, para cá ou para lá, ou para ambos, o preço do petróleo não vai permanecer a $ 100 o barril. A disputa entre os dois grandes consumidores pode acabar criando uma espécie de OPEP em reverso, enfraquecendo a atual OPEP dos produtores de petróleo. A competição vira colaboração e o mundo se beneficia com a ironia.
Ironia, mais uma vez, no cenário político americano. Tom Faranda especula que se meses antes da convenção do Partido Democrata, a taxa de desemprego americano permanecer em 9%, Barack Obama pode não ser indicado como candidato para reeleição em novembro de 2012. A nomeação iria para Hillary Clinton. Quem está costurando o assunto é Bill Clinton, o eterno super dealmaker do século. Neste caso, Bill Clinton pediria para Obama ceder o lugar para Hillary, que uma vez eleita presidente, nomearia Obama para a Suprema Corte.
Tom Faranda não disse se ele é democrata ou republicano. Ele é pró - América e otimista. Ele acha que a América vai voltar a crescer e prosperar com uma boa liderança nos próximos anos.
Para quem quiser conhecer melhor suas idéias, previsões e especulações, ofereço www.tomfaranda.com
O tema do dia foi “How will America survive and thrive the next ten years?”
Os melhores países para investimento são Canadá e Austrália. Os preços dos recursos naturais - minério de ferro cobre, potássio - estão para cima, com a crescente demanda mundial e da China As dívidas como percentagem do GPD são sustentáveis e os bancos são saudáveis. Conseqüentemente, as moedas canadenses e australianas vão continuar fortes.
Canadá e Estados Unidos vão construir oleodutos que levarão petróleo do Canadá para os Estados Unidos, até o Golfo do México. O que não foi divulgado é a intenção da China de conversar com o Canadá para mudar a trajetória dos oleodutos para o porto de Vancouver onde os navios petroleiros vão carregar petróleo para a China e a Ásia. A disputa entre os Estados Unidos e a China pelo petróleo canadense tem um objetivo comum – baixar o custo do petróleo e a inflação dos países importadores. Qualquer que seja o percurso do oleoduto, para cá ou para lá, ou para ambos, o preço do petróleo não vai permanecer a $ 100 o barril. A disputa entre os dois grandes consumidores pode acabar criando uma espécie de OPEP em reverso, enfraquecendo a atual OPEP dos produtores de petróleo. A competição vira colaboração e o mundo se beneficia com a ironia.
Ironia, mais uma vez, no cenário político americano. Tom Faranda especula que se meses antes da convenção do Partido Democrata, a taxa de desemprego americano permanecer em 9%, Barack Obama pode não ser indicado como candidato para reeleição em novembro de 2012. A nomeação iria para Hillary Clinton. Quem está costurando o assunto é Bill Clinton, o eterno super dealmaker do século. Neste caso, Bill Clinton pediria para Obama ceder o lugar para Hillary, que uma vez eleita presidente, nomearia Obama para a Suprema Corte.
Tom Faranda não disse se ele é democrata ou republicano. Ele é pró - América e otimista. Ele acha que a América vai voltar a crescer e prosperar com uma boa liderança nos próximos anos.
Para quem quiser conhecer melhor suas idéias, previsões e especulações, ofereço www.tomfaranda.com
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Direitos Humanos
Na semana passada, num e-mail, meu filho me chamou a atenção para um artigo do The New York Times sobre a morte de Danny Chen, que morreu no Afeganistão onde estava servindo no U.S. Army. A circunstância de sua morte é misteriosa, não se sabe se foi morto em combate ou se foi suicídio. No mesmo artigo foi mencionado o nome de Elizabeth OuYang, minha sobrinha, advogada e professora de Direito da NYU e da Columbia University.
Ela nasceu em Rochester, N.Y. Estudou Direito com especialização em “Criminal Law”. Após a formatura, em vez de aceitar um emprego de 100.000 dólares por ano, ela foi trabalhar em uma organização de direitos humanos, por 30.000 dólares/ano, defendendo os pobres, as minorias, os imigrantes sem recursos. Ela defende os taxistas paquistaneses em Nova York de deportações, os chineses americanos de Chinatown e outros indivíduos ou grupos que necessitam de ajuda ou defesa profissional.
Anos atrás ela me visitou em Porto Alegre. Convidei-a para comer um prato bem brasileiro, mocotó, e expliquei que era comida para os escravos no tempo colonial. Ela não só gostou do prato como se simpatizou com a causa e a miséria dos escravos e, instintivamente, a sua alma queria defendê-los. Ela pediu para assistir a uma sessão de julgamento de acusados de homicídio aqui no Brasil. Ela fez observações que um leigo como eu jamais nem notaria. Primeiro, o advogado de acusação falou 20 minutos em voz alta e o advogado de defesa, nomeado pelo Estado, encerrou seu discurso em 5 minutos, em voz baixa e sem muito interesse. Segundo, os dois acusados sentaram em um canto, com as mãos algemadas na cadeira. Ela disse: “No Brasil a pessoa é culpada até que seja provada inocente; nos Estados Unidos, a pessoa é inocente até que seja provada culpada”.
O Google também divulgou a morte de Danny Chen no Afeganistão e apelou para o U.S. Army para que forneça mais informações (www.google.com.br – Elizabeth OuYang). Se eu conseguir mais notícias, divulgarei nos próximos artigos.
Vou entrar em férias na próxima semana. Até dezembro!
Ela nasceu em Rochester, N.Y. Estudou Direito com especialização em “Criminal Law”. Após a formatura, em vez de aceitar um emprego de 100.000 dólares por ano, ela foi trabalhar em uma organização de direitos humanos, por 30.000 dólares/ano, defendendo os pobres, as minorias, os imigrantes sem recursos. Ela defende os taxistas paquistaneses em Nova York de deportações, os chineses americanos de Chinatown e outros indivíduos ou grupos que necessitam de ajuda ou defesa profissional.
Anos atrás ela me visitou em Porto Alegre. Convidei-a para comer um prato bem brasileiro, mocotó, e expliquei que era comida para os escravos no tempo colonial. Ela não só gostou do prato como se simpatizou com a causa e a miséria dos escravos e, instintivamente, a sua alma queria defendê-los. Ela pediu para assistir a uma sessão de julgamento de acusados de homicídio aqui no Brasil. Ela fez observações que um leigo como eu jamais nem notaria. Primeiro, o advogado de acusação falou 20 minutos em voz alta e o advogado de defesa, nomeado pelo Estado, encerrou seu discurso em 5 minutos, em voz baixa e sem muito interesse. Segundo, os dois acusados sentaram em um canto, com as mãos algemadas na cadeira. Ela disse: “No Brasil a pessoa é culpada até que seja provada inocente; nos Estados Unidos, a pessoa é inocente até que seja provada culpada”.
O Google também divulgou a morte de Danny Chen no Afeganistão e apelou para o U.S. Army para que forneça mais informações (www.google.com.br – Elizabeth OuYang). Se eu conseguir mais notícias, divulgarei nos próximos artigos.
Vou entrar em férias na próxima semana. Até dezembro!
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Outubro 2011: otimismo e euforia
O Banco Central anunciou, em 19 de outubro, a redução da taxa Selic de 0,5%, para 11,5%, conforme a previsão do mercado.
Após uma alta da Bovespa de 7,39% na semana de 10 a 14 de outubro, é saudável que a semana seguinte (17 a 21/10) deu um descanso, com variação de apenas 0,4%.
O cenário mundial está mais otimista. Com a queda de Gaddafi, a produção de petróleo na Líbia deve voltar ao nível normal, reduzindo a perspectiva da inflação mundial. A União Européia deu apoio moral e financeiro à Grécia e a outros países da Europa que enfrentam crise de “default”. Nos Estados Unidos foi anunciada a diminuição do desemprego. E a China finalmente parou com o aperto monetário com a percepção da desaceleração da economia.
O mundo inteiro, como o Banco Central do Brasil, prefere errar em arriscar uma inflação moderada a enfrentar uma recessão.
A semana passada (24 a 28/10), a Bovespa deu mais um pulo de 7,7%, com o índice encostando nos 60.000 pontos. E o real valorizou 6,2%m de 0,5632 dólar para 0,5980.
O mês de outubro de 2011 (até 28/10) foi o melhor mês para as ações de mercados emergentes:
Título / cotação em 28 outubro / cotação em 30 setembro / variação
México Fund (MXF) / 24,06 / 21,70 / +10,9%
Emerging Market Fund (EMF) / 19,62 / 16,81 / +16,7%
China Fund (FXI) / 37,79 / 30,83 / +22,6%
(25 blue chips)
Bovespa / 59.513 / 52.324 / +13,7%
Vamos torcer para que a bolsa recupere o prejuízo de 2011, e continue a tendência de alta no ano vindouro.
Após uma alta da Bovespa de 7,39% na semana de 10 a 14 de outubro, é saudável que a semana seguinte (17 a 21/10) deu um descanso, com variação de apenas 0,4%.
O cenário mundial está mais otimista. Com a queda de Gaddafi, a produção de petróleo na Líbia deve voltar ao nível normal, reduzindo a perspectiva da inflação mundial. A União Européia deu apoio moral e financeiro à Grécia e a outros países da Europa que enfrentam crise de “default”. Nos Estados Unidos foi anunciada a diminuição do desemprego. E a China finalmente parou com o aperto monetário com a percepção da desaceleração da economia.
O mundo inteiro, como o Banco Central do Brasil, prefere errar em arriscar uma inflação moderada a enfrentar uma recessão.
A semana passada (24 a 28/10), a Bovespa deu mais um pulo de 7,7%, com o índice encostando nos 60.000 pontos. E o real valorizou 6,2%m de 0,5632 dólar para 0,5980.
O mês de outubro de 2011 (até 28/10) foi o melhor mês para as ações de mercados emergentes:
Título / cotação em 28 outubro / cotação em 30 setembro / variação
México Fund (MXF) / 24,06 / 21,70 / +10,9%
Emerging Market Fund (EMF) / 19,62 / 16,81 / +16,7%
China Fund (FXI) / 37,79 / 30,83 / +22,6%
(25 blue chips)
Bovespa / 59.513 / 52.324 / +13,7%
Vamos torcer para que a bolsa recupere o prejuízo de 2011, e continue a tendência de alta no ano vindouro.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Desaceleração
A semana passada (10 a 14 de outubro), a Bovespa subiu 7,39%, mais do que as bolsas americanas e européias. Um grande alívio embora o índice ainda acumule uma queda expressiva no ano: 20,6%.
As bolsas de valores, de commodities agrícolas e de petróleo, todas fecharam em alta, impulsionadas pela expectativa de uma desfecho favorável para a crise da dívida européia na reunião do G-20 em Paris e os dados positivos do setor de varejo dos Estados Unidos. O rebaixamento da nota da dívida da Espanha e a alta da inflação na zona do euro foram praticamente ignorados.
A economia brasileira recuou em agosto e está a caminho da desaceleração de acordo com o índice de atividade econômica do Banco Central. O índice recuou 0,53% em agosto em relação a julho. Os economistas avaliam que o resultado de setembro não deve evitar um recuo no trimestre. Os números reforçam o cenário de desaquecimento traçado pelo BC como justificativa para a redução do juro básico.
Os economistas acham que vai haver mais quedas na taxa Selic no caminho. A atual taxa de 12% pode sofrer 3 quedas sucessivas de 0,5%, reduzindo para 10,5%.
E a inflação? As autoridades monetárias estão monitorando a inflação dentro, ou um pouquinho além, da meta traçada de 6,5%. A inflação moderada é menos mal do que a recessão, que cria desemprego e instabilidade social.
Estou otimista de que, com a sucessiva queda de juros, a nossa bolsa poderá se recuperar no último trimestre de 2011 e avançar mais no próximo ano.
As bolsas de valores, de commodities agrícolas e de petróleo, todas fecharam em alta, impulsionadas pela expectativa de uma desfecho favorável para a crise da dívida européia na reunião do G-20 em Paris e os dados positivos do setor de varejo dos Estados Unidos. O rebaixamento da nota da dívida da Espanha e a alta da inflação na zona do euro foram praticamente ignorados.
A economia brasileira recuou em agosto e está a caminho da desaceleração de acordo com o índice de atividade econômica do Banco Central. O índice recuou 0,53% em agosto em relação a julho. Os economistas avaliam que o resultado de setembro não deve evitar um recuo no trimestre. Os números reforçam o cenário de desaquecimento traçado pelo BC como justificativa para a redução do juro básico.
Os economistas acham que vai haver mais quedas na taxa Selic no caminho. A atual taxa de 12% pode sofrer 3 quedas sucessivas de 0,5%, reduzindo para 10,5%.
E a inflação? As autoridades monetárias estão monitorando a inflação dentro, ou um pouquinho além, da meta traçada de 6,5%. A inflação moderada é menos mal do que a recessão, que cria desemprego e instabilidade social.
Estou otimista de que, com a sucessiva queda de juros, a nossa bolsa poderá se recuperar no último trimestre de 2011 e avançar mais no próximo ano.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
BRICs ajudam a Europa?
Na próxima quinta-feira (22 de setembro) os países do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul – vão se reunir para discutir a ajuda financeira para os países da Europa. Uma inversão no relacionamento entre economias que socorrem e as que são socorridas.
As dívidas européias:
Itália – 1.8 trilhões de euros
Espanha – 639 bilhões de euros
Grécia – 329 bilhões de euros
Portugal – 160 bilhões de euros
Irlanda – 148 bilhões de euros
Total – US $ 4,3 trilhões
As reservas dos emergentes:
China – US$ 3.05 trilhões
Rússia – US$ 450 bilhões
Brasil – US$ 352 bilhões
Índia – US$ 300 bilhões
África do Sul – US$ 40 bilhões
Total – US$ 4,2 trilhões
Evidentemente, a China domina o cenário. Outros paises vão participar na ajuda simbolicamente, demonstrando “good will”.
Como ajudar: a hipótese é o uso das reservas dos países emergentes para comprar títulos das dívidas européias (eurobonds, greek bonds, etc).
A contrapartida: os BRICs cobram a retirada de barreiras alfandegárias a seus produtos na Europa, o que já foi indicado pela China.
Ajuda quem puder. A piora na situação européia e internacional não interessa a ninguém. Ademais, a China não quer botar todos os ovos numa única cesta (U.S. treasury bonds). Diversificar o portfólio, espalhar os riscos.
Os outros países do BRIC demonstram boa vontade de querer participar. A disposição de ajudar já uma espécie de pé na porta. Tomara que o mundo possa viver em melhor harmonia.
As dívidas européias:
Itália – 1.8 trilhões de euros
Espanha – 639 bilhões de euros
Grécia – 329 bilhões de euros
Portugal – 160 bilhões de euros
Irlanda – 148 bilhões de euros
Total – US $ 4,3 trilhões
As reservas dos emergentes:
China – US$ 3.05 trilhões
Rússia – US$ 450 bilhões
Brasil – US$ 352 bilhões
Índia – US$ 300 bilhões
África do Sul – US$ 40 bilhões
Total – US$ 4,2 trilhões
Evidentemente, a China domina o cenário. Outros paises vão participar na ajuda simbolicamente, demonstrando “good will”.
Como ajudar: a hipótese é o uso das reservas dos países emergentes para comprar títulos das dívidas européias (eurobonds, greek bonds, etc).
A contrapartida: os BRICs cobram a retirada de barreiras alfandegárias a seus produtos na Europa, o que já foi indicado pela China.
Ajuda quem puder. A piora na situação européia e internacional não interessa a ninguém. Ademais, a China não quer botar todos os ovos numa única cesta (U.S. treasury bonds). Diversificar o portfólio, espalhar os riscos.
Os outros países do BRIC demonstram boa vontade de querer participar. A disposição de ajudar já uma espécie de pé na porta. Tomara que o mundo possa viver em melhor harmonia.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Desvalorização
A semana passada (19 – 23/09/2011) foi uma das piores na história da Bovespa. O índice caiu 7%, para 53.230, criando um “double bottom” com 52.949 de 5/08/2011.
Para quem tem ADRs de ações brasileiras, o sofrimento não parou por aí. Entre 29/07/2011 e 23/09/2011, o real desvalorizou 15,5% ( R = $0.645 para $ 0.545). ADRs sofrem duplamente: de queda nas cotações multiplicada pela desvalorização cambial.
Para quem contabiliza seu patrimônio em real, tudo bem. Mas para quem contabiliza em dólar, a súbita desvalorização do real atinge tudo: ações, aplicações em renda fixa e variável, imóveis, automóveis e cash embaixo do colchão. De repente os cidadãos brasileiros ficaram 15,5% mais pobres (medidos em dólar).
Quem se beneficia com a maxi-desvalorização? Exportadores em geral. Os plantadores de soja (café, laranja, etc.) aumentam a receita e o lucro pela cotação firme na CBOT e a valorização do dólar. Os exportadores de produtos siderúrgicos (CSN, Usiminas, Gerdau) e minério de ferro (Vale) devem sentir um alívio. E os calçadistas de Novo Hamburgo também.
Normalmente, as autoridades monetárias do mundo desvalorizam suas moedas gradativamente. Não entendo porque desta vez o real se desvalorizou tão repentinamente. Sem dúvida, as importações vão diminuir e os preços dos importados vão aumentar. Quais são os efeitos sobre a inflação? Foram as forças do mercado de determinaram uma desvalorização desse tamanho, ou Tombini/Mantega resolveram desvalorizar violentamente de vez já que o Brasil entrou no jogo da guerra das moedas?
Para quem tem ADRs de ações brasileiras, o sofrimento não parou por aí. Entre 29/07/2011 e 23/09/2011, o real desvalorizou 15,5% ( R = $0.645 para $ 0.545). ADRs sofrem duplamente: de queda nas cotações multiplicada pela desvalorização cambial.
Para quem contabiliza seu patrimônio em real, tudo bem. Mas para quem contabiliza em dólar, a súbita desvalorização do real atinge tudo: ações, aplicações em renda fixa e variável, imóveis, automóveis e cash embaixo do colchão. De repente os cidadãos brasileiros ficaram 15,5% mais pobres (medidos em dólar).
Quem se beneficia com a maxi-desvalorização? Exportadores em geral. Os plantadores de soja (café, laranja, etc.) aumentam a receita e o lucro pela cotação firme na CBOT e a valorização do dólar. Os exportadores de produtos siderúrgicos (CSN, Usiminas, Gerdau) e minério de ferro (Vale) devem sentir um alívio. E os calçadistas de Novo Hamburgo também.
Normalmente, as autoridades monetárias do mundo desvalorizam suas moedas gradativamente. Não entendo porque desta vez o real se desvalorizou tão repentinamente. Sem dúvida, as importações vão diminuir e os preços dos importados vão aumentar. Quais são os efeitos sobre a inflação? Foram as forças do mercado de determinaram uma desvalorização desse tamanho, ou Tombini/Mantega resolveram desvalorizar violentamente de vez já que o Brasil entrou no jogo da guerra das moedas?
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A guerra das moedas (currency war)
Ultimamente os países do mundo desvalorizam as moedas para diminuir importações e aumentar exportações a fim de melhorar o superávit comercial, aumentar os empregos domésticos e estimular a economia do país em geral.
Os países da União Européia – Grécia, Itália, Portugal, Irlanda – não tendo moedas próprias para desvalorizar, tiveram que desvalorizar a moeda comum – o euro.
A Suíça, que tem a moeda mais forte do mundo (neste ano de turbulência, o mercado comprou ouro e franco suíço como os últimos guardiões de valor) não agüentou a pressão de alta, desvalorizou sua moeda 9% em setembro de 2011, de 1 dólar = SF 0,80 para SF 0,88, simplesmente via decreto.
No Brasil, um real valia $ 0,645 em 29 de julho de 2011, desvalorizou gradativamente para $ 0,578 em 16 de setembro (- 10,4%). Ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi atribuída a terminologia “a guerra das moedas” (currency war).
(no período acima citado, as ADRs das ações da Bovespa não acompanharam a alta da Bovespa devido à desvalorização do real).
Os Estados Unidos e a China travam uma guerra de moedas totalmente diferente. O Presidente Obama e o Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a toda hora querem que a China valorize a sua moeda, o renminbi. O renminbi desvalorizado promove exportações chinesas a custo dos americanos (e dos brasileiros), cria desequilíbrio no comércio mundial e desemprego nos Estados Unidos. A China não diz sim nem não. Valoriza um pouquinho, para, no ritmo que a China quer. A atitude resume em “tu cuida da tua moeda, nós cuidamos da nossa”. Só resta uma coisa para os Estados Unidos: já que a China não quer valorizar a sua moeda, vamos, em compensação, desvalorizar a nossa.
E assim a guerra continua!
Os países da União Européia – Grécia, Itália, Portugal, Irlanda – não tendo moedas próprias para desvalorizar, tiveram que desvalorizar a moeda comum – o euro.
A Suíça, que tem a moeda mais forte do mundo (neste ano de turbulência, o mercado comprou ouro e franco suíço como os últimos guardiões de valor) não agüentou a pressão de alta, desvalorizou sua moeda 9% em setembro de 2011, de 1 dólar = SF 0,80 para SF 0,88, simplesmente via decreto.
No Brasil, um real valia $ 0,645 em 29 de julho de 2011, desvalorizou gradativamente para $ 0,578 em 16 de setembro (- 10,4%). Ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi atribuída a terminologia “a guerra das moedas” (currency war).
(no período acima citado, as ADRs das ações da Bovespa não acompanharam a alta da Bovespa devido à desvalorização do real).
Os Estados Unidos e a China travam uma guerra de moedas totalmente diferente. O Presidente Obama e o Secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a toda hora querem que a China valorize a sua moeda, o renminbi. O renminbi desvalorizado promove exportações chinesas a custo dos americanos (e dos brasileiros), cria desequilíbrio no comércio mundial e desemprego nos Estados Unidos. A China não diz sim nem não. Valoriza um pouquinho, para, no ritmo que a China quer. A atitude resume em “tu cuida da tua moeda, nós cuidamos da nossa”. Só resta uma coisa para os Estados Unidos: já que a China não quer valorizar a sua moeda, vamos, em compensação, desvalorizar a nossa.
E assim a guerra continua!
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Greek bonds
No mês passado, em São Paulo jantei com um amigo. A conversa, inevitavelmente, entre outros assuntos, convergiu para investimentos.
Ele era dono de uma fábrica de tecidos que tinha como freguesia as lojas de norte a sul do Brasil, inclusive a Casas Pernambucanas. Após anos de sucesso, o mercado foi invadido por tecidos importados da China. Ele fechou a fábrica e também importava da China (If you can’t beat them, join them!). Após acumular uma boa fortuna, ele se aposentou e hoje se dedica a investimentos.
A minha área é ações. Mas a dele, ultimamente, é “bonds” (debêntures), especificamente “greek bonds”. Ele pesquisa todos os tipos de bonds: U.S. Treasury, brasileiro, europeu, etc., e chegou à conclusão de que os “greek bonds” são os mais rentáveis. Com maturidade de 5 ou 10 anos, cupons de 6% ao ano, e deságio de 15% a 25% do valor de face (conforme dança o mercado), ele só precisa sentar em cima, ou botar embaixo do colchão para usufruir os ganhos pelo resto da vida.
E os riscos de “default”? Claro, ele está ciente do maior risco de “default” associado ao maior rendimento. Mas ele aposta que a União Européia não vai deixar de socorrer a Grécia. Ademais, o país deve cumprir os compromissos de cortar as despesas, aumentar impostos, cortar salários dos funcionários públicos e reduzir o déficit fiscal.
O jantar foi ótimo. Eu aprendi uma lição sobre os “bonds” e “greek bonds”. Em ultima análise, os “bonds” não são muito diferentes das ações: comprar na baixa (como o greek bonds agora), e vender na alta ou segurar até o vencimento. Exceto que, as ações não tem prazo de vencimento. O acionista, como eu, pode vender as ações ou deixá-las para os filhos no dia do meu vencimento.
Ele era dono de uma fábrica de tecidos que tinha como freguesia as lojas de norte a sul do Brasil, inclusive a Casas Pernambucanas. Após anos de sucesso, o mercado foi invadido por tecidos importados da China. Ele fechou a fábrica e também importava da China (If you can’t beat them, join them!). Após acumular uma boa fortuna, ele se aposentou e hoje se dedica a investimentos.
A minha área é ações. Mas a dele, ultimamente, é “bonds” (debêntures), especificamente “greek bonds”. Ele pesquisa todos os tipos de bonds: U.S. Treasury, brasileiro, europeu, etc., e chegou à conclusão de que os “greek bonds” são os mais rentáveis. Com maturidade de 5 ou 10 anos, cupons de 6% ao ano, e deságio de 15% a 25% do valor de face (conforme dança o mercado), ele só precisa sentar em cima, ou botar embaixo do colchão para usufruir os ganhos pelo resto da vida.
E os riscos de “default”? Claro, ele está ciente do maior risco de “default” associado ao maior rendimento. Mas ele aposta que a União Européia não vai deixar de socorrer a Grécia. Ademais, o país deve cumprir os compromissos de cortar as despesas, aumentar impostos, cortar salários dos funcionários públicos e reduzir o déficit fiscal.
O jantar foi ótimo. Eu aprendi uma lição sobre os “bonds” e “greek bonds”. Em ultima análise, os “bonds” não são muito diferentes das ações: comprar na baixa (como o greek bonds agora), e vender na alta ou segurar até o vencimento. Exceto que, as ações não tem prazo de vencimento. O acionista, como eu, pode vender as ações ou deixá-las para os filhos no dia do meu vencimento.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Telesp ON/PN (TLPP3/TLPP4)
Faz um bom tempo que não recomendo uma ação da Bovespa. Mas Telesp merece nossa atenção.
Lucro Líquido = 06.2011/06.2010 = 1.562M/1.180M = +32%
Preço/Lucro = 22.8.2011/06.2011 = 46.35 (PN)/4.5258 = 10.24
Dividendo yield = 06.2011/22.8.2011 = 5.06/46.35 = 10.92%
Telesp PN, ao preço de 46.35, sofre um pequeno reajuste de 5,7% do seu recente pico histórico de 49.14. Enquanto a Bovespa, em 2011, sobre uma queda de 23%.
Telesp ON, ao preço de 42.41 é 8,5% mais barata do que a PN. E no caso de alienação do controle acionário, o adquirente tem que pagar o mesmo preço do bloco de controle para os demais acionistas de ON (tag along). Lembre-se de Portugal Telecom, que ao anunciar a compra do controle da Vivo, em maio de 2010, o preço da Vivo ON disparou e chegou a dobrar no primeiro semestre de 2011 quando o “take over” foi consumado.
No primeiro momento do “take over bid” de Portugal Telecom, eu vendi toda a posição de Vivo ON, que subiu 20% num dia, e fiquei satisfeito com o ganho. É melhor ter um pássaro na mão do que dois voando. Mas o papel não parou de subir nas semanas que se seguiram com os sucessivos aumentos de “bid” pela Portugal Telecom diante das sucessivas recusas dos controladores da Vivo. Lamentavelmente, eu vendi cedo demais. Meu corretor ainda tentou me consolar: “Sr. Tong, deixe os outros ganharem um pouco também”.
Lucro Líquido = 06.2011/06.2010 = 1.562M/1.180M = +32%
Preço/Lucro = 22.8.2011/06.2011 = 46.35 (PN)/4.5258 = 10.24
Dividendo yield = 06.2011/22.8.2011 = 5.06/46.35 = 10.92%
Telesp PN, ao preço de 46.35, sofre um pequeno reajuste de 5,7% do seu recente pico histórico de 49.14. Enquanto a Bovespa, em 2011, sobre uma queda de 23%.
Telesp ON, ao preço de 42.41 é 8,5% mais barata do que a PN. E no caso de alienação do controle acionário, o adquirente tem que pagar o mesmo preço do bloco de controle para os demais acionistas de ON (tag along). Lembre-se de Portugal Telecom, que ao anunciar a compra do controle da Vivo, em maio de 2010, o preço da Vivo ON disparou e chegou a dobrar no primeiro semestre de 2011 quando o “take over” foi consumado.
No primeiro momento do “take over bid” de Portugal Telecom, eu vendi toda a posição de Vivo ON, que subiu 20% num dia, e fiquei satisfeito com o ganho. É melhor ter um pássaro na mão do que dois voando. Mas o papel não parou de subir nas semanas que se seguiram com os sucessivos aumentos de “bid” pela Portugal Telecom diante das sucessivas recusas dos controladores da Vivo. Lamentavelmente, eu vendi cedo demais. Meu corretor ainda tentou me consolar: “Sr. Tong, deixe os outros ganharem um pouco também”.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
“Parar”, antes de dar a “marcha à ré”
Indicadores divulgados em 19/08 pelo Banco Central mostraram uma desaceleração moderada na atividade econômica brasileira no 2° trimestre de 2011, que se encerrou em junho.
O ritmo de atividade (IBC) caiu para 0,7% no fechamento de junho contra 1,1% em março. É o menor índice da série medida pelo BC nos últimos 12 meses. Paralelamente, o índice de volume de vendas desacelerou, baixando de 2% em março para 1,1% em junho. A produção industrial registrou índice negativo de 0,7%. O volume de crédito, que caiu no 2° trimestre, já mostra sinais de moderação quando anualizado. A geração de empregos também diminuiu no trimestre.
Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, o resultado pode indicar uma interrupção no ciclo de alta de juros, mantido pelo governo desde janeiro. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) está marcada para 30 e 31 de agosto, para definir a taxa Selic, que baliza os juros de toda a economia.
Como a inflação do trimestre apresentou um recuo substancial como resposta às medidas do governo, o mercado deve apostar numa parada na taxa Selic. Lembremos que o Banco Central conduz a taxa Selic como a gente dirige um automóvel. A primeira manobra é parar, antes de dar a marcha à ré.
O ritmo de atividade (IBC) caiu para 0,7% no fechamento de junho contra 1,1% em março. É o menor índice da série medida pelo BC nos últimos 12 meses. Paralelamente, o índice de volume de vendas desacelerou, baixando de 2% em março para 1,1% em junho. A produção industrial registrou índice negativo de 0,7%. O volume de crédito, que caiu no 2° trimestre, já mostra sinais de moderação quando anualizado. A geração de empregos também diminuiu no trimestre.
Segundo o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, o resultado pode indicar uma interrupção no ciclo de alta de juros, mantido pelo governo desde janeiro. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) está marcada para 30 e 31 de agosto, para definir a taxa Selic, que baliza os juros de toda a economia.
Como a inflação do trimestre apresentou um recuo substancial como resposta às medidas do governo, o mercado deve apostar numa parada na taxa Selic. Lembremos que o Banco Central conduz a taxa Selic como a gente dirige um automóvel. A primeira manobra é parar, antes de dar a marcha à ré.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Duas semanas de turbulência
O Congresso Americano tinha que resolver a extensão da dívida pública antes de 2 de agosto de 2011, sob ameaça de que o país não poderia mais refinanciar a dívida e, conseqüentemente, se encontraria na situação de “default” (inadimplência). Na última hora os republicanos e democratas chegaram a um acordo e o “default” foi evitado.
O mercado se sentiu aliviado. Houve esperanças de que a bolsa abrisse em alta na segunda-feira, 1 de agosto. Mas a onde de pessimismo permaneceu. O mercado achou que o problema fiscal não foi enfrentado e a situação era mais grave do que parecia. O mercado caiu todos os dias na primeira semana de agosto.
Após o encerramento do pregão no dia 5 de agosto, a agência Standard & Poors rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de AAA para AA+, diante da avaliação de dificuldade de contenção da dívida pública, e de que o acordo com o Congresso é apenas um esparadrapo sem soluções convincentes para reduzir o endividamento.
Na segunda-feira, 8 de agosto, a bomba estourou. As bolsas do mundo inteiro caíram violentamente. Dow Jones caiu 5,5%, Nasdaq caiu 6,9% e Bovespa caiu 8%. No final do dia, Moody’s, a segunda maior agência de classificação de risco justificou a decisão de manter a nota máxima (AAA) para a dívida dos Estados Unidos. Na avaliação da Moody’s, o aumento do limite de endividamento, definido em 2 de agosto, é um “passo numa boa direção, o da redução do déficit”.
O resto da semana recuperou, caiu novamente, e recuperou com a divulgação da diminuição do desemprego americano.
Durante as duas semanas de turbulência acompanhei as bolsas mundiais com nervosismo e angústia, porém, sem mexer na minha carteira. O caminho da recuperação é lento. Tenha paciência. Bovespa já caiu 22,8% no ano. Acho que a gente já viu o fundo do poço.
O mercado se sentiu aliviado. Houve esperanças de que a bolsa abrisse em alta na segunda-feira, 1 de agosto. Mas a onde de pessimismo permaneceu. O mercado achou que o problema fiscal não foi enfrentado e a situação era mais grave do que parecia. O mercado caiu todos os dias na primeira semana de agosto.
Após o encerramento do pregão no dia 5 de agosto, a agência Standard & Poors rebaixou a nota de crédito dos Estados Unidos de AAA para AA+, diante da avaliação de dificuldade de contenção da dívida pública, e de que o acordo com o Congresso é apenas um esparadrapo sem soluções convincentes para reduzir o endividamento.
Na segunda-feira, 8 de agosto, a bomba estourou. As bolsas do mundo inteiro caíram violentamente. Dow Jones caiu 5,5%, Nasdaq caiu 6,9% e Bovespa caiu 8%. No final do dia, Moody’s, a segunda maior agência de classificação de risco justificou a decisão de manter a nota máxima (AAA) para a dívida dos Estados Unidos. Na avaliação da Moody’s, o aumento do limite de endividamento, definido em 2 de agosto, é um “passo numa boa direção, o da redução do déficit”.
O resto da semana recuperou, caiu novamente, e recuperou com a divulgação da diminuição do desemprego americano.
Durante as duas semanas de turbulência acompanhei as bolsas mundiais com nervosismo e angústia, porém, sem mexer na minha carteira. O caminho da recuperação é lento. Tenha paciência. Bovespa já caiu 22,8% no ano. Acho que a gente já viu o fundo do poço.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Uma casa em Miami?
Como o dólar a R$ 1,55 aumentou o número de brasileiros de classe média que levam a família para passar as férias em Miami. Há filas de agendamento tanto para obter passaporte na Polícia Federal quanto para conseguir visto no consulado americano em São Paulo.
Para os brasileiros de classe mais alta, a moda hoje é investir em imóveis em Miami, pelos seguintes motivos:
1º, a crise americana derrubou o preço dos imóveis
2º, a queda do dólar
3º, o comprador só precisa apresentar o passaporte, não há exigência de green card
4º, a possibilidade de financiar o bem com algum banco de lá, com juros de fazer inveja aos brasileiros (a partir de 3% ao ano).
Mas eu gostaria de apontar algumas precauções quanto ao investimento. Tudo bem, se a casa ou o apartamento for pago à vista, com o câmbio a R$ 1,55. Se for financiado em 10 anos, quem garante que ao câmbio permanecerá neste nível ao longo do prazo de financiamento? Você vai morar lá 30 dias por ano?
Nos primeiros dois anos sim, e depois não vai mais porque a esposa vai querer ir para a Europa. Não esqueça os encargos: IPTU, condomínio, água, luz, telefone, TV, etc.
Há anos, uma amiga me convenceu a não comprar um apartamento em St. Petersburg, Florida. Ela disse: “Eu vou para minha casa, em Miami, uma vez por ano. Chegando lá, uma vez, o ar condicionado não funcionou. Tive que chamar o técnico para consertar. Depois de descobrir a peça com defeito, o técnico levou três dias para terminar o trabalho. Quando o aparelho começou a funcionar, já estava na hora de voltar. O pior de tudo é que eu vou para lá por obrigação e não por prazer.”
Uma casa em Miami confere “status”, mas prefiro o conforto da minha casa em Porto Alegre. Home, sweet home. Sem uma segunda residência, tenho uma coisa a menos para me preocupar.
Para os brasileiros de classe mais alta, a moda hoje é investir em imóveis em Miami, pelos seguintes motivos:
1º, a crise americana derrubou o preço dos imóveis
2º, a queda do dólar
3º, o comprador só precisa apresentar o passaporte, não há exigência de green card
4º, a possibilidade de financiar o bem com algum banco de lá, com juros de fazer inveja aos brasileiros (a partir de 3% ao ano).
Mas eu gostaria de apontar algumas precauções quanto ao investimento. Tudo bem, se a casa ou o apartamento for pago à vista, com o câmbio a R$ 1,55. Se for financiado em 10 anos, quem garante que ao câmbio permanecerá neste nível ao longo do prazo de financiamento? Você vai morar lá 30 dias por ano?
Nos primeiros dois anos sim, e depois não vai mais porque a esposa vai querer ir para a Europa. Não esqueça os encargos: IPTU, condomínio, água, luz, telefone, TV, etc.
Há anos, uma amiga me convenceu a não comprar um apartamento em St. Petersburg, Florida. Ela disse: “Eu vou para minha casa, em Miami, uma vez por ano. Chegando lá, uma vez, o ar condicionado não funcionou. Tive que chamar o técnico para consertar. Depois de descobrir a peça com defeito, o técnico levou três dias para terminar o trabalho. Quando o aparelho começou a funcionar, já estava na hora de voltar. O pior de tudo é que eu vou para lá por obrigação e não por prazer.”
Uma casa em Miami confere “status”, mas prefiro o conforto da minha casa em Porto Alegre. Home, sweet home. Sem uma segunda residência, tenho uma coisa a menos para me preocupar.
Assinar:
Postagens (Atom)
