quinta-feira, 26 de julho de 2007

Die Broke

Recomendo o livro “Die Broke”, escrito por Stephen Pollan (Harper Business, 1997). O livro ensina que a gente deve viver bem e não deixar sobrar um centavo quando morrer. (live rich; die broke). Van Gogh fez o oposto: live broke and die rich. Coitado!
Teoricamente, a gente só consegue atingir a meta de “die broke” quando o cheque que você emitir para o seu próprio funeral for devolvido pelo banco por estar “sem fundos”.
O que me chama especial atenção é o capítulo 62 do livro: “Reverse Mortgages”. Um mortgage é quando um banco financia 70% do valor da casa e você amortiza durante 10 ou 20 anos. O reverse mortgage é o oposto: você tem a escritura da sua casa sem financiamento bancário ou com 100% da dívida (mortgage) paga e quitada. Agora você já é aposentado, não tem poupança, nem renda. Vive somente com o recebimento mensal do INSS, mas vive numa casa própria de R$ 300.000,00. Nos Estados Unidos existem bancos (Federal Housing Administration, Federal National Mortgage Association, etc.) que fazem o reverse mortgage. O contrato estipula que enquanto o casal (ele e/ou ela) viver nesta casa, o banco pagará 3 mil dólares por mês até a morte dos dois. Em troca o banco ficará com a casa após a morte do último componente do casal.
É mais importante viver melhor nos últimos anos de sua vida, e ficar tranqüilo em saber que após a sua morte, sua esposa viverá melhor com a quantia que o banco lhe pagará mensalmente. É melhor “comer” a casa do que deixá-la para os herdeiros.
Pergunto aos meus leitores se eles têm conhecimento de algum banco brasileiro que esteja oferecendo ou cogitando de alguma forma, o serviço de “reverse mortgage”. O banco ganha se o casal morrer cedo; perde se o casal viver vidas longas. O banco está acostumado a tomar riscos após fazer os cálculos atuariais.
Bem vindos os comentários!

4 comentários:

Luiz Gustavo de Azevedo Soares disse...

Acho que foi uma forma de ganhar dinheiro em cima dos hábitos alimentícios característico do povo americano, que leva sempre a saúde em último plano, devemos levar em consideração a expectativa de vida que temos aqui comparando com a expectativa de vida de lá (não sei estes dados) para vermos se seria lucrativo abrir um negócio desse aqui.

Janio Almeida disse...

Como os premios de seguros de vida sao muito mais caros no Brasil, o desconto seria enorme, ou seja o beneficiario receberia pouco.

sergio rewa disse...

Sr. Tong, no Brasil haveria problemas de legislação de herança. Filhos entrariam acionariam a lei para receber o imovel.

Patrick disse...

Se o reverse mortgage e' morbido veja esse novo tipo chamado de "Death Bond". O individuo "vende" o seguro de vida. O investidor que compra vai pagando os premios ate a morte do segurado para enfim coletar o premio.

http://www.businessweek.com/magazine/content/07_31/b4044001.htm