sexta-feira, 20 de julho de 2007

A situação das Aéreas ( parte 2 )

Na primeira parte do artigo mencionei que não é difícil achar soluções para o problema, o difícil é estabelecer quem perde. Até alguns dias atrás estava claro quem foi escolhido para perder--foi o usuário, o passageiro, o cliente. A partir do momento em que das três componentes da equação, o governo ( por incompetência ou omissão) cria uma restrição de infraestrutura, restam os outros dois lados para pagar o pato--as aéreas ou o usuário.

Até pouco tempo atrás, não se cogitava em resolver o problema pela oferta--reduzindo o número de vôos--pois as aéreas imediatamente perderiam receitas. Vendiam-se passagens pela capacidade planejada e o passageiro que se virasse para voar quando chegasse no aeroporto. Desta maneira, as aéreas conseguiram, por algum tempo, otimizar sua receita não deixando de vender mas deixando de entregar. Como o governo permitiu esta situação até antes do acidente da TAM, está claro quem foi o escolhido para perder desde o início da crise.

O caos nos aeroportos poderia ter sido trocado pelo caos no call center de atendimento de reservas. Poderia-se rapidamente readequar o número de vôos da malha aérea para a capacidade de entrega e somente reservar esta capacidade para os passageiros. Como a demanda é maior que a oferta, haveria uma espera maior para se viajar ou seja, o usuário ligaria para a reserva da companhia e esta diria, só tem lugar para amanhã ou depois de amanhã etc..., mas seria garantido a viagem na data e hora marcada e o usuário se adaptaria a um planejamento mais antecipado. Aqueles que precisam viajar inesperadamente pagariam um premio por isso (como é em qualquer negócio). Claro que não é o ideal, mas é infinitamente melhor o passageiro esperar em casa ou no trabalho do que ir ao aeroporto enfrentar o que vivemos nos últimos 9 meses. O único problema desta solução é que as companhias aéreas seriam escolhidas como perdedoras com uma redução imediata de suas receitas e aumento da ociosidade de seus ativos e recursos.

Com o acidente da TAM, tudo muda na lógica que prevaleceu até hoje. Com a significativa perda de imagem do governo, o pêndulo foi para o outro lado. Vai se reduzir a oferta na marra. E as aéreas terão perda de receita significativa até que a infraestrutura se ajuste no médio/longo prazo. Esta perda de receita no entanto, será certamente compensada (parcialmente) com aumentos de preço das passagens.

Veja a continuação na parte 3 deste artigo.

Jackson Tong

Convidado deste Blog

4 comentários:

joao indapa disse...

Concordo com a analise. Vou ficar longe das ações de companhias aéreas brasileiras. não vejo soluçao no horizonte.

joao disse...

Até agora acertou. qual é o tamanho da queda? devo comprar em algum ponto gol ou tam? joao

Anônimo disse...

aguardo ansiosamente a conclusao do artigo sobre as empresas aereas

Carlos augusto maia disse...

Sr.Tong, acha uma oportunidade de comprar gol e/ou tam agora, ambas estao na menor cotaçao em mais de 1 ano