terça-feira, 6 de abril de 2010

A revalorização do Yuan

Nos últimos anos os Estados Unidos vêm pedindo e tentando persuadir a China a revalorizar a sua moeda, o yuan, a fim de reequilibrar o comércio bilateral dos dois países. O yuan subvalorizado torna os produtos chineses baratos, estimulando a exportação, e torna os produtos americanos caros, incentivando a importação. Além de se sentir mais pobre diante do déficit comercial perpétuo que atingiu quase um trilhão de dólares, os americanos perdem os empregos para os chineses.
O governo chinês não diz sim nem não sobre a revalorização. Só diz que está pensando, analisando. Enquanto o mundo espera pela revalorização, a China pode estar longe de pensar no assunto.
Existem alternativas?
Para diminuir o superávit, a China pode optar pelo aumento de salários do povo ao invés da revalorização da moeda. Se subir o salário, a exportação diminui. Salário mais alto eleva o nível de vida desde que isso não cause inflação acelerada.
A China também pode estar estudando a interiorização de consumo. Em vez de ganhar mais divisas exportando para o exterior, vai encaminhar os produtos para o consumo popular no interior, beneficiando as áreas rurais.
A meu ver, a melhor solução seria o “free float” da moeda, ou seja, taxa de câmbio determinada pelo mercado, não pelo governo. Mas o regime atual – capitalismo sob controle do governo – quer controle sobre tudo, e a moeda em primeiro lugar. Neste momento, “free float” seria apenas um sonho.
No Brasil, o real é teoricamente uma moeda de “free float”, determinado pelo mercado. Mas de vez em quando o Banco Central mete a mão também. O governo julgou a taxa de câmbio de R$ 1,70 por dólar prejudicial à exportação, o Banco Central comprou dólar para impedir mais valorização do real. A Suíça e a Inglaterra não participam da União Européia porque cada país quer ser dono de sua própria moeda (não deixa o default da Grécia afetar diretamente o seu destino).

3 comentários:

Diogo disse...

Sr. Tong, aprecio muito seu trabalho de colocar no blog as notícias sobre os acontecimentos econômicos e analizá-los, procuro lê-las sempre quando são adicionados novos eventos. Gostaria de saber quais são os jornais principais, estrangeiros ou nacionas, que o senhor aconselharia ler para se manter informado sobre esses eventos.
Att. Diogo Dossena

John Tong disse...

Diogo, os principais são:

Business Week
Oxford Club Bulletin de Investimento
Bloomberg Television

Obrigado pelo interesse no blog,
um abs,
John.

Diogo disse...

Muito obrigado pela atenção,
um abraço,
Diogo.