quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Lula vs. Mandela (1ª parte)

Como a gente pode observar nos artigos anteriores do blog, o foco de investimento mudou de um setor para o outro desde que Mandela assumiu o poder. E o Brasil, após a eleição de Lula?


Sem dúvida, a queda gradual e consistente da taxa de juro beneficia a bolsa brasileira em geral e alguns setores de atividade em particular.

Minério de ferro

Liderança da Vale do Rio Doce na exportação com sucessivas altas de preços no mercado internacional

Siderurgia

Com matéria prima, eletricidade e mão de obra mais baratas do mundo, as companhias de siderurgia, Usiminas, CSN, Gerdau, Acesita, etc. têm vantagem competitiva (veja capítulo 6 do livro “Bolsa de Valores – Visão Feliz e Otimista”)

Petróleo

Petrobrás estava parada nos últimos dois anos. Agora está avançando com a alta do preço do petróleo

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

China

No meu livro, Bolsa de Valores – Visão Feliz e Otimista de Três Gerações (2004, Editora AGE), dediquei um capítulo inteiro sobre a China. De lá para cá, a economia chinesa continua crescendo a todo vapor e a bolsa (Shanghai Índice) subiu 50% desde o início de 2007, após uma alta de 130% em 2006.
O mundo financeiro, desde maio de 2007, já está gritando sobre a possibilidade de existir uma bolha (bubble) que pode estourar a qualquer momento. Aliado a uma inflação em alta, que subiu de 4,4% (taxa anual) em junho para 5,6% em julho, o governo chinês tomou as seguintes medidas:

1) aumento de juros e compulsório sobre depósitos bancários
2) elevação da taxa de negociação em ações, de 0,1% para 0,3%
3) introdução e teste de índice futuro de ações. Investidores e especuladores podem fazer “hedge” com seus ativos em ações vendendo índice futuro. A venda de índice futuro ameniza a alta da bolsa e contrabalança a instabilidade da mesma.
A bolsa chinesa exerce grande impacto sobre as bolsas do mundo. Isso faz parte da globalização. A essa altura, não recomendo a compra de ações chinesas, nem seus ADRs em New York, embora ADR traga mais vantagens se o renminbi (moeda chinesa) continuar se re-valorizando. Esqueça a China. Vou me concentrar na bolsa brasileira. Meu palpite: se o mercado subir, Brasil sobe mais do que China (doravante); se o mercado cair, Brasil cai menos do que China.

sábado, 18 de agosto de 2007

Fed Emergency Rate Cut

Diante da deterioração da economia americana e a turbulência do mercado acionário, o Fed, no dia 16 de agosto, cortou o discount rate em 0,5%, para 5,75%. O discount rate é a taxa de juro que o Fed cobra dos bancos.
Esta medida é o primeiro passo para a aliviar a situação. O mercado já especula sobre os próximos passos do Fed.

A) O Fed vai observar o comportamento do mercado após o corte no discount rate.

B) Determinar o corte do Fed Fund Rate (que é o juro que os bancos cobram dos clientes).
No mínimo 0,25% (de 5,25% para 5%)
Ou mais drástico, 0,5% (de 5,25% para 4,75%)

C) A reunião do Fed Open Market Committee (FOMC) está agendada para o dia 18 de setembro de 2007. Como medida de emergência a reunião pode ser antecipada para agosto. Esse tipo de “surpresa” já aconteceu em outubro de 1998 e em janeiro, abril e setembro de 2001.

Se Alan Greenspan dançava conforme a música, porque Ben Bernanke não faria a mesma coisa?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Soweto

Soweto é uma cidade na periferia de Johannesburg com um povoado de 4 milhões de negros. A usina de eletricidade queima carvão de Soweto, e funciona com o suor e o sangue dos negros, mas por 20 anos a cidade não tinha eletricidade, que era transmitida somente para Johannesburg. Por que?
Porque os negros não tinham empregos estáveis e não pagavam conta de luz.
Fomos visitar uma família típica ou “prototípica”. A casa era bem arrumada, com geladeira funcionando e luz acesa. Então após Mandela, Soweto começou a ter eletricidade. Em um canto da casa tinha um aparelho. O morador tinha um cartão de eletricidade (pré-pago) enfiado em um aparelho para ter x horas de luz (igual ao nosso cartão pré – pago de telefone). Com esta grande invenção, a administração do governo Mandela fez justiça com o povo. Os investidores podem até comprar ações da companhia de eletricidade, porque agora as contas de luz são pagas (aliás, pré-pagas!).

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Diamond is/not forever

Há alguns anos atrás fizemos um tour pela África do Sul. O itinerário foi Cape Town, Johannesburg, Kruger National Park, Victoria Falls (Zimbawee). The Oxford Club, o organizador do tour, além de cuidar dos hotéis, refeições, transporte e roteiros, programou duas conferências sobre investimentos. Um dos palestrantes foi o gerente da Merrill Lynch, de Johannesburg. Ele relatou a história do desenvolvimento do país, a exploração de ouro e diamante e as ações de produtores das duas commodities como Anglo – American. Mas, desde Nelson Mandela, a situação política e econômica mudou. Os investidores internacionais não estão mais explorando ouro ou diamante na Johannesburg Stock Exchange. As ações que chamam a atenção são de setores de serviços e seguros. Como a população negra tem mais empregos e salários, os vendedores de seguros batem às portas oferecendo todos os tipos de seguros: de vida, de acidentes, de incêndios, de automóveis, etc.
Bye bye ações de minas de ouro, e diamond is not forever.

Obrigado pelas sugestões de temas

Prezados leitores,
Gostaria de agradecer a todos pelas sugestões de temas para o Blog.
Vou procurar atendê-los, começando pelos assuntos mais mencionados ou sugeridos.
Obrigado pelas palavras de incentivo e um abraço a todos.
John Tong

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Petrobrás e Suzano Petroquímica

No meu artigo anterior (Petrobrás versus Petroquímica), apostei nas ações de Petroquímica (Braskem, Suzano Petroquímica, Unipar, etc.), que devem ter uma performance melhor do que Petrobrás, devido à perspectiva da queda dos preços do petróleo e da nafta.

Nesta semana (6 a 10 de agosto), o preço internacional do petróleo de fato caiu. Embora ultimamente a Bovespa tem se reajustado para baixo devido ao tumultuado mercado americano (subprime home loans, etc.), as ações brasileiras de Petroquímica têm mostrado firmeza. Daí, de repente vem a surpresa.

No dia 3 de agosto, foi anunciado que Petrobrás comprou o controle de Suzano Petroquímica por R$ 2,7 bilhões, ao preço acordado de R$ 10,70 por ação PN. A ação SZPQ fechou a R$ 8,91, com uma alta dramática de 56%.
O assunto de Suzano Petroquímica, portanto, já está definido, e o papel não é mais o foco de especulação. Nesta semana (6 a 10 de agosto) o mercado já começou a especular sobre Unipar PN, diante da noticia de que o diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa confirmou que a partir de agora vai se sentar com executivos da Unipar para negociar a constituição da Petroquímica do Sudeste.
Parece um efeito dominó. Será que a onda de reestruturação vai atingir Braskem, Copesul e outras?
O mercado não tem nada mais para especular sobre “fait compli” (Suzano Petroquímica). Portanto, os investidores começam a especular sobre as perspectivas de merge e acquisition de cada empresa brasileira da Petroquímica.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

T – Bill 10 anos

T- Bill 10 anos (Treasury Bill 10 anos) é um dos indicadores importantes do movimento das bolsas americanas, e por extensão, da bolsa brasileira.
U.S. Treasury lança, por exemplo, 1 bilhão de dólares em T- Bill que vence em 10 anos, com juros de 5% ao ano, ao preço de 100. Este instrumento de dívida do governo americano paga o menor juro do mercado mas é o mais seguro. É inconcebível que o governo americano ou U.S. Treasury quebre e deixe de pagar os investidores no vencimento. Seria um caos total! (Já aconteceu na Argentina e na Rússia).
Agora, vamos dizer que a perspectiva de inflação suba de 4% para 4,2%, e o juro suba de 5% para 5,15% ao ano. Como os investidores agora querem 5,15%, o mercado baixa o preço do T- Bill para 95, a fim de equiparar o juro de mercado, de 5,15%. Portanto, como regra, o preço do T – Bill varia inversamente a taxa de juro. No exemplo abaixo para T-Bill de 10 anos:

....................Juro/ano....Preço
Lançamento___5,00%______100
No mercado___5,15%_______95

Hoje (28/06/07) FOMC (Federal Open Market Comittee) mantém o Fed Fund rate inalterado, em 5,25%, indicando uma perspectiva de inflação estável, portanto positivo para as bolsas americanas e brasileira.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

SUGESTÃO DE TEMAS PARA O BLOG

Prezados leitores,

Gostaria de pedir a vocês, sugestões de temas para serem abordados neste Blog.
É claro, deverão ser assuntos relacionados a investimentos e tentarei, dentro do possível, escrever sobre o assunto sugerido.
Aqueles que desejarem sugerir temas deixem mensagem na sessão de COMENTÁRIOS deste post logo abaixo.

Obrigado,

John Tong


terça-feira, 31 de julho de 2007

Sócios no Progresso *

A sua esposa sabe que você está ganhando na bolsa? É difícil a minha esposa não ficar sabendo, e ela quer participar no lucro.
Ela anda com um carro importado ano 1997. Ultimamente tivemos o seguinte diálogo:
Ela: “Meu carro começou a ter barulhos e não estou dirigindo com tranqüilidade. Meu carro já tem 10 anos, estou pensando em trocar. Vamos dar uma olhada nas concessionárias de carros novos Eu: “Importados chamam muito atenção. São alvos para assaltos e seqüestros.”
Ela: “Então temos de blindar o carro.”
Afinal compramos um carro novo. Custou caro! No auge da bolsa, a mulher pede e a gente cede. Quem manda você pregar e escrever sobre “Die Broke” (artigo anterior deste blog)?

*footnote: “Sócios no Progresso” é o título de um livro escrito por Roberto Campos e Lester Pearson, primeiro ministro do Canadá.

sábado, 28 de julho de 2007

A situação das Aéreas ( parte 3 - final )

Desde o início do caos aéreo em outubro do ano passado até o dia do acidente da TAM, enquanto o Bovespa valorizou 43%, as ações da TAM caíram 4% e as da Gol caíram 27%, já indicando forte incerteza em relação ao setor.
Desde o acidente até ontem, a TAM desvalorizou mais 22% e a Gol 18%, enquanto que o Bovespa caiu 8%. Uma punição severa que reflete em sua essência as incertezas sobre a recuperação das receitas destas empresas no médio/longo prazo após o ajuste da malha aérea que estará ocorrendo no curto prazo.

Na minha visão, uma queda exagerada. Como o mercado tende a reagir com movimento pêndular, creio que tivemos um overreaction e pode haver um movimento de correção positiva nestes papéis, principalmente dos da Gol em relação ao Bovespa.

Listo abaixo os fundamentos para esta percepção:
  1. A Demanda continua alta e não servida, mesmo nos segmentos de mercado mais nobres--business travellers. Esta demanda será distribuída em outros aeroportos além de Congonhas. Haverá uma adaptação dos usuários, mas isto ocorrerá relativamente rapido, pois precisam utilizar o transporte aéreo. O uso de Congonhas será reduzido, mas ocorrerá uma otimização de sua utilização pelas companhias aéreas em suas rotas ponto-a-ponto mais nobres: Ponte aérea SP-RJ, SP-Brasília, SP-BH e entre outras cidades principais--creio que as margens derivadas destas rotas representam mais da metade do resultado destas empresas no mercado doméstico.
  2. A moeda de troca das aéreas na redução dos volumes é o aumento dos preços de passagens, que certamente irá ocorrer para compensar as reduções de volume.
  3. Não existe substituto adequado ao transporte aéreo. Vocês já viajaram nas estradas brasileiras últimamente ? Quem substituiu a viagem aérea por ônibus não vai aguentar por muito tempo.
  4. O posicionamento da TAM e Gol é ainda muito forte com a saída da Varig e difícilmente uma outra companhia aérea irá competir nos mesmos volumes com estas duas.
  5. TAM e Gol estão fortalecendo suas rotas internacionais, espaço que ainda precisa ser ocupado, e que trarão uma fatia bem maior de suas receitas. Aliás, expandir estas rotas internacionais com algum privilégio pode também ser outra moeda de troca com o governo para compensar a perda de tráfego doméstico.
  6. A privatização da infraestrutura aeroportuária ou a sua gestão deverá ser acelerada após os eventos dos últimos 10 meses

Sem dúvida que o caos aéreo prejudicou o desempenho das empresas aéreas, principalmente na linha da receita. Mas a questão é se estes fatos já estão descontados do preço dos papéis. Minha percepção é que sim. Pode ser uma oportunidade !

Jackson Tong

Convidado deste Blog

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Die Broke

Recomendo o livro “Die Broke”, escrito por Stephen Pollan (Harper Business, 1997). O livro ensina que a gente deve viver bem e não deixar sobrar um centavo quando morrer. (live rich; die broke). Van Gogh fez o oposto: live broke and die rich. Coitado!
Teoricamente, a gente só consegue atingir a meta de “die broke” quando o cheque que você emitir para o seu próprio funeral for devolvido pelo banco por estar “sem fundos”.
O que me chama especial atenção é o capítulo 62 do livro: “Reverse Mortgages”. Um mortgage é quando um banco financia 70% do valor da casa e você amortiza durante 10 ou 20 anos. O reverse mortgage é o oposto: você tem a escritura da sua casa sem financiamento bancário ou com 100% da dívida (mortgage) paga e quitada. Agora você já é aposentado, não tem poupança, nem renda. Vive somente com o recebimento mensal do INSS, mas vive numa casa própria de R$ 300.000,00. Nos Estados Unidos existem bancos (Federal Housing Administration, Federal National Mortgage Association, etc.) que fazem o reverse mortgage. O contrato estipula que enquanto o casal (ele e/ou ela) viver nesta casa, o banco pagará 3 mil dólares por mês até a morte dos dois. Em troca o banco ficará com a casa após a morte do último componente do casal.
É mais importante viver melhor nos últimos anos de sua vida, e ficar tranqüilo em saber que após a sua morte, sua esposa viverá melhor com a quantia que o banco lhe pagará mensalmente. É melhor “comer” a casa do que deixá-la para os herdeiros.
Pergunto aos meus leitores se eles têm conhecimento de algum banco brasileiro que esteja oferecendo ou cogitando de alguma forma, o serviço de “reverse mortgage”. O banco ganha se o casal morrer cedo; perde se o casal viver vidas longas. O banco está acostumado a tomar riscos após fazer os cálculos atuariais.
Bem vindos os comentários!

sábado, 21 de julho de 2007

Future Trading (4ª parte)

Anos atrás, como diretor comercial da Granóleo S.A. , um complexo industrial de soja, fiz muito future trading. A Granóleo compra soja dos agricultores e cooperativas, esmaga o grão, vende óleo no mercado nacional e exporta farelo para o mercado internacional.
O farelo de soja é vendido para multi-nacionais (Bunge, Toepfer, Continental Grain etc...) para embarques futuros. Para fixar o preço de venda por exemplo de 10.000 toneladas de farelo para embarque em setembro, eu tinha de vender 110 contratos de September future no Chicago Board of Trade (maior bolsa de mercadoria de futuros do mundo) e entregá-los para o comprador. O preço de venda de contrato futuro fixa o preço de farelo a ser embarcado em september. Assim o exportador fixa o preço e o importador fica long (comprado) em físico e short em chicago (na bolsa de mercadoria). Quando o importador vende adiante para o consumidor final (uma cooperativa de criadores de gado na Holanda, por exemplo), ele cobre em Chicago (unwind or reverte). Operação hedged, sem risco de flutuação de preços.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A situação das Aéreas ( parte 2 )

Na primeira parte do artigo mencionei que não é difícil achar soluções para o problema, o difícil é estabelecer quem perde. Até alguns dias atrás estava claro quem foi escolhido para perder--foi o usuário, o passageiro, o cliente. A partir do momento em que das três componentes da equação, o governo ( por incompetência ou omissão) cria uma restrição de infraestrutura, restam os outros dois lados para pagar o pato--as aéreas ou o usuário.

Até pouco tempo atrás, não se cogitava em resolver o problema pela oferta--reduzindo o número de vôos--pois as aéreas imediatamente perderiam receitas. Vendiam-se passagens pela capacidade planejada e o passageiro que se virasse para voar quando chegasse no aeroporto. Desta maneira, as aéreas conseguiram, por algum tempo, otimizar sua receita não deixando de vender mas deixando de entregar. Como o governo permitiu esta situação até antes do acidente da TAM, está claro quem foi o escolhido para perder desde o início da crise.

O caos nos aeroportos poderia ter sido trocado pelo caos no call center de atendimento de reservas. Poderia-se rapidamente readequar o número de vôos da malha aérea para a capacidade de entrega e somente reservar esta capacidade para os passageiros. Como a demanda é maior que a oferta, haveria uma espera maior para se viajar ou seja, o usuário ligaria para a reserva da companhia e esta diria, só tem lugar para amanhã ou depois de amanhã etc..., mas seria garantido a viagem na data e hora marcada e o usuário se adaptaria a um planejamento mais antecipado. Aqueles que precisam viajar inesperadamente pagariam um premio por isso (como é em qualquer negócio). Claro que não é o ideal, mas é infinitamente melhor o passageiro esperar em casa ou no trabalho do que ir ao aeroporto enfrentar o que vivemos nos últimos 9 meses. O único problema desta solução é que as companhias aéreas seriam escolhidas como perdedoras com uma redução imediata de suas receitas e aumento da ociosidade de seus ativos e recursos.

Com o acidente da TAM, tudo muda na lógica que prevaleceu até hoje. Com a significativa perda de imagem do governo, o pêndulo foi para o outro lado. Vai se reduzir a oferta na marra. E as aéreas terão perda de receita significativa até que a infraestrutura se ajuste no médio/longo prazo. Esta perda de receita no entanto, será certamente compensada (parcialmente) com aumentos de preço das passagens.

Veja a continuação na parte 3 deste artigo.

Jackson Tong

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quinta-feira, 19 de julho de 2007

A situação das Aéreas ( parte 1 )

Resposta ao comentário do Sr. Borges

Não há dúvida que o desempenho econômico das companhias aéreas domésticas (TAM, GOL e outras) está sendo afetado pelo "apagão aéreo" ocorrendo no Brasil desde setembro do ano passado. Isto já era consenso mesmo antes do acidente da TAM na terça-feira.
As soluções para o apagão aéreo são conhecidas. Esta não é a maior dificuldade. O difícil é estabelecer quem vai perder no curto prazo dadas as soluções.

Vamos examinar a equação. Simplificadamente, temos três partes envolvidas: 1-) o governo, que é responsável pela infraestrutura aéroportuária e a regulamentação, 2-) as companhias aéreas que prestam o serviço, mas que dependem da utilização da infraestrutura e 3-) o consumidor que gera a demanda e utiliza o serviço de transporte.

Dentro destes papéis, cabe ao governo estimar o crescimento da demanda e suprir a infraestrutura necessária (aeroportos, equipamentos, sistemas de informação, pessoal capacitado etc...) para atender esta demanda. Isto exige planejamento e execução antecipado para que a demanda seja atendida em tempo e com bom nível de serviço (é assim em qualquer negócio ). O problema, já conhecido, é que o governo não cumpriu este papel de atualização de infraestrutura, mas ao mesmo tempo, como regulador, permitiu aumentos de vôos e concedeu novas licenças às companhias aéreas.

Por sua vez, as aéreas expandiram seus volumes, compraram aeronaves, contrataram funcionários e criaram expectativas de crescimento e rentabilidade para seus acionistas. As empresas corretamente investiram em melhorar e otimizar seu modelo operacional com melhor aproveitamento de seus recursos e simultânea melhoria do nível de serviço ao cliente. O atendimento de check-in estava mais rápido com a melhor gestão de filas, check-in via internet ou automático, lay-overs menores e outras melhorias.
Só que para tudo isto funcionar, a infraestrutura e o serviço aéroportuario teria que acompanhar o nível de eficiência da operação das companhias aéreas. Ocorreu justamente o contrário. O fato é que a infraestrutura está atrasada em relação a demanda de 2 a 3 anos. Isto contando que se faça algo a partir de agora.

Então, o que fazer ? Existe solução de curto prazo ?
Veja na continuação deste artigo.

Jackson Tong
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